‘penso,logo existo’ – conclusão sobre essa preposição
Publicado por Daniel Baseggio em 26/06/2009

A teoria cartesiana da verdade
- No final da reflexão sobre este raciocínio, no livro de FORLIN, capitulo V, em suma na conclusão a respeito da afirmação que Descartes a intuíu como primeira verdade indubitável.
A afirmação ‘eu penso, logo existo’ nos remete a afirmar que o “eu” não existe porque pensa, mas porque conhece que pensa. O ‘eu penso’ consiste na expressão de uma percepção que o pensamento tem de sua própria realidade, tendo uma intuição intelectual chega-se neste autoconhecimento.
O conhecimento da própria natureza, enquanto pura inteligência partilha do mesmo valor objetivo do conhecimento que o “eu” tem da própria existência.
Se é possível criticar a tese cartesiana, como Leibniz fez, objetando pela lógica afirmando que não há implicação necessária entre o que eu penso ser e o que eu realmente sou; mostrando que não há conhecimento, como afirma Descartes, mas, há um mero pensar, ou seja, que a afirmação ‘eu penso’ não é uma intuição intelectual, é apenas uma mera representação. Por sua vez, Kant criticou a tese cartesiana de que o cogito fornece o conhecimento de minha natureza como substância pensante ; Kant nega que a consciência de si corresponda a uma intuição intelectual. Na Critica da Razão Pura, Kant utiliza a estratégia de retirar a intuição do entendimento e colocá-la na sensibilidade; a consciência de si deixa de ser um conhecimento que o pensamento tem de si mesmo; para que haja conhecimento é preciso que o pensamento se aplique sobre o sentido interno.
A primeira verdade consiste na afirmação da existência de um cogito que excluí qualquer elemento corporal; durante uma descrição da alma chegamos a constatação de que ela é afirmada a partir do pensamento, e depois vai se desdobrando em outras proposições explicando a natureza dessa existência pensante.
A afirmação ‘eu sou, eu existo’ é verdadeira na medida em que é concebida em meu espírito, a partir desta, todas as preposições afirmadas a partir dela se tornam verdadeiras. Daí resulta na ordem do desdobramento aprofundando na autorpercepção que o sujeito têm de si mesmo.
O resultado é a ampliação da autopercepção inicial para uma autopercepção completa que explicita a natureza dessa existência. A primeira verdade apenas inaugura o novo edifício do conhecimento; sendo verdadeira apenas quando fundada na autopercepção, agora também ampliada na medida em que o pensamento têm de si mesmo.
Esta proposição é indubitável, pois se funda numa percepção indubitável, para esta edeia ser verdadeira deve ser indubitável, e, o que é indubitável deve corresponder com a realidade; corresponde necessariamente com seu objeto, esta correspondência é estabelecida entre a ideia que há no pensamento e a realidade fora dele.
Adiante se mostra necessário encontrar na própria ideia um signo indubitável dessa correspondência, a chamada clareza e distinção.




Renato T disse
Bom texto.
Os únicos problemas são os Parágrafos 2 e 6, que ficaram obscuros por causa da pontuação que você usou.
De Resto é um ótimo texto.
A verdade de Descartes « perspectivas disse
[...] ocorreu-me escrever este postal em função destoutro. Deixe um [...]