Disse-me um dia: ‘guarde o vento que me leva, logo voltarei com a aurora’.
Eu não pude crer que aquela estranha criatura, antes horrível, isenta de pudor e de vontade poderia ter algo a me oferecer.
‘Crescemos num piscar de olhos’ – isso marca a passagem da criança para sua puberdade, ontem era pura e sem malícia para que, no outro dia se torna um monstro de ideias malígnas e de coração frio.Este, que antes de partir estraçalhou muitos corações, feriu muitas pessoas nas quais apenas abicaram algumas horas em deleite de sua presença; nunca passou pela cabeça delas que em momento algum este iria abatê-las. Guardou o fresco frasco da pureza, já que havia perdido a sua prórpia juntamente com a sua infância. Dava passos a noite a procura dessas virgens de coração, para devorá-las.
Momentos mais tarde fora sua vez, sentia-se como quem não podia mais respirar, perdera de novo, mas, agora perdera aquilo que roubava; sim, ele perdera o conforto de ser o melhor.
Passava anos devaneando, entrando e saindo de lares, alfinetando outros corações; até que, desanimado e inconsciente viu a aurora, e, junto dela, inventou uma vida. Seu elixir de êxtase transpassava a barreira do racional. Agora se sente vivo.O inventor que antes se martirizava pelas perdas, pelo desconhecido, virou o inventor que supre do calor da amada, embreaga-se de sua companhia e inventa seu proprio dia a dia.
Por – Daniel T. Baseggio 14/07/09

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