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ESPINOSA – ÉTICA (Livro I – De DEUS)

Posted by Daniel Baseggio em 11/09/2009

 personalidades-bento-espinosa                                                                                                                                                                    Uma interpretação do primeiro capítulo visto em aula sobre Espinosa, me atrai tal leitura deste filosofo racionalista. Esse primeiro capítulo tratará de Deus como sendo a substância, causa de tudo e de si mesma. Aproveitem.

 A substância é, necessariamente, causa de si e causa de todas as coisas; causa de si porque não necessita de nada mais além de si mesma para existir, portanto, é razão de si mesma, é aquilo que existe por si mesmo. No Axioma II, Espinosa afirma: ” O que não pode ser concebido por outra coisa deve ser concebido por si”. A afirmação expreime que tudo tem uma causa determinada; aquilo que não tem uma causa – a substância-, deve ser causa de si mesma. Sendo esta substância causa de si mesma é, além disso, a causa necessária de todas as outras coisas, pois, para todo o efeito existe uma causa única e determinadamente causadora de sua existência.
 Na Proposição IV, Espinosa afirma que a substância não pode ser produzida por outra substância. Além de afirmar o caráter uno da substância, está em questão a causa da substância que se fosse causada por outra substância não seria causa de si, mas um efeito derivado de outra causa. Atribuo, como Espinosa o faz, o nome de substância de DEUS.
 Pela perspectiva da tradição Deus era antropormofizado, ou seja, recebia qualidades e atributos humanos, são eles: a onipotência (vontade infinita), a figura infinita (de tempo e realidade), a onipresença, o artesão (criador de todas as coisas), o legislador (monarca e governante do mundo), juíz (aquele que pune ou absolve). Sendo assim, conhecer Deus pela tradição é atribuir-lhe características humanas à substância; desse modo, é imaginando que conhecemos a Deus. Visto que o conhecimento imaginativo em Espinosa é inadequado, Deus espinosano é uma causa imanente, ou seja, inseparável de suas criações e, por isso, não pode ser imaginado, mas sim conhecido.
 Quando afirmamos que Deus criou todas as coisas não queremos dizer que agiu por sua Vontade, mas, que a substância age por sua necessidade. Por necessidade entendemos que é a maneira pela qual a natureza age; no caso de Deus sua necessidade é causar a todas as coisas, inclusive sua própria existência.
 O homem, ser finito, conhece apenas dois atributos de Deus – que tem infinitos atributos infinitos em seu gênero, visto que Deus é único, ou seja, que só tem existe uma substância causadora de todas as coisas, causadora de sua existência e da existência de seus atributos, que acompanham a infinitude de Deus. Esses atributos que conhecemos é a extensão e o pensamento. Distinguindo Deus desse modo destrói-se a ideia de milagres e de Vontade; pode ser considerado como realidade extensa afirmando a  espacialidade como atributo divino; o pensamento se mostra como a inteligibilidade do real nos traduzindo todo e qualquer objeto.
 Da substância provém os atributos – infinitos -, destes provém os modos, estes na sua finitude dizem respeito à maneira de existir. Ou seja, diz repeito a maneira da substância – que existe por si e não necessita ser causado -, a dos modos, que diz respeito ai efeito da substância , por isso são efeitos necessários produzidos pelos atributos da substância. 
 São eles os modos finitos: o corpo – indivíduos constituídos por relação de movimento e repouso, denotando a essência da espacialidade, ou extensão. A mente – indivíduos constituídos por encandeamento e nexos de ideias, denotando a essência da inteligibilidade, ou o pensamento.
 Podemos afirmar que Deus é eterno, mas, sem condição de tempo, ou seja, fora do começo e do fim, ela – a substância – é Natureza Naturante devido a sua atividade infinita de causar necessariamente a totalidade do real; os modos, por sua vez, são Natureza Naturada, pois são produzidas pelos atributos da Natureza Naturante (substância, ou Deus). A substância quando produz seu efeito não se separa deles, mas faz com que em sua totalidade seja exprimida na unidade eterna e infinita de Deus.
 Portanto, podemos afirmar que na filosofia espinosana Deus é livre não porque atua conforme sua vontade, mas pela necessidade interna de sua essência, de sua potência identificam sua maneira de existir, de ser e de agir. A liberdade, portanto, é a maneira pela qual a natureza age – a natureza de Deus é causar a tudo, a natureza do homem é pensar.
 Necessidade e liberdade se encontram na medida em que exprimem o que há na natureza espontaneamente, contrapondo a ideia de vontade e escoha, diz respeito a efetivação da natureza enquanto ela diz respeito ao que é. Por exemplo: a natureza de Deus é causa de si e causa de todas as coisas, necessariamente efetiva, espontânea; sua essência essência e seus atributos causam, necessariamente devido à sua efetivação – que é causar -, os modos finitos, ou, o homem.

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