ESPINOSA – ÉTICA (livro II – Da Natureza e da Origem da Mente)
Publicado por Daniel Baseggio em 14/09/2009

Continuando nossa caminhada a respeito de Espinosa (creio que nos ajudará para a prova), segue-se a interpretação do Livro II da Ética:
Depois de sabermos que todas as coisas devem necessariamente seguir-se de Deus, que é a causa de tudo, veremos que conhecemos apenas dois atributos seus, estes atributos representam nossas realidades. Neste livro da Ética estará explícito o paralelismo de espinosa, este consiste na ordem paralela do corpo; todas as ideias derivam da substância enquanto ela exprime realidade pensante; todas as coisas derivam da substância, enquanto ela exprime realidade extensa. Então, o paralelismo espinosano diz repeito à substância ser realidade pensante e realidade extensa, ambas existentes em Deus e no homem.
Ainda mais explícito se encontra nas Definições I e II da Parte II: o corpo exprime determinadamente a essência de Deus, quando considerada extensa; corresponder com a essência faz com que aquilo exista. No entanto, a ideia corresponde a um conceito da mente, afirmando que o conceito exprime uma ação da própria mente.
A essência de Deus é necessariamente causadora de tudo, é existente porque não pode haver efeito algum sem uma causa. Somente com sua realidade a substância causa os modos. Tal atributo é causado pela substância na mesma realidade em que se encontra, por exemplo: o pensamento expressa a realidade pensante e não a realidade extensa.
A essência do homem é o pensamento. Pelo Axioma IV, Espinosa afirma que o corpo pode ser afetado de muitas maneiras. Assim, o corpo será objeto da mente. A mente humana vai ser ligada ao corpo; tudo o que acontece com o corpo a mente terá uma ideia daquilo que está acontecendo. Como a mente reproduz a ideia das afecções corporais será consciência de seus movimentos e constrangimentos, ou seja, terá consciência das ações e reações, das relações do corpo com seus constrangimentos externos.
Tudo o que acontece com o corpo a mente capta, portanto, a mente está dispostan a captar necessariamente tudo o que constrange o corpo. A mente percebe inúmeros corpos ao mesmo tempo, percebe sua relação intrísceca com o próprio corpo. Essas ideias que nos constrangem nos fazem entender a constituição do nosso corpo, então, as afecções são, de fato, benígnas.
A ordem e a conexão das ideias na mente é a mesma da ordem e conexão das causas do corpo. A mente é a ideia do corpo. Conexão das ideias do corpo, pois sendo ambas modos, ou efeitos imanentes dos atributos inifinitos que constituem a unidade da substância, as ideias e as causas possuem a mesma origem e seguem as mesmas leis, mas, de maneira qualitativamente diferenciada, porque referidas as esferas diferentes de realidade.
(Nota de aula – 25/08/09)
Conforme a afirmação do paralelismo espinosano, somos a unidade do complexo corporal e do complexo psíquico. A mente é consciência do corpo e consciência de si. É consciência do corpo na medida em que sabe que o corpo existe devido aos seus constrangimentos. Uma vez que ele foi afetado por um ou mais corpos externos, a mente recordará imediatamente daqueles corpos que o afetou. Desse modo, o corpo constitui o objeto atual da mente; assim, é da natureza da mente estar ligada ao corpo, porque ela é atividade de pensá-lo.
Além disso, a ideia da mente está unida à ela da mesma maneira que a mente está ligada ao corpo; a ideia da mente deve, necessariamente, estar unida com seu objeto. A mente somente se conhece quando conhece o corpo pelas suas afecçõe, ou constrangimentos; enquanto o corpo por si só não absorve conhecimento algum dos corpos que o constrange, a mente percebe outros corpos como existentes pelas ideias das afecções que o corpo sofre.
A mente começa e vive um conhecimento confuso a partir de tais ideias das afecções, Espinosa chama tal conhecimento de inadequado. Este conhecimento parte da consideração que a mente faz a respeito dos corpos exteriores pelas ideias do constrangimento de seu próprio corpo. Esse conhecimento é conhecido como imaginativo; imaginar pressupõem uma atividade da mente, a mente representa uma imagem do contato com outro corpo externo, formando-se as imagens na mente a partir do constrangimento que outros corpos causam no nosso e a mente representando esses corpos devido às afecções que somos sujeitos.
Essas ideias envolvem tanto o modo como os corpos exteriores que nos afetam; essas imagens são instantâneas, momentâneas e disperças. Para haver um conhecimento seguro seria necessário uma duração, coisa que tais imagens não ofercem, pois são percepções fragmentadas.
Nascidas de encontros corporais, a imagem instituí um comapo de experiência vivida como relação imediata e abstrata com o mundo. Imediata porque é contato direto do nosso corpo com outros; abstrata porque é multilada e fragmentada.
(Nota da aula – 28/08/09)
A mente pensa primeiramente na relação de afetar e ser afetada; nessa relação ela não possuí uma ideia verdadeira sobre os corpos. É pura abstração, pois apenas nas imagens não se conhece a causa real e verdadeira, mas somente o que aparece. Portanto, tal conhecimento é confuso porque é singular, pois diz respeito somente aquilo que afeta nosso corpo que depois a mente se esforça para representar e traduzir para conhecimento.
Enquanto que o conhecimento se refere à substância, ou, quando tal é comum a todas as coisas, são adequadas. Quando a mente percebe que, necessariamente, algo se atribui a todos os outros, é verdadeiro e, portanto, é adequado. Aquilo que é comum tanto para meu corpo quanto para os outros quanto para Deus, é verdadeiro e adequado.
Portanto, as ideias das noções comuns, e não somente aquelas ideias que representamos pelo constrangimento do nosso corpo, é adequado. Umas vez que nossa natureza resulta de dois modos infintos de dois atrubutos da substância – a extensão e o pensamento -, a mente, assim, é intimamente ligada ao corpo porque têm consciência de sua existência e consciência da existência do corpo, na medida em que o corpo é afetado pelos corpos exteriores; o conhecimento que a mente representa a partir das imagens, ou das afecções, é inadequado por ser fragmentado e singular. Necessariamente a ideia adequada sempre se referirá tanto para as noções comuns quanto para Deus. A Razão perceba além do conhecimento imaginativo, percebe as coisas como elas são, como necessárias.
Este conhecimento é útil para aprendemos a direcionar nosso conhecimento voltado na direção de Deus, ou das noções comuns; nos ensina a nos direcionarmos perante aquelas coisas que não dependem de nosso poder, na medida em que devemos adequar a Razão a não considerar àquelas coisas singulares; é útil para a vida social, pois ensina que certos sentimentos que nos constrangem, como o ódio, podem ser evitados, pois são apenas afecções.




marina disse
Olá.
Gostaria de saber a diferença entre a idéia adequada e a idéia verdadeira.
Att,
Marina Sestito.
danbaseggio disse
Olá Marina, levando em conta o que Espinosa quer dizer com ideia adequada, em meu ponto de vista, a ideia adequada se dá quando o sujeito passa a ser ativo das afecções. Pelo uso da Razão, o sujeito passa saber o que o seu corpo deseja, torna-se ativo e tem apenas ideias adequadas daquilo que seu conatus deseja para aumentar-se.
A partir daí, creio eu, o sujeito tem ideias verdadeiras, pois, quando ele é totalmente passivo às afecções não obtem veracidade em nada, apenas confusão devido ao constrangimento das afecções.
Quando o sujeito é causa adequada, tem a ideia verdadeira daquilo que seu conatus necessita para se aumentar.
Não vejo tanta distinção entre ambas.
Espero que respondi
Abs