Pensamentos em Palavras

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Dia de Finados

Publicado por Myrna Singer em 02/11/2009

Morte

Corrompi o espírito vendo o outono,
Dos ossos e sonhos vendidos e puros.
Suguei o tutano, e os restos impuros,
Cuspi para os mortos, servos do sono.

Calcando o infinito, o vasto carbono,
Viso outros tantos olhares tão duros,
Densos, amargos, cercados por muros,
Risos traídos pelo arguto abandono.

Deitam os vivos também de fraqueza,
No ventre da terra, miasma e aquarela.
Na muda agressão da mestra certeza.

E meu triste olhar tornou-se a janela,
De fora pra dentro atendo a tristeza,
De dentro pra fora chorando a mazela.

Myrna RRP


3 Respostas para “Dia de Finados”

  1. Paulo Henrique disse

    tudo muito lindo, até chamei a namorada para ler.

  2. the wretched disse

    Muito bom! Adorei o sentido pungente e a dor inflada a cada morte dada. Tem um quê carbônico de Augusto dos Anjos. Conheces? Acredito que sim. Se não conheces deves conhecer.

    Parabéns Myrna.
    Belamente triste. Adoro isso.

    • Myrna disse

      Obrigada Paulo!

      Ae The Wretched
      Falando de Augusto dos Anjos…diria que é um “quê”…daqueles bem pequeninos rsrssrsrsrs.

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