O erro na Metafísica de Descartes
Publicado por Daniel Baseggio em 14/01/2010
Descartes introduz a definição das duas faculdades do juízo – a vontade e o entendimento – na Quarta Meditação, onde também é encontrado a problemática do erro de juízo.
De frente com o problema, Descartes visa inocentar Deus do erro afirmando que Nele não poderia haver nenhum engano ou querer enganar; querer enganar simboliza sinal de imperfeição, não poderia conter em Deus, pois Ele é perfeito.
Entretanto, como explicar o erro? Como poderia Deus deixar que o erro existisse?
Acerca do erro, podemos caracterizá-lo como um mal; Descartes fala a respeito de dois tipos de males: o mal de negação e o mal de privação.
O mal de negação têm por característica a falta de algo proveniente a alguma natureza, ou seja, a falta de asas em peixes, ou a falta de nadadeiras em humanos. Ainda não poderíamos culpar a Deus por esse mal, pois Ele em sua inteira perfeição criou cada coisa da melhor maneira possível; podemos inocentá-lo porque desconhecemos os fins de Deus, se ele criou o homem sem nadadeiras é por algum motivo que nós desconhecemos.
O outro tipo de mal citado por Descartes é o de privação, este último consiste na falta de algum conhecimento que o indivíduo deveria ter; é de inteira responsabilidade do homem, pois dele implica no erro de juízo.
Este erro consiste numa falha humana no uso de suas faculdades do juízo – a vontade e o entendimento. Também essas faculdade concebidas por Deus não são de modo algum imperfeitas; estando toda a imperfeição no uso indevido do homem.
A vontade marca nossa semelhança com o criador, porque é de extensão infinita; marca nossa liberdade de ação, nosso livre arbítrio. O entendimento, por sua vez, é de extensão menor do que a vontade, é a faculdade concebedora das ideias claras e distintas. Ideias estas que correspondem com a realidade e com a inteira indubitabilidade.
Tanto a vontade quanto o entendimento são faculdades perfeitas; a vontade é assim porque consiste em nossa liberdade; o entedimento é perfeito porque concebe apenas o que é perfeito, mesmo sendo de extensão menor que a vontade não denota imperfeição, pois não há motivos para uma criatura finita ter um entendimento mais amplo. Nosso entendimento é o suficiente para discernirmos o bem do mal.
Então, visto que o erro é de responsabilidade do homem devido ao mau uso de suas faculdades, de não adequar a vontade nos limites do entendimento, como remediar esse mal de privação? Qual seria o método cartesiano para eviatarmos o erro?
O movimento cartesiano visa que utilizemos perfeitamente as faculdades do juízo, mantendo a vontade nos limites do entendimento. Essa regra chamo de prudência, que consite em não deliberar sob aquilo que aparentemente é duvidoso, ou que o entendimento não conceba como verdadeiro.
Portanto, usando prudentemente nossas faculdade evitamos o erro; sendo que as faculdades são perfeitas em sua natureza, imperfeito é nosso uso e deste provém o erro que é de nossa responsabilidade.
Bibliografia: Descartes, René. Meditações Metafísicas, Os Pensadores, editora Abril Cultural, 1996.
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Descartes tinha razão « nous disse
[...] Descartes tinha razão 16 01 2010 « Entretanto, como explicar o erro? Como poderia Deus deixar que o erro existisse? » [...]
Daniel Baseggio disse
Muito bacana seu blog!
Parabéns