Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

Arquivo por Autor

Dica de Filme: “O cheiro do ralo”

Publicado por Daniel Baseggio em 14/12/2009

 Um filme Nonsense, com humor negro do começo ao fim; aqueles que gostaram têm uma interpretação particular deste; para os que não gostaram, faltou uma interpretação do que é “O cheiro do ralo”; e, para os que não conhecem, precisam ver se gostam do “Cheiro do Ralo”

Publicado em Filmes, Nonsense | Tagged: | Leave a Comment »

Man in the Box – Alice in Chains

Publicado por Daniel Baseggio em 14/12/2009

Para chutar o balde mesmo!
…essa é dedicada pra Myrna!

Publicado em Música | Tagged: , | Leave a Comment »

Para aquilo que foi feito

Publicado por Daniel Baseggio em 08/12/2009

O que há de novo;
no que pra mim parece um jogo.
Seu desdém chega perto;
sua falta de desejo não me convém.

Me diga onde peco,
onde as injúrias que penso, que falo, que sinto.
As palavras sem eco,
refletem que não minto.

Hoje eu queria te abraçar,
dizer ferozmente “te quero”;
Mas, contudo, ainda poderei calar;
aquilo que jaz de pranto quando te espero.

É, quem disse que tal seria fácil,
nesse jogo de amar e ser amado
Minha flor não me diz ser hábil;
no entanto, amor, ainda estou calado.

…Somente um devaneio para calar-me, somente uma razão para esfriar as emoções, como poderei ser um homem da Razão com um ser poético dentro? Mas, não muda o fato. A poesia tem o nome daquilo para quem foi feita; consigo vêm toda e qualquer pureza. A poesia exprime, no mais singelo íntimo, a beleza e emoção.

Publicado em Outros Pensamentos, Poesias | Tagged: , | 1 Comentário »

Crítica da Midgley à Natureza humana e a distinção entre homens e animais em Descartes

Publicado por Daniel Baseggio em 02/12/2009

 

Ao conceber a natureza do homem como pensante, Descartes, conhecido pela célebre frase “penso, logo existo”, nos remete a uma distinção entre homens e animais. Na pressuposição de uma distinção substancial entre homem e animal a Razão é aquilo que se encontra em tal diferença. Midgley derruba tal afirmação colocando em xeque o racionalismo e acaba com o patamar de desigualdade entre homens e animais; entra nesse contexto afirmando que não há uma natureza humana diferente da animal; ela critica essa posição especísta adotada pelos filósofos passados afirmando a importância da etologia para entendermos mais nossas ações e comportamentos.
  Tal tema na atualidade não se mostra tamanhamente pertinente, pois ultimamente têm-se comparado alguns dentre vários hábitos de animais não-humanos e humanos. Sem dúvida, Midgley foi uma grande colaboradora na Filosofia Moral e apontar sua crítica à distinção hierárquica entre homens e animais implica num melhor entendimento da imporância etológica. Desse modo, devemos explicitar o quão é especísta a afirmação cartesiana.
  Descartes, filósofo do século XVII, tinha uma concepção de homem fundamentada pelo fator racional. Sua implicância com a racionalidade hierarquizava o homem e os animais não-humanos. Para ele, a natureza humana é pensante e tal atributo que é constuitente da alma humana; é o pensamento que nos diferencia dos animais, pois o corpo humano não é uma máquina, mas sim uma união do corpo físico com uma alma sensitiva. Os animais, para Descartes, pelo fato de não serem racionais, possuem apenas o corpo físico, no qual Descartes intitula que são apenas máquinas.

Pois, examinando as funções que, em virtude disso, podiam estar nesse corpo, encontrava exatamente todas as que podiam estar em nós sem que pensemos, nem por conseguinte que a nossa alma, ou seja, essa parte distinta do corpo cuja natureza, como já foi dito mais acima, é apenas a de pensar, para tal contribua, e que são todas as mesmas, o que permite dizer que os animais sem razão que, sendo dependentes do pensamento, são as únicas que  nos pertencem enquanto homens, ao passo que achava que todas em seguida, ao supor que Deus criara uma alma racional e que a juntara a esse corpo de uma certa maneira que descrevia.
(Descartes, IV, P.55.)

  Em Descartes a natureza humana é pensante; a afirmação “penso logo existo”  é derivada de uma auto afirmação que o sujeito faz depois de uma reflexão acerca de si mesmo. O animal não-humano possui as mesmas características fisiológicas que o humano, exceto o fator racional; para Descartes o fato dos animais não possuirem a consciência de si feita pela reflexão, ou seja, do fato de não possuírem o pensamento, nem a comunicação necessária para expressar seus desejos e suas aflições, são apenas máquinas que agem de acordo com suas necessidades biológicas.

Ora, por esses dois meios, pode-se também conhecer a diferença entre homens e animais. Pois é uma coisa bem notável que não haja homens tão embrutecidos e tão estúpidos, sem excetuar mesmo os insanos, que não sejam capazes de arranjar em conjunto diversas palavras, e de compô-las num discurso pelo qual façam entender seus pensamentos; e que, ao contrário, não exista outro animal, por mais perfeito e felizmente engendrado que possa ser que faça o mesmo.
(Descartes, IV, p.61).

  O racionalista francês não nega que os animais não possuam seus meio de se comunicarem entre si; mas, na verdade, os animais não-humanos não conseguem colocar em ordem seus pensamentos, não possuem meios para expressar suas vontades. Como Descartes afirma: “E isso não testemunha apenas que os animais possuem menos razão que o homem, mas que não possuem nenhuma razão” (idem.). Então, para ele, os animais não-humanos são tratados como se fossem apenas máquinas compostas pelo corpo físico; enquanto o homem é topo de sua hierarquia, sendo composto pela união de uma alma – racional – com um corpo físico.
  Assim como muitos filósofos, Midgley criticou tal posição especísta que Descartes nos apresentou. Ela afirmou que a razão existe para a conservação do homem, assim como os chifres e as mandíbulas dos grandes felinos.

O homem, antes dos seus dias de uso de ferramentas, estava pobremente armado. Sem garras, bicos ou chifres, ele deve ter achado o assassinato uma tarefa entediante e exaustiva, e inibições embutidas contra este não foram necessárias para a sobrevivência. No momento em que ele inventou as armas, era muito tarde para alterar sua natureza. Ele se tornou uma besta perigosa.
(Midgley, II.)

  Desse modo, como afirma Midgley, o homem cria meios para se adequar e sobreviver ao meio; as armas, por exemplo, foram por ele criadas transformando-o no animal mais temido. Ora, na verdade tornou-o animal mais violento. A racionalidade que até então colocava o homem em um patamar hierárquico mais elevado não passa de um construto, assim como as armas; os animais não-humanos não necessitam disso para se adequar e se conservar no meio. A partir daí, a agressividade faz parte da natureza humana, e a racionalidade não coloca o homem num patamar acima dos animais não-humanos.

(…) a natureza e a cultura não são de todo opostas. Somos animais construidores de cultura naturalmente. Mas o que constuímos em nossas culturas deve satisfazer nosso padrão natural de motivações.
(idem.)

  Alem disso, Midgley deixa explícito que nossa diferença dos animais é, tão-somente, o fato de criarmos uma cultura para satisfazer nossa conservação, ou, ainda mais, para justificar nossas motivações, ou seja, nossos motivos, nossas razões para determinadas ações. A etologia, então, se torna de inteira importância, uma vez que não há hierarquia imposta pela racionalidade. O comportamento humano se difere dos animais não-humanos, o lobo nunca atacaria outro lobo até a morte; o homem, por sua vez, não hesita em puxar um gatilho para algum semelhante.
  Uma vez que os animais têm tantos meios de se adequar ao meio, não necessitam criar uma cultura, possuem uma natureza diferente da dos humanos; em nenhum aspecto são agressivos, atacam somente quando ameaçados ou quando vão defender seus semelhantes. A hierarquia cartesiana veio abaixo, pois os animais não são meras máquinas biológicas, seus hábitos podem ser facilmente percebidos por outro animal. A racionalidade não é mais um fator de engrandecimento do homem, quando delimitamos que a agressividade é parte da natureza humana, podemos até nos colocar como inferiores aos animais, pois, que tipo de animail que se auto denomina racional mata por prazer? Que animais seria mais violento do que o próprio homem?
  Midgley tem razão quando afirma que “comparações com elas (outras  espécies) têm sempre sido cruciais  para a nossa visão de nós mesmos” (Midgley, I.). Comparações com animais não-humanos sempre nos ajudarão a nos entendermos, uma vez que nossa racionalidade nunca nos engrandeceu; mas, muito pelo contrário, se sermos racionais nos trouxe até onde estamos – os únicos animais capazes de guerrear -, devemos reverter o especísmo que até agora utilizamos.
  Portanto, os animais não são máquinas irracionais, como queria afirmar Descartes, mas são um exemplo de que comparar seus comportamentos e hábitos poderiam nos fazer constituir uma cultura mais sólida, no sentido de sem agressividade. E, além disso, nos fariam dar o devido respeito a eles. Não somos mais evoluídos do que eles, precisamos deles para nos compreendermos mais adequadamente.

Por: Daniel T. Baseggio

Bibliografia: Descartes, R. Discurso sobre o Método. Trad.: J. Guinsburg e Bento Prado Junio, São Paulo, Editora Abril Cultural. Os Pensadores, 1979
                               Midgley, M. Beast and Man. Trad.: Regina A. Rebollo e J.H. Barone, EUA, Routledge, 2002.

 

Publicado em Escritos, Livros recomendados, Outros Pensamentos | Tagged: , , , | Leave a Comment »

Viver

Publicado por Daniel Baseggio em 26/11/2009

…Viver é, o que você quer que seja!

…ser feliz é estar.

 

(Vê se dá pra ficar bravo com um sujeito desse? Parece que está sempre sorrindo).

Publicado em Outros Pensamentos | Tagged: , | 3 Comentários »

Jethro Tull – Aqualung

Publicado por Daniel Baseggio em 25/11/2009

…Uma pausa queridos amigos, revejam o dia!!!!!!!!!

Publicado em Música, Nonsense | Tagged: , | Leave a Comment »

Esperança e Amor em Tomás de Aquino

Publicado por Daniel Baseggio em 24/11/2009

 Tomás de Aquino apresenta a relação entre o amor e a esperança, onde sua síntese se encontra no desespero. Tal amor nos aproxima da pelnitude, ou seja, de Deus.

 Em um único ser encontram-se vários demônios denominados como uma multidão, um múltipo. Esses demônios correspondem à bondade e maldade; com esse múltiplo num único sujeito há um conflito dentro dele mesmo, acontece devido às diferentes polaridades agindo no interior do sujeito. Somente no encontro com o efetivo, com Deus, há a superação do conflito.
 A relação de amor do sujeito com o efetivo faz com que expulsemos esse múltiplo de nós. Tomás articula a relação entre esperança e amor:

  O amor precede a esperança, uma vez que esperamos algo bom de quem amamos. Mas a esperança também precede o amor, uma vez que esperamos amar o que virá.
  (Suma, Q, 40).

 No primeiro caso, o amor já é efetivo, espera-se apenas o que pode advir daquilo que é amado; no segundo, pelo contrário, quando não temos o objeto amado, mas somente esperamos para efetivar o amor. Esse amor que não acha-se o que se está esperando nos remete ao desespero, a partir dele há a esperança e o amor.
 O amor trata-se de algo “cego”, pois abre-se uma perspectiva para o geral, gosta-se de tudo mesmo antes de se efetivar. O desespero não se trata de um amor sem esperança, mas sim de uma conciliação entre os dois; mesmo havendo esperança – quando se espera por algo – trata-se de uma esperança em aberto, sem a perspectiva do anseio que a esperança própriamente dita nos traz.
 Aquele que ama desespera-se, pois aquele que encontra o efetivo e pleno se livra de seus demônios, esvazia-se em desespero – quando não se espera por nada. Com este desespero indica-se a expuragação dos múltiplos; o que dá sentido àquela relação com o divino é a relação de amor efetivo.
 Mas, há aqueles que temem o amor devido ao desamor, pois na medida em que a relação desesperada abre uma perspectiva para o desconhecido, e, justamente por ser desconhecido teme-se uma não retribuição. O temor implica no ódio. Para aquele que sente ódio não encontra o desespero, e, logo não há amor nem efetivação da plenitude.
 O ódio afasta o sujeito do Uno, volta o sujeito para a pespectiva da múltidão, dos demônios. A negação do Uno remete o sujeito aos demônios via ódio.
 O ato faz com que superemos as espectativas, faz com que efetivemos as ações no presente; apenas a esperança faz com que fiquemos anseiando o futuro. O ato do amor é um particular do universal; o particular pode se tornar melhor quando consideramos a totalidade como perfeito, ou seja, somente por considerar a parte reconheceriamos imperfeição, mas, visto que as obras de Deus são expressadas pela sua existência, e nunca compreenderíamos inteiramente, reconhecer a totalidade da obra é conhecer a essência de Deus, e, portanto, é vislumbrar sua perfeição.
 Quando o ato já se efetiva denota a perfeição; mantendo vínculo com a essência mantêm-se vínculo com o universal; o sujeito afasta-se do múltiplo reconhecendo o efetivo, encontra por meio do amor desesperado a  efetividade do Ser.

Publicado em Filosofia, Livros recomendados | Tagged: , , , | 2 Comentários »

Prova da existência de Deus em Tomás de Aquino

Publicado por Daniel Baseggio em 23/11/2009

 

A grande diferença entre a filosofia de Agostinho e a de Tomás está explícita na prova da existência de Deus. Em Agostinho é possível e desnecessário, enquanto para Tomás a prova da existência é possível e necessária.

 Na relação entre potência (DYNAMIS) e ato (ENERGÉIA) – essência (ESSENTIA) e existência (ESSE) – há uma relação entre a divindade e suas obras; entre a origem e o fim; entre a causa e o efeito. Conhecendo a obra podemos conhecer o criador, este conhecimento da relação se manifesta no efeito da causa invisível.
 Desse modo, podemos através da obra ter algum conhecimento do criador; a partir das coisas que exprimem sua ESSE podemos conhecer sua ESSENTIA. No entanto, mesmo o conhecimento da obra não traz o conhecimento completo de criador, há sempre o conhecimento aberto em novas perspectivas, em novas obras de algo que não conheço plenamente. Mantendo o laço de amor – desesperado (no sentido próprio da palavra) – com aquele que não conheço plenamente, trazemos a tona a perspectiva da confiança efetivada em um contínuo diálogo com o desconhecido.
 Segundo Agostinho, o conhecimento que temos de Deus também se dá a partir da confiança e do amor. Para conhecer a Deus necessitamos da experiência mística. A ascenção da experiência pode ser dada pelo perdão.
 Tal movimento de ascensão mística se dá, primeiramente, do exterior para o interior do sujeito, e, dele implicando para o superior. Essa experiência se passa pela renúncia de si, a união com o divino promove essa renúncia. Em Agostinho o conhecimento da ESSE de Deus necessita da verdade, da fé e do amor; não se trata somente da Razão, mas necessita do conhecimento da relaçãoe  da passagem do múltiplo. A partir desse múltiplo, em um movimento de auto compreensão, na saída da perspectiva particular para o universal, o sujeito se reconhece como parte do Uno reconfigurando seu ser. Uma vez passado pelo movimento místico não se necessita mais da prova da existência de Deus, em Agostinho essa prova se torna desnecessária.
 No entanto, em Tomás, a prova da existência de Deus é necessária mesmo não sendo totalmente evidente para o homem. Se o sujeito fosse agir somente sob estado de ascensão, a ESSE de Deus não seria comprovada e manifesta para aquele que não encontrou esse estado místico. Desse modo, podendo as obras serem conhecidas pelo sujeito, mesmo sem ascensão mística,  pode-se abrir a perspectiva para conhecer a ESSE de Deus.
 A evidência das obras idica  aquilo que advém do criador invisível; por conseguinte, pela evidência podemos obter o conhecimento da obra para, posteriormente, introduzir a fé e o amor. Esse conhecimento sempre se mantêm em aberto, pois a ESSE de Deus não se esgota; tal perspectiva sempre implicará na abertura, no amor, assim como a perspectiva sempre se mantererá presente.
 Portanto, por conta disso, pelas evidências, pelas obras, tarna possível conhecer a ESSENTIA de Deus, pois na medida em que tais obras manifestam a ENERGÉIA de Deus, e o conhecimento da ESSENTIA advém do conhecimento da ESSE, quando obtemos a abertura constante da pespectiva de suas obras conhecemos a ESSE de Deus.

Publicado em Filosofia, Livros recomendados | Tagged: , | Leave a Comment »

Nietzsche – Tipo forte e Tipo fraco

Publicado por Daniel Baseggio em 30/10/2009

nietzsche 

Em Nietzsche, a linguagem nasce de nossa necessidade de se comunicar; a consciência representa a superfície de nossa reflexão na qual pensamos saber o que queremos comunicar. Desse modo, somente o que é comum, medíocre e grosseiro é expressa na perspectiva da consciência, pois remete o sujeito ao rebanho. Com isso há uma desvalorizaçãoda identidade, perde-se o que há de individual e particular levando a perspectiva do homem como espécie.
   Todo ato volitivo expressa o combate de forças diferenças. Há a oposição de dois tipos de Moral: a Moral dos Aristocráticos e a Moral dos Escravos; a avaliação de cada uma delas constroí sua questão do bem e do mal.
   A moral do Nobre, do aristocrático se resume no dizer sim que surge de uma auto afirmação; busca-se o oposto para dizer sim. É aquele que, centrado em si, visa a interioridade e não precisa do outro para afirmar valores comuns – belo e verdadeiro.
   A moral dos Escarvos, por sua vez, diz respeito de antemão o não; constituí uma negatividade originária. Na Genealogia da Moral, Nietzsche afirma que toda auto afirmação necessita de um estímulo exterior; as ações dos sujeitos a essa moral baseiam-se apenas em reações dos outros. Nos Escravos há uma  transvaloração de valores, ou seja,  há uma necessidade de dirigir-se para fora ao invés de voltar para si. Isto afirma o ressentimento.
   Por isso, a ação moral dos Escravos é sempre uma reação; para ele o bom é o contrário da Moral Nobre, não se afirma, é compassivo, humilde e nega a si mesmo; o mal, por sua vez, é a ação que ataca, que afirma orgulhosamente o próprio eu. A moral dos Escravos necessita de estímulo externo para ser criadora. Não representa atividade porque nele predomina a passividade; é aquele que guarda ressentimento, e, portanto é o tipo fraco.
   Há, assim, a distinção entre Senhores e Escravos, entre ação e reação, entre forte e fraco. O sujeito ressentido corresponde ao tipo fraco; o Escravo se apoia na vingança imaginária, esta que consiste na incapacidade de porduzir estímulo autêntico, é descarga espontânea; ele apenas reage pelo outro, age por descarga externa. Outra característica da Moral do Escravo – tipo fraco – é a necessidade de anestesiar uma experiência de sofrimento; o sujeito procura a causa de seu sofrimento, algum vivente no qual ele pode descarregar seus afetos. Há nele um bloqueio na descarga de afeto interior, ele não se liberta das experiências vividas, não afasta o sofrimento da consciência – esta que distingue a força da fraqueza.
   O ressentimento da elaboração é processo reativo que retoma o sofrimento; busca-se um culpado para descarregar a afecção. O ressentido volta-se para o outro e não afirma o sim para si mesmo.
   O tipo Aristocrático faz mensão ao tipo forte; por fazer exercício de sua capacidade de se efetivar, o sujeito se torna ativo e afirmativo e, por isso, é forte. Desse modo, está correto afirmarmos que os valores se criam como descarga espontânea de uma força. O tipo forte não precisa de algo que atue como estímulo externo. A partir da plenitude, ou excesso, de sua força, o tipo forte é criador; na explosão de sua efetividade a força valorativa cria a partir de si mesma.
   Nós todos podemos ter momentos fortes e momentos fracos; a diferença entre eles se determina na instabilidade entre dominação e sujeição. O homem moderno é um artifício, um monstro; é assim porque busca seu aperfeiçoamento da consciência, busca no outro em vez de voltar para si mesmo.
   Portanto, o tipo forte é aquele capaz de esquecer, não guarda ressentimento, se desvencilia das experiências negativas. Forte é aquele que assemelha mais sadiamente e esquece com mais facilidade. Com isso o ressentimento é imediatamente esgotado.

Publicado em Filosofia, Livros recomendados | Tagged: , , | 5 Comentários »

Velvet Underground – Heroin

Publicado por Daniel Baseggio em 28/10/2009

…Uma estagnante viagem pelo tempo e pela arte….

Heroína

Eu não sei exatamente onde estou indo
Mas vou tentar ir ao reino, se eu puder
Porque isto faz me sentir como um homem
Quando eu enfiar a agulha na minha veia
E direi a você que as coisas não são mais as mesmas
Quando estou apressado em minha corrida
E sinto como se fosse filho de Jesus
E acho que eu simplesmente não sei
E acho que eu simplesmente não sei

Eu fiz a grande escolha
Vou tentar destruir minha vida
Porque quando o sangue começar a jorrar
Quando isto passar pelo meu pescoço
Quando eu estiver chegando perto da morte

E vocês não podem me ajudar, não vocês, caras
Nem vocês doces meninas com suas doces conversas
Você todos podem ir catar coquinhos
E acho que eu simplesmente não sei
E acho que eu simplesmente não sei

Eu queria ter nascido há mil anos atrás
Queria ter navegado pelos mares mais escuros
Em um grande barco à vela
Indo desta terra aqui para aquela
Em uma roupa de marinheiro e chapéu

Longe da metrópole
Onde um homem não pode se livrar
De todo o mal da cidade
E dele proprio, e daqueles a sua volta
Ah, e acho que eu simplesmente não sei
Ah, e acho que eu simplesmente não sei

Heroína, seja a minha morte
Heroína é minha esposa e minha vida
Porque um caminho na minha veia
Leva ao centro do meu cérebro
E então estarei melhor e morto

Porque, quando o beijo começa a se espalhar
Eu realmente não me preocupo
Com todos os babacas desta cidade
Nem com todos os políticos fazendo sons malucos
Nem com todo mundo maltratando todo mundo
Nem com todos os corpos mortos empilhados em montes

Porque, quando o beijo começa a correr
Eu realmente não me preocupo com mais nada

Ah, quando a heroína está no meu sangue
E este sangue está na minha cabeça
Cara, graças a Deus estou bem e morto
E graças ao seu Deus eu nem sei disso
E graças a Deus eu simplesmente nem me importo
Ah, e acho que eu siplesmente não sei

Publicado em Música | Tagged: , | 4 Comentários »