Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

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Mais um aforismo

Publicado por Renato T em 29/01/2010

Os melhores poemas de amor, são aqueles que não precisam de letras, papeis e canetas para serem escritos; mas que, mesmo assim, duram a eternidade, vagando de boca em boca.

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Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Publicado por Renato T em 28/01/2010

Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados
das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema V”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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j’ris pas, j’pleure pas et j’dis rien

Publicado por Renato T em 21/01/2010

Vi isso aqui ontem, em uma revista francesa. São de Claude Lévêque.

Eu não rio;

Eu não choro;

Eu não digo nada.

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A imagem mais distante do universo.

Publicado por Renato T em 09/12/2009

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Gilby Clarke – Tijuana Jail

Publicado por Renato T em 07/12/2009

Música boa pra começar a semana

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Enjoy the Ride

Publicado por Renato T em 30/11/2009

 

Uma bela música…

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Vida e Morte

Publicado por Renato T em 15/11/2009

Só descobriras que estavas vivo quando tu estiveres deitado em teu leito de morte

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Diálogo com um moribundo.

Publicado por Renato T em 07/11/2009

Diálogo com um moribundo.

— Mais chá?
— Sim, por favor — respondeu o garoto.
— Senta um pouquinho, ficar em pé vai te cansar cedo ou tarde.
— É chá de quê? Ah… e sobre o que estávamos falando?
O velho sorri ligeiramente e engata:
— Não me lembro mais. Essa minha memória já não é mais a mesma. E também não faz diferença.
— Como não faz diferença? Era algo importante…
— E que diferença isso faz? Logo mais você também vai esquecer e acabará um velho moribundo, como eu, se lamuriando das coisas que ficou cavucando para encontrar e que descobriu não serem tudo que esperava. Não é melhor deixar as coisas correrem mais naturalmente ao invés de tentar modifíca-las o tempo todo?
— Ué, não acha que eu perderei muito mais se esperar que as coisas venham até mim ao invés de correr atrás delas?
O rapaz toma um gole de chá, se senta e se reencosta na poltrona bem acolchoada. Agora era como se a conversa tomasse ares mais leves, quando, na verdade, se mostrava cada vez mais e mais densa. Reparava na meia-luz que entrava pela janela e refletia na xícara de chá sobre a pequena mesa. Daonde olhava era engraçado ver as cores verdes do chá se espelhando sobre o mogno.
Conforme puxava a xícara para seu colo, viu o silêncio transparente que o velho senhor exaltava. Tomou fôlego e continuou:
— De que vale uma vida direcionada por rédeas guiadas por mãos invisíveis?
De subito os olhos do velho arregalaram-se, como se aquela verdade sagrada fosse incontestável, afinal, “como poderia ser diferente”?
— O senhor acha que está tudo escrito? Me diga: não poderia ser diferente se o senhor quisesse?

 

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Estrelas

Publicado por Renato T em 03/11/2009

Canis Major, Orion e Canis Minor

Gosto de estrelas: elas colocam-nos de volta nos nosso lugares.

Estão aí três estrelas, de três constelações visíveis agora no verão: Procyon (da constelação de Canis Minor), Betelgeuse (da constelação de Orion) e Sirius (da constelação de Canis Major). As três são as mais brilhantes da foto e formam uma pirâmide de ponta cabeça, com Sirius sendo a ponta de baixo, Procyon a da esquerda e Betelgeuse a alaranjada da direita.

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SONETO VII

Publicado por Renato T em 30/10/2009

SONETO VII

Ardor em firme coração nascido,
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado:
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando cristal em chama derretido:

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
mas aí, que andou Amor em ti prudente!

Pois, para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.

(Gregório de Matos)

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