
Tomás de Aquino apresenta a relação entre o amor e a esperança, onde sua síntese se encontra no desespero. Tal amor nos aproxima da pelnitude, ou seja, de Deus.
Em um único ser encontram-se vários demônios denominados como uma multidão, um múltipo. Esses demônios correspondem à bondade e maldade; com esse múltiplo num único sujeito há um conflito dentro dele mesmo, acontece devido às diferentes polaridades agindo no interior do sujeito. Somente no encontro com o efetivo, com Deus, há a superação do conflito.
A relação de amor do sujeito com o efetivo faz com que expulsemos esse múltiplo de nós. Tomás articula a relação entre esperança e amor:
O amor precede a esperança, uma vez que esperamos algo bom de quem amamos. Mas a esperança também precede o amor, uma vez que esperamos amar o que virá.
(Suma, Q, 40).
No primeiro caso, o amor já é efetivo, espera-se apenas o que pode advir daquilo que é amado; no segundo, pelo contrário, quando não temos o objeto amado, mas somente esperamos para efetivar o amor. Esse amor que não acha-se o que se está esperando nos remete ao desespero, a partir dele há a esperança e o amor.
O amor trata-se de algo “cego”, pois abre-se uma perspectiva para o geral, gosta-se de tudo mesmo antes de se efetivar. O desespero não se trata de um amor sem esperança, mas sim de uma conciliação entre os dois; mesmo havendo esperança – quando se espera por algo – trata-se de uma esperança em aberto, sem a perspectiva do anseio que a esperança própriamente dita nos traz.
Aquele que ama desespera-se, pois aquele que encontra o efetivo e pleno se livra de seus demônios, esvazia-se em desespero – quando não se espera por nada. Com este desespero indica-se a expuragação dos múltiplos; o que dá sentido àquela relação com o divino é a relação de amor efetivo.
Mas, há aqueles que temem o amor devido ao desamor, pois na medida em que a relação desesperada abre uma perspectiva para o desconhecido, e, justamente por ser desconhecido teme-se uma não retribuição. O temor implica no ódio. Para aquele que sente ódio não encontra o desespero, e, logo não há amor nem efetivação da plenitude.
O ódio afasta o sujeito do Uno, volta o sujeito para a pespectiva da múltidão, dos demônios. A negação do Uno remete o sujeito aos demônios via ódio.
O ato faz com que superemos as espectativas, faz com que efetivemos as ações no presente; apenas a esperança faz com que fiquemos anseiando o futuro. O ato do amor é um particular do universal; o particular pode se tornar melhor quando consideramos a totalidade como perfeito, ou seja, somente por considerar a parte reconheceriamos imperfeição, mas, visto que as obras de Deus são expressadas pela sua existência, e nunca compreenderíamos inteiramente, reconhecer a totalidade da obra é conhecer a essência de Deus, e, portanto, é vislumbrar sua perfeição.
Quando o ato já se efetiva denota a perfeição; mantendo vínculo com a essência mantêm-se vínculo com o universal; o sujeito afasta-se do múltiplo reconhecendo o efetivo, encontra por meio do amor desesperado a efetividade do Ser.



Nessa interpretação deixarei claro o tema da magnanimidade, que é causada pela caridade - pois nos retira da perspectiva particular nos fazendo reconhecer as diferenças existentes fora de nós – ,e o por que ela é fundamental para nos colocar no caminho (HODOS) do divino.