Pensamentos em Palavras

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A imagem mais distante do universo.

Publicado por Renato T em 09/12/2009

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Para aquilo que foi feito

Publicado por Daniel Baseggio em 08/12/2009

O que há de novo;
no que pra mim parece um jogo.
Seu desdém chega perto;
sua falta de desejo não me convém.

Me diga onde peco,
onde as injúrias que penso, que falo, que sinto.
As palavras sem eco,
refletem que não minto.

Hoje eu queria te abraçar,
dizer ferozmente “te quero”;
Mas, contudo, ainda poderei calar;
aquilo que jaz de pranto quando te espero.

É, quem disse que tal seria fácil,
nesse jogo de amar e ser amado
Minha flor não me diz ser hábil;
no entanto, amor, ainda estou calado.

…Somente um devaneio para calar-me, somente uma razão para esfriar as emoções, como poderei ser um homem da Razão com um ser poético dentro? Mas, não muda o fato. A poesia tem o nome daquilo para quem foi feita; consigo vêm toda e qualquer pureza. A poesia exprime, no mais singelo íntimo, a beleza e emoção.

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Crítica da Midgley à Natureza humana e a distinção entre homens e animais em Descartes

Publicado por Daniel Baseggio em 02/12/2009

 

Ao conceber a natureza do homem como pensante, Descartes, conhecido pela célebre frase “penso, logo existo”, nos remete a uma distinção entre homens e animais. Na pressuposição de uma distinção substancial entre homem e animal a Razão é aquilo que se encontra em tal diferença. Midgley derruba tal afirmação colocando em xeque o racionalismo e acaba com o patamar de desigualdade entre homens e animais; entra nesse contexto afirmando que não há uma natureza humana diferente da animal; ela critica essa posição especísta adotada pelos filósofos passados afirmando a importância da etologia para entendermos mais nossas ações e comportamentos.
  Tal tema na atualidade não se mostra tamanhamente pertinente, pois ultimamente têm-se comparado alguns dentre vários hábitos de animais não-humanos e humanos. Sem dúvida, Midgley foi uma grande colaboradora na Filosofia Moral e apontar sua crítica à distinção hierárquica entre homens e animais implica num melhor entendimento da imporância etológica. Desse modo, devemos explicitar o quão é especísta a afirmação cartesiana.
  Descartes, filósofo do século XVII, tinha uma concepção de homem fundamentada pelo fator racional. Sua implicância com a racionalidade hierarquizava o homem e os animais não-humanos. Para ele, a natureza humana é pensante e tal atributo que é constuitente da alma humana; é o pensamento que nos diferencia dos animais, pois o corpo humano não é uma máquina, mas sim uma união do corpo físico com uma alma sensitiva. Os animais, para Descartes, pelo fato de não serem racionais, possuem apenas o corpo físico, no qual Descartes intitula que são apenas máquinas.

Pois, examinando as funções que, em virtude disso, podiam estar nesse corpo, encontrava exatamente todas as que podiam estar em nós sem que pensemos, nem por conseguinte que a nossa alma, ou seja, essa parte distinta do corpo cuja natureza, como já foi dito mais acima, é apenas a de pensar, para tal contribua, e que são todas as mesmas, o que permite dizer que os animais sem razão que, sendo dependentes do pensamento, são as únicas que  nos pertencem enquanto homens, ao passo que achava que todas em seguida, ao supor que Deus criara uma alma racional e que a juntara a esse corpo de uma certa maneira que descrevia.
(Descartes, IV, P.55.)

  Em Descartes a natureza humana é pensante; a afirmação “penso logo existo”  é derivada de uma auto afirmação que o sujeito faz depois de uma reflexão acerca de si mesmo. O animal não-humano possui as mesmas características fisiológicas que o humano, exceto o fator racional; para Descartes o fato dos animais não possuirem a consciência de si feita pela reflexão, ou seja, do fato de não possuírem o pensamento, nem a comunicação necessária para expressar seus desejos e suas aflições, são apenas máquinas que agem de acordo com suas necessidades biológicas.

Ora, por esses dois meios, pode-se também conhecer a diferença entre homens e animais. Pois é uma coisa bem notável que não haja homens tão embrutecidos e tão estúpidos, sem excetuar mesmo os insanos, que não sejam capazes de arranjar em conjunto diversas palavras, e de compô-las num discurso pelo qual façam entender seus pensamentos; e que, ao contrário, não exista outro animal, por mais perfeito e felizmente engendrado que possa ser que faça o mesmo.
(Descartes, IV, p.61).

  O racionalista francês não nega que os animais não possuam seus meio de se comunicarem entre si; mas, na verdade, os animais não-humanos não conseguem colocar em ordem seus pensamentos, não possuem meios para expressar suas vontades. Como Descartes afirma: “E isso não testemunha apenas que os animais possuem menos razão que o homem, mas que não possuem nenhuma razão” (idem.). Então, para ele, os animais não-humanos são tratados como se fossem apenas máquinas compostas pelo corpo físico; enquanto o homem é topo de sua hierarquia, sendo composto pela união de uma alma – racional – com um corpo físico.
  Assim como muitos filósofos, Midgley criticou tal posição especísta que Descartes nos apresentou. Ela afirmou que a razão existe para a conservação do homem, assim como os chifres e as mandíbulas dos grandes felinos.

O homem, antes dos seus dias de uso de ferramentas, estava pobremente armado. Sem garras, bicos ou chifres, ele deve ter achado o assassinato uma tarefa entediante e exaustiva, e inibições embutidas contra este não foram necessárias para a sobrevivência. No momento em que ele inventou as armas, era muito tarde para alterar sua natureza. Ele se tornou uma besta perigosa.
(Midgley, II.)

  Desse modo, como afirma Midgley, o homem cria meios para se adequar e sobreviver ao meio; as armas, por exemplo, foram por ele criadas transformando-o no animal mais temido. Ora, na verdade tornou-o animal mais violento. A racionalidade que até então colocava o homem em um patamar hierárquico mais elevado não passa de um construto, assim como as armas; os animais não-humanos não necessitam disso para se adequar e se conservar no meio. A partir daí, a agressividade faz parte da natureza humana, e a racionalidade não coloca o homem num patamar acima dos animais não-humanos.

(…) a natureza e a cultura não são de todo opostas. Somos animais construidores de cultura naturalmente. Mas o que constuímos em nossas culturas deve satisfazer nosso padrão natural de motivações.
(idem.)

  Alem disso, Midgley deixa explícito que nossa diferença dos animais é, tão-somente, o fato de criarmos uma cultura para satisfazer nossa conservação, ou, ainda mais, para justificar nossas motivações, ou seja, nossos motivos, nossas razões para determinadas ações. A etologia, então, se torna de inteira importância, uma vez que não há hierarquia imposta pela racionalidade. O comportamento humano se difere dos animais não-humanos, o lobo nunca atacaria outro lobo até a morte; o homem, por sua vez, não hesita em puxar um gatilho para algum semelhante.
  Uma vez que os animais têm tantos meios de se adequar ao meio, não necessitam criar uma cultura, possuem uma natureza diferente da dos humanos; em nenhum aspecto são agressivos, atacam somente quando ameaçados ou quando vão defender seus semelhantes. A hierarquia cartesiana veio abaixo, pois os animais não são meras máquinas biológicas, seus hábitos podem ser facilmente percebidos por outro animal. A racionalidade não é mais um fator de engrandecimento do homem, quando delimitamos que a agressividade é parte da natureza humana, podemos até nos colocar como inferiores aos animais, pois, que tipo de animail que se auto denomina racional mata por prazer? Que animais seria mais violento do que o próprio homem?
  Midgley tem razão quando afirma que “comparações com elas (outras  espécies) têm sempre sido cruciais  para a nossa visão de nós mesmos” (Midgley, I.). Comparações com animais não-humanos sempre nos ajudarão a nos entendermos, uma vez que nossa racionalidade nunca nos engrandeceu; mas, muito pelo contrário, se sermos racionais nos trouxe até onde estamos – os únicos animais capazes de guerrear -, devemos reverter o especísmo que até agora utilizamos.
  Portanto, os animais não são máquinas irracionais, como queria afirmar Descartes, mas são um exemplo de que comparar seus comportamentos e hábitos poderiam nos fazer constituir uma cultura mais sólida, no sentido de sem agressividade. E, além disso, nos fariam dar o devido respeito a eles. Não somos mais evoluídos do que eles, precisamos deles para nos compreendermos mais adequadamente.

Por: Daniel T. Baseggio

Bibliografia: Descartes, R. Discurso sobre o Método. Trad.: J. Guinsburg e Bento Prado Junio, São Paulo, Editora Abril Cultural. Os Pensadores, 1979
                               Midgley, M. Beast and Man. Trad.: Regina A. Rebollo e J.H. Barone, EUA, Routledge, 2002.

 

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Os Insetos Interiores

Publicado por Rafa de Souza em 01/12/2009

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega se de “mais tralos’.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, “infértebrados”.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se

A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro…caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

Fernando Anitelli

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Viver

Publicado por Daniel Baseggio em 26/11/2009

…Viver é, o que você quer que seja!

…ser feliz é estar.

 

(Vê se dá pra ficar bravo com um sujeito desse? Parece que está sempre sorrindo).

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Vida e Morte

Publicado por Renato T em 15/11/2009

Só descobriras que estavas vivo quando tu estiveres deitado em teu leito de morte

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Frieza Orgânica

Publicado por Myrna Singer em 14/11/2009

Há algo de absurdo em tudo isto, de fato, há algo que não nos faz submergir da réstia de seres que somos.

Quando pensamos em nós mesmos, somos o pensamento em forma egocêntrica, achamos sempre que estamos para o mundo, e nunca que o mundo está para nós. A visão que é prova cabal de nossa centralização em nós mesmos.

Esquecemos que somos orgânicos, que somos o inicio, o meio e o fim, pensamos que seremos imortais por nossas ações, por nossos amigos, por tudo aquilo que nos faz sermos o que somos.

A verdade é que o fim vem para todos, e pensamos que apenas nisto é que estamos seguros de nossa igualdade, mesmo não desejando nunca que aconteça. E neste ímpeto de diferenciar-se criamos a fantasia de nosso próprio velório, repleto de pessoas…de nosso enterro, repleto de angustia…de nossa própria campa, repleta de flores.

Hipocrisia…o velório será como tantos outros, o enterro com tanta terra quanto tantos outros e a campa, ornada apenas duas ou três vezes por ano…como tantas outras.

Mal sabemos que somos um instante no universo.

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Identidade

Publicado por Myrna Singer em 02/11/2009

Eye
Este verso abstrato que carrego no peito,
Cansado sem leito, frio, divinal.
É da alma alimento, do corpo o manto,
É um lúdico canto na luz do umbral.

Só assim eu encubro de forma rasteira,
Minha alma faceira e meu riso flamante.
Dou forma ao medo ao sonho e a loucura,
Ao mal que perdura e me faz sitiante.

Desnudo das chagas a fome tétrica.
Em oração métrica a vida me acena:
Para calar dos sepulcros o longe ruído,
Para secar o fluido que na alma envenena!

Myrna R R P

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Dia de Finados

Publicado por Myrna Singer em 02/11/2009

Morte

Corrompi o espírito vendo o outono,
Dos ossos e sonhos vendidos e puros.
Suguei o tutano, e os restos impuros,
Cuspi para os mortos, servos do sono.

Calcando o infinito, o vasto carbono,
Viso outros tantos olhares tão duros,
Densos, amargos, cercados por muros,
Risos traídos pelo arguto abandono.

Deitam os vivos também de fraqueza,
No ventre da terra, miasma e aquarela.
Na muda agressão da mestra certeza.

E meu triste olhar tornou-se a janela,
De fora pra dentro atendo a tristeza,
De dentro pra fora chorando a mazela.

Myrna RRP

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A Graça em Agostinho

Publicado por Daniel Baseggio em 27/10/2009

graça   
   Visto que o mal é condicionado pelo próprio livre arbítrio do homem, implica num caminho (HODÓS) diferente daquele que traz a semelhança com o bem; portanto, o  homem é a causa do próprio mal e corre o risco de perder a necessidade da graça.
  O perdão e a graça estão na própria natureza (PHÍSIS) do homem, basta retomar o curso do livre arbítrio para o homem voltar ao HODÓS do bem.
  Agostinho afirma que a condição humana é mutável, enquanto a PHÍSIS é imutável. A condição varia conforme variadas condições, o homem de hoje sabe o que é o bem e muitas vezes não o faz; para fazer o bem é necessário a graça.
  No argumento do Pelágio, retoma-se a questão da salveção se dar unicamente por um único sujeito – o sujeito da ação. Desse modo, o amor pela salvação torna-se uma busca egoísta, a convicção de seguir o bem sem a participação do próximo coloca em xeque todos os aspectos sociais do homem.
   Em Agostinho, o amor em si é o amor ao próximo, que é o amor em Deus. A perspectiva de desunião imposta pelo medo de  perder aquilo que se deseja pode ser evitada na medida em que aquilo q se deseja corresponda com a carne e com a alma, ou seja, não há querer frustrado quando o desejo se torna efêmero de carne e da alma. A fuga do conflito é fazer com que o corpo, que antes era pura particulariadade, se una com outras partes.
   Quando o sujeito se compreende na pluralidade, a divisão entre alma e corpo deixa de existir. Pelo amor, ao representarmos nossa carne, iremos nos tornar uno, pois quando a alma deseja o bem aprende a representar a coletividade, assim, o corpo vai se representar como parte de um corpo maior. A graça auxilia nessa transformação da particularidade para a parte de um todo, a partir da relação amorosa.
   A partir da relação, dá-se a correção;  a partir da graça surge o amor, que é o mais belo. Para ser agraciado o sujeito não deve fazer algo visando um retorno, mas, no próprio elemento da graça há algo que é misterioso no homem e o faz com que a busque. A graça se dá pelos bons atos, depois que há a perspectiva de união começasse as obras do amor, daí se é agraciado, pois somente depois que o amor existe começa a aparecer suas obras.
   Daí segue-se o novo homem, a parte do todo; na manutenção de sua totalidade, seu amor é consumado por todos. Quando há a renúncia da particularidade há a graça; quando pensa-se como corpo maior, há a defesa desta graça, deste amor. Para que haja a renúncia desse sujeito particular, o amor deve justificar tal renúncia. Amplia-se a perspectiva de defesa da existência para o coletivo. A graça surge como um amor do sujeito para com ele mesmo implicando no amor do sujeito para com o todo, um amor unificado.
   Ouve-se o chamado da graça quando se saí da particularidade da procura, pois, enquanto há o anseio pela graça que o sujeito almeja alcançar, essa procura fecha-o na particularidade.
   Portanto, a graça está na saída da particularidade, no reconhecimento do amor pelo próximo, representando a possibilidade do amor nos outros, e depois em Deus. Durante a relação de totalidade, a graça se mantêm, não se perde; pois deseja-se unificando corpo e alma, pensa-se no coletivo, transferindo a perspectiva de amor para a totalidade.

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