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Noites na Taverna I – Solfieri

Posted by Rafa de Souza em 16/06/2009

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Ontem, após um trabalho sobre ética e uma prova sobre política, resolvi continuar com a leitura de Noites na Taverna, de Álvares de Azevedo e comecei o Capítulo II, intitulado “Solfieri”.

Vagando pela cidade de Roma, cujo a personagem descreve como “a cidade do fanatismo e da perdição”, Solfieri avista em uma janela uma jovem que chorava e esta prende sua atenção. Momentos depois a jovem sai de casa e vai para um cemitério onde Solfieri adormece, embriagado,  enquanto observava a jovem chorando em frente à uma lápide,  e quando acordar já não mais vê a moça. a partir desse momento, criar-se-á uma narração onde o sagrado e o profano se misturam, onde o odioso se mistura com o bom, e onde o horrendo se mescla com o belo.

Hverá de encontrá-la um ano depois, em uma igreja, que adentra enquanto voltava de uma orgia. Solfieri entra na igreja (que havia sido esquecida aberta pelo coveiro que dormia em um canto, bêbado.) e lá encontra um caixão, no qual jaz a jovem que seguira até  o cemitério um ano antes. Movido pela visão da jovem, Solfieri comete o mais sordido dos atos, no mais sagrado dos lugares, misturando a morte da moça com a vida. A moça, após consumado o ato, acorda (era cataléptica) mas logo volta a desmaiar. Solfieri a leva para sua casa, onde ela acabaria por morrer,  depois de dois dias de loucura e febre. Lá, no quarto onde a jovem morreu, solfieri constrói seu túmulo e sobre ele se deitaria toda noite, misturando o repouso dos vivos com o repouso dos mortos; e manda um escultor que faça uma estátua da bela jovem para imortalizá-la.

Nessa mistura de embriaguez, amor e morte, torná-se notável, pela necrofilia, pelo choro no cemitério, pelo túmulo sob o leito, e pela imortalidade da estátua sobre o corpo, a vontade de se misturar a vida com a morte e o abominável com o louvável; e torná-se, também notável, neste pequeno conto de cerca de cinco páginas, a grandiosidade da obra de Álvares de Azevedo, que hoje, com certeza, considero como um dos maiores escritores que já li.

Posso dizer que este livro é, já, com certeza, uma recomendação e será uma releitura.

Uma resposta to “Noites na Taverna I – Solfieri”

  1. dan said

    Quando o ser humano não deixar de misturar dor e alegria?

    Oh, penso eu em deleite que jameis fiz senão profanar as palvras sarcásticas em puro prazer, creio que a mescla profana de Alvares de Azevedo possa ser comparada com a Nausea de Sartre, sim, são livro no qual a nostalgia não faz parte.
    Alego também que tal leitura se faz melhor quando seu estado psicológico se encontra neutro, pois, se faz demasiada leitura sob colo angustiante tomará tal partido, mas sob solo estável melhora a apreciação de tal obra de grandes e indefiníveis autores.

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