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Crítica da Razão Pura – Introdução B: Dos juizos analíticos e dos juízos sintéticos.

Posted by Rafa de Souza em 19/06/2009

Introdução B: Dos juizos analíticos e dos juízos sintéticos.

Kant, na introdução B da Crítica da Razão Pura, trabalha com a relação de sujeito e predicado nos conceito e nos mostra que ela se dá de dois modos possíveis: Se um predicado P está contido em um sujeito S, em um conceito, de modo a complementá-lo e explicá-lo, chama-o de juízo analítico; e caso um predicado P seja exterior à um sujeito S, ainda este predicado acrescente o conceito, chama-o de juízo sintético. Esses dois juízo estão inteiramente relacionados a forma como se obtém o conhecimento a priori e, portanto, devem ser estudados mais a fundo.

Para Kant, juízos analíticos são fundados a priori. São aqueles em que o predicado nada acrescenta ao conceito do sujeito e só pela análise conseguem decompô-lo em conceitos parciais, que já estavam nele – embora estivessem obscuros, de modo a não serem facilmente reconhecidos. Nos juízos analíticos não é preciso ultrapassar o predicado que se liga ao sujeito. A asserção “todos os corpos são extensos” é um juízo analítico; nela o próprio conceito de corpo já implica em uma extensão no espaço, portanto o que se faz com os juízos analíticos é decompor o conceito de modo a encontrar somente o predicado que está subentendido na afirmação.

Juízos sintéticos são, entretanto, derivados da nossa experiência. Juízos sintéticos expandem o conceito, de modo que o predicado não está implícito no sujeito – é totalmente exterior à ele – e a experiência funcionaria como fornecedor da extensão desses conceitos.  Kant exemplifica esse caso com a afirmação “todos os corpos são pesados”. Diferentemente do conceito “todos os corpos são extensos”, no qual o predicado já estava incorporado no conceito inicial e só estava omisso, esta afirmação agrega um conhecimento empírico, a saber, o de peso, sendo pela experiência o único meio de se obter tal predicado.  A matemática e a geometria são áreas que são fundadas nos juízos sintéticos  – embora, muitas vezes, seja afirmado o contrário, pensando-se que a matemática derivava do princípio de contradição . Diz-se isso porque usamos a intuição para somar (no caso da matemática) ou para afirmar que a menor distância entre dois pontos é uma reta, já que a ideia de distância é um conhecimento a posteriori (no caso da geometria – nessa existem certos juízos analíticos, mas eles não acrescentam conhecimento, somente o decompõem, e somente são aceitos porque é claro o uso da intuição em sua elaboração.)

Existem também os juízos sintéticos a priori, que são aqueles que são fundados em princípios a priori, mas que ao mesmo tempo agregam conhecimentos empíricos. A física utiliza juízos sintéticos a prior como fundamentação de seus princípios; em suas proposições fica claro as origens a priori do conhecimento, assim como suas fundamentações sintéticas.  Nelas são agregadas ao conhecimento a priori às proposições sintéticas. Um exemplo é a afirmação “em todas as modificações do mundo corpóreo a quantidade de matéria permanesse a mesma” na qual as modificações só são obtidas através da empiria, enquanto a noçãomateria e espaço, assim como a de sucessividade do tempo, advém do conhecimento a priori.

Nossa metafísica, antes, era fundamente em juízos analíticos que eram erroneamente extendidos, o que nos levava ao erro e à destruição das nossas próprias construções metafísicas. Agora, tida como ciência, se torna necessário fundá-la nos juízos sintéticos a prioro, já que nenhum conhecimento analítico serviria para extender o conhecimento, sendo esse o único meio de aumentar o nosso conhecimento a priori e, assim, nosso conhecimento metafísico.

Bibliografia:

Kant, I. Crítica da Razão Pura, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2001.

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