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A autodefinição cartesiana – Primeira parte:

Posted by Daniel Baseggio em 07/07/2009

a teoria cartesiana da verdade

a teoria cartesiana da verdade

– Na continuação de meus estudos, me deparei com o cogito, claro que é uma parte bastante marcante na filosofia de Descartes, mas, não é apenas a afirmação que entra em contraste, mas sim a autodefinição que provém dessa afirmação. Esse estudo estará dividido por partes, nas quais dividirei com vocês!

 1ºML- AO PASSO DE UMA NOVA DUVIDA

Ainda não se conhece claramente o que o “eu” é; sendo que o sujeito da duvida é o próprio pensamento, sua existência não é afirmada isoladamente. Mas, o que é precisamente o pensamento?

Descartes nos oferece na seguinte passagem sobre o que se acreditava antes do processo da duvida:

 

Provido de rosto, mãos, toda sua máquina de ossos e carne (…) a qual eu designava pelo nome de corpo, considerava, além disso; que me alimentava que caminhava que sentia que pensava e que relacionava todas essas ações à ‘alma’ .(Meditatines Seconde, AT IX, p.20)

 

2º ML- AUTODEFINIÇÃO

Antes da duvida hiperbólica, Descartes não se descreve como um animal racional; ele pretende definir-se pela realidade a que o conceito se refere, ou seja, definir o homem pela sua própria percepção que possui – como um corpo dotado de espírito.

(…) mas não me detinha a pensar em que consistia essa alma, imaginava que era algo extremamente raro e sutil, como um vento ou um ar muito tênue (…) no que se refere ao corpo, não duvidava de maneira alguma de sua natureza; pois pensava em conhecê-la muito distintamente (…) por corpo entendo por ser limitado por uma figura; preencher um espaço de tal sorte que todo o outro corpo seja excluído (…). Pois não acreditava de modo algum que se devesse atribuir à natureza corpórea vantagens como ter de si o poder de mover-se, de sentir e de pensar; ao contrario, espantava-me antes ao ver que semelhantes faculdades se encontravam em certos corpos.
(idem)

 O próximo passo no filosofar cartesiano é conceber algo além da natureza corpórea que seja sujeita às ações de se mover e de sentir, pois  o corpo é concebido pelos Sentidos, e  a alma ainda é obscuramente representada como “vento”; não pode ser representada por uma natureza corpórea, mas, aí é definida por analogia a um corpo – o vento. No entanto, defini-la por imaginação resulta na denuncia a analogia ao corpo, então, a alma não pode ser definida a partir daquilo que não é corpo.

– Então, penso numa breve conclusão: o que Descartes precisa agora, depois de provar a existência do cogito, é assegurar que aquilo que chamamos de espírito, ou, alma é distinto de qualquer substância extensa – corpo;  que é melhor e mais facilmente concebida pelo entendimento. Ao passo que conhcemos o cogito, abrimos uma lacuna para a autodefinição de nossa natureza – a res cogitans; é preciso adentrar na interioridade e abater as obscuridades nela presente.

 

BIBLIOGRAFIA: Forlin, Enéias. A teoria cartesiana da verdade, Editoa Fapesp, São Paulo, 2005.

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