Pensamentos em Palavras

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O fim do começo e o começo do fim.

Posted by Rafa de Souza em 23/07/2009

Em dias de decepções e frutrações, nada melhor que um lugar calmo para apaziguar as tormentas da mente. Quem sabe uma praia?

O sol, a areia, o mar…

Olhar para as ondas tem um efeito catártico. O ir e vir é hipnótico. Uma coluna de água que se ergue, que se choca com o próprio mar do qual surgiu. Uma espuma branca que surge e, enquanto grita, percorre e empurra todas as outras ondas que já voltavam para o mar, jogando-as de volta a areia para, final e lentamente, morrer e ser tragada de volta. Olhando para as ondas vemos o começo, o meio e o fim de algo — o nascimento, a vida e a morte. E isso se dá em poucos segundos. É como ver uma vida inteira em poucos segundos…

O nascimento e a morte são simples. Não é aí que está a chave.

Certa hora chegamos ao fim do começo e ao começo do fim, quando o nascimento começa a morrer e a morte começa a nascer: o exato meio  termo. A onda que se ergue para se chochar com o mar e criar a escuma que chega até a areia, é como a esperança que nasce de um impacto radiante; e a mesma onda que cansa de avançar sobre a praia e resolve recuar de volta para o mar é o desespero; mas por um momento a onda fica estática sobre a areia. Por um momento ela desiste de avançar mais para dentro da costa, ainda que se recuse veementemente a voltar para o mar. Essa é a chave… e essa chave é quase imperceptível…

Um momento antes e um momento depois: isso é o que separa o fim do começo do começo do fim. Antes, o sol brilha forte e incentiva. Depois, o brilho esmaece e, mesmo que continue o mesmo, parece encoberto por nuvens de tempestades. Antes, o vento levantava o mar e o empurrava para a praia. Depois o vento empurra o mar de volta para seu lugar, ainda que ele sempre soprasse na mesma direção. O que está subentendido aí é que o antes e o depois são, por um momento, a mesma coisa — o momento em que os dois convergem, o momento depois que a onda para de avançar e antes que ela comece a retroceder –, ainda que sejam sempre coisas diferentes. O fim do começo não é o começo do fim, mas, ainda sim, o é… e é isso que deve ser visto! Esse limiar entre o antes e o depois, entre o nascimento e a morte, entre esperança e desespero… esse é o segredo: a vida!

Pode não ser nada disso, mas quem sabe nesse momento o fim e o começo não sejam realmente a mesma coisa. E quem sabe não seja esse o segredo para salvaguardar as esperanças enquanto se vive desesperado, para se viver enquanto se nasce e morre: parar o tempo no momento em que a o antes e o depois convergem e segurá-lo lá o quanto for possível, mesmo que isso exige esforços extraordinários; porque antes desse momento nada existe por inteiro e depois dele o que existiu já está se esfacelando… e é por isso que  é esse exato momento que importa………….

3 Respostas to “O fim do começo e o começo do fim.”

  1. Paulo Henrique said

    cara, tá tudo muito bom, bonito mesmo.

  2. Renato T said

    obrigado, Paulo. rs

  3. Cintra, Jéssica said

    Ah, Pode ter certeza que não só este, como vários de seus textos, abrem bastante uma mente. Não só de uma estudante de Direito, mas sim de uma pessoa que vive o meio, sem temer o fim. =)

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