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Perdão e Promessa em Sto.Agostinho

Posted by Daniel Baseggio em 21/08/2009

SaintAugustin

Durante algumas aulas de História da Filosofia tratávamos de Sto. Agostinho, um exímio filósofo medieval de grande importância na história e no curso do pensamento da época. Entre muitas anotações pude colocá-las em ordem e apresentar a todos uma resenha do pensamento desse homem, na interpretação de um professor em sala e, depois, na minha interpretação.

 

Tema: Perdão e promessa em Agostinho.

confissão

 Na distinção entre o homem e o animal, além do homem possuir o LÓGOS, ele possuí o perdão e a promessa; estes dois que tem papel fundamental na libertação do registro temporal no qual ele se entra preso.
 O homem constroí sua história a partir da promessa e do perdão, porque a partir destas ele passa a reformular  passado; o perdão não nos faz prisioneirosdo registro que foi vivido no passado; enquanto a promessa diz respeito a uma perspectiva de vivência futura.
 Por decisão do sujeito, ele se desliga do mal que ocorrera no passado; modifica sua perspectiva anterior, desprende-se do passado, implicando na promessa como presentificação do futuro; a promessa vivifica o presente.
 Em conciliação, o perdão e a promessa devem se dirigir ao eterno e divino, pois, uma vez que o pecado, a falta e o erro se encontram no homem, que em sua finitude já denota corresponder a uma falta no qual outro ser finito e temporal não pode suprir. Por isso, o perdão de Deus se relaciona com o eterno; Ele, ser misericordioso a tudo perdoa, enquanto o perdão de outro homem é manifestada na temporalidade, não pode perdoar a tudo.

Agora que meus gemidos são testemunhas de que não me agrado a mim mesmo, tu resplandeges e agrada-me e és amado.
         (Confissões, X, 1).

 Se o homem, criatura finita, clama a Deus o perdão, deve-se ao fato de uma tristeza consigo mesmo, na qual só poderá ser exterminada pela vivificação do presente, pela libertação dos registros anteriores. Assim, quando o homem recebe o perdão (KHARIZÓ) divino, seu registro temporal por um momento passa para a atemporalidade, fazendo com que sua tristeza passe para uma alegria (KHÁRIS).
 Portanto, concluo que o homem procura o perdão e uma promessa divina por se encontrar num estado de tristeza profunda causado por sua prisão num determinado registro, que, depois que recebe o KHARIZÓ se liberta desse registro; procura o eterno porque só Ele pode perdoar a tudo enquanto o homem, em sua temporalidade não pode; sendo assim, na medida em que ele é perdoado, sua tristeza se retira dando lugar apenas para uma KHÁRIS.

6 Respostas to “Perdão e Promessa em Sto.Agostinho”

  1. Paulo Henrique said

    Então, a felicidade resume-se a um instante de alegria?

    • A felicidade é manifestada depois que o homem reconhece a diferença que existe nele e nos outros, adimitindo isso ele possuí um GENNAIOS, assim, desprendido daquilo que lhe causava fastio, tédio pela sua existência, ele possuí a KHÁRIS.
      Na medida em que o homem está em ATARAXIA, juntamente têm GENNAIOS e KHÁRIS, ele é feliz, só enquanto as obtiver. Sendo o homem, finito em sua essência, e faltoso por sua natureza, a felicidade só é eterna em Deus – atemporal e infinito-, enquanto no homem, por sua finitude a felicidade somente dura enquanto seu GENNAIOS reconhecer o outro levando-o a KHÁRIS. Portanto, a felicidade não se dá num instante, mas, enquanto o homem se mantiver naquele estado no qual buscou em sua confissão para Deus.

      Espero que respondi bem, meio confuso?!
      hehehe

      • Paulo Henrique said

        Num livro de juventude, o Protreptico, Aristóteles afirma que a felicidade é assim, tão rápida, para que os homens aprendam a lhe dar valor.

        “Enquanto o tempo acelera e pede pressa
        Eu me recuso, faço hora
        Vou na valsa
        A vida é tão rara…” Lenine

      • Acho que entendi, mas, se o homem buscar algo de passageiro, por quê buscaria uma felicidade que sabe que irá terminar? Com a confissão, o homem pretende se desvincular do FASTIDIO e do TEDIUM, para alcançar uma KHÁRIS, então deveria ser essa alegria da mesma forma do que aquilo que a concedeu no momento em que o homem adquire o GENNAIOS.
        Não entendo se este GENNAIOS também possa ser finito, ou, se manifestar num instante?
        Acredito que para dialogar com o atemporal, necessito conhecê-lo, e, para tal feito preciso sair de minha temporalidade; sendo assim, minhas paixões precisariam estar fora da temporalidade também?

      • Paulo Henrique said

        é o que Kant afirma na Introdução da Crítica “tive que reduzir o espaço da razão para abrir espaço para a crença”, ou algo assim, admitir, legitimar, o que não se pode conhecer, abrir espaço ao mistério, o silêncio, o vazio. Na hora h Cristo ficou no vazio, o cara não respondeu, dai o Chico Buarque brincar com a palavra cálice, mas o silêncio também é uma resposta, não? Seguimos procurando…

      • O silêncio nos leva à ATARAXIA, como os pitagorianos faziam: anos sem dizer uma só palavra, apenas escutando. Esse tipo de PAIDÉIA pode nos ser viável se utilizarmos nosso entendimento juntamente com o silêncio antes de fazermos uso da vontade, essa ATARAXIA é acompanhada pela prudência.

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