Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

Archive for Setembro, 2009

Woodstock III

Posted by Daniel Baseggio em 29/09/2009

Para terminarmos o dia de trabalho bem…

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Caridade – Amor em Deus – AGOSTINHO

Posted by Daniel Baseggio em 25/09/2009

caridade Nessa interpretação deixarei claro o tema da magnanimidade, que é causada pela caridade –  pois nos retira da perspectiva particular nos fazendo reconhecer as diferenças existentes fora de nós – ,e o por que ela é fundamental para nos colocar no caminho (HODOS) do divino.

  Pela perspectiva do divino perdão, Deus a tudo perdoa; este perdão concedido por Ele é atemporal, ou seja, fora do registro do tempo. Saber perdoar é manter a calma, a tranquilidade e a generosidade entre as pessoas. Mas, há males de que o homem não é capaz de perdoar devido a sua temporalidade, então, necessitamos daquile perdão que somente Deus pode fazer.
  O perdão tráz a tona o amor; tal conflito que antes foi estabelecido é depois remetido ao amor. Pois, o mal feito a outro nos remete à distância do amor; mas quando há o perdão, o sujeito tráz a tona o amor que poderia ter desaparecido com o mal que foi feito. O sujeito que perdoa não remete o outro sujeito à rejeição, a censura; ambos ganham com o perdão – necessariamente o ganho vai para a relação amorosa.

Estes e semelhantes sinais, procedendo do coração dos que se amam e dos que pagam amor com amor, manifestam-se no rosto, na língua, nos olhos e em mil gestos de prazer, como se fossem acendalhas; inflama-se os corações e de muitos destes se vem a formar um só.
 (Confissões, IV, VIII).

  A magnanimidade está no alcance de todos; quando se é magnanimo se representa o divino, volta-se para o coletivo –  representa- se o coletivo a partir dele mesmo -, representa o divino a partir de sua própria magnanimidade.
  Esta magnanimidade é quase a representação da ideia da amizade (PHILIA); saindo da diferença, reconhece-se aquilo que é diferente no outro, assim, implica no reconhecimento do eterno – que é a PHILIA. Tal amizade é assim porque tráz a harmonia entre as pessoas, esta se dá por meio da caridade que, por sua vez, visa o bem coletivo, sendo divino e eterno. A magnanimidade, então, é voltada para a caridade.
  O perdão nos desvencilha das perspectivas anteriores remetendo-nos para a magnanimidade, pois quando se aceita a diferença do outro, o sujeito sai da particularidade e retoma o curso da perspectiva futura que visa o bem. A magnanimidade faz o sujeito se voltar para além da diferença por meio do perdão; a relação da magnanimidade amplia-se a partir do perdão, pois é generosidade (GENNAIOS) propriamente dito.

Só há verdadeira amizade quando sois Vós quem enlaça os que Vos estão unidos pela caridade difundida em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
 (Confissões,IV, IV).

  Na medida em que há a diferença mantém-se a perturbação, o conflito; este nos remete à falta da paz e da magnanimidade. A paz (EIRENE) e a magnanimidade não sofrem constrangimentos do conflito uma vez que são efetivadas.
  No determinado momento em que existe o conflito, não existe a EIRENE. É necessário uma perspectiva do perdão que transcenda as diferenças, com a magnanimidade as diferenças não afetam a harmonia, então, na medida em que há o perdão por meio da caridade a perturbação se desvencilha do sujeito.
  Para perdoar é necessário sair de si, ou seja, abandonar a perspectiva passada, da dimensão particular; só é concretizada pela caridade, pois ela possibilita reconhecer as diferenças e auxilia no processo do perdão; transcendendo, assim, para uma perspectiva universal. O amor verdadeiro permite que o homem transcenda a si mesmo e seus atos; as razões para o amor e para o perdão são inesplicáveis, pois esse amor correspondente a caridade implica ao divibo, no momento em que transcende o sujeito para uma perspectiva universal.
  Não só a doçura (HEDUS) das pessoas, mas a beleza encontrada nelas há em Deus. Enxerga-se tais beleas somente pelo plano de fundo divino, ou seja, se reconhece o amor divino uma vez que se pratica a caridade; esta que implica num sujeito magnanimo e generoso, visa a saída do plano particular para um universal, um reconhecimento da diferença alheia, um reconhecimento de uma perspectiva coletiva.

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Caminhos

Posted by Rafa de Souza em 24/09/2009

Aos pés que sustentam um belo coração: que seus passos viagem cada vez mais longe e que suba as mais maravilhosas montanhas.

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O adolescente na Confissão – AGOSTINHO

Posted by Daniel Baseggio em 24/09/2009

 A interpretação feita da 6º aula sobre Agostinho – trata da curiosidade, do tédio, e da busca pelo caminho para a tranquilidade (ATARAXIA) via magnanimidade. Afirma que o jovem se mantêm na inquietude, afastando-se do caminho do divino, mas, a partir que deixa sua particularidade pela magnanimidade, volta no caminho correto.

07_Adolescencia

  O tédio (TAEDIUM) é próprio dos adolecentes, este sentimento advém juntamente com a inconstância. Essa falta de apreço pelas atividades pode implicar numa inatividade, que é consequência da inconstância.
  A falta de alma por aquilo que se têm implica no desanimo para com a própria existência, ou o fastio (FASTIDIO); o sujeito desanimado não se volta para sua existência, fica preso nas perspectivas passadas. A inconstância revela a mutabilidade e mudança constante na relação de amizade (PHILIA). Agostinho critica que esta inconstância, quando não sanada, pode se tornar uma perspectiva.

Quantas vezs, na adolescência, ardi em desejos de me satisfazer em prazeres infernais, ousando até entregar-me a vários tenebrosos amores!
(Confissões, II, I, §02).

  A inconstância existe devido a curiosidade, pois, dessa procura pelo novo muda-se a perspectiva daquilo que antes estava voltado; agora muda-se da antiga para aquilo que almeja alcançar. O curioso sempre foge de si mesmo, por fugir e não se achar, acaba encontrando o FASTIDIO. Tal curiosidade não leva o sujeito a procura de um caminho (HODOS) certo, pois com a inconstância, o sujeito curioso está na obscuridade do que deseja. Os achados do curioso são efêros, já o HODOS daquele que procura efetivar-se, trazer presente àquele que estava ausênte, é eterno.
  A perspectiva em questão do curioso, do jovem adolescente, é a inconstância; é temporal. E o que Agostinho visa é a perspectiva do eterno, do Uno, do efetivo; na perspectiva da calma, da constância, há a tranquilidade (ATARAXIA) e o silêncio (HESYKHIA).
  Não encontrando em si o Uno, no momento em que há desacordo devido à inconstância com aquilo encontrado, o adolescente foge. É assim, pois, na medida em qua há algum conflito, há uma desistência, uma falta de confiança no Uno dele próprio, uma falta de empenho próprio.
  Para que o Uno se faça presente é necessário dedicação, esforço e HESYKHIA. Portanto, para fazer presente aquele que estava ausente é necessário esforço para evitar a curiosidade; para que se evite a distração daquele HODOS que se efetivava. Para chegarmos na ATARAXIA é necessário tal esforço.

Por todos motivos e outros semelhantes, comete-se o pecado, porque, pela propensão imoderada para os bens inferiores, embora sejam bons, se abandonam outros melhores e mais elevados, ou seja, a Vós, meu Deus, à Vossa leu.
(Confissões, II, V, §02).

 O esforço é efetivado pela magnanimidade, quando concentrado a si mesmo correspondendo para o coletivo, assim, torna-se generoso (GENNAIOS) na medida em que se aproxima do Uno. A partir daí não se encontra mais conflitos,e , portanto, encontra-se a ATARAXIA. A magnanimidade não é ameaçada pelos conflitos, pois a magnanimidade é condição que está fora do tempo, assim como o Uno.
  Aquele que não conserva o amor sofre da inconstância, pois, uma vez que o GENNAIOS é o amor para com os outros, e o sujeito não efetiva sua magnanimidade, não efetiva seu amor. É implicado no FASTIDIO da relação com seus próprios atos.
  Os inconstântes vivem sem Ser, pois não tem relação com o Uno. Se viver é fazer parte com o eterno, não ficando preso no tempo, se libertando das perspectivas; o jovem adolescente inconstante não efetiva sua magnanimidade e, por isso, está preso na inconstância dos seus atos que geram um FASTIDIO pela sua existência.
  Se aproximar do divino é encontrar a doçura (HEDUS); somente quando se aproxima do ser. Nem todo o prazer se aproxima do HEDUS, a calma se aproxima, pois não é regida pelo tempo. Assim sndo, a perspectiva do eterno implica nas ações devido à saída da perspectiva particular juntamente com a efetivação da magnanimidade, o sujeito volta-se para o coletivo, volta-se para o eterno. O sujeito que se vê fora da perticularidade reconhece na PHILIA a perspectiva do eterno, uma vez que ele saí da inconstância.
  O fim do prazer é o desprazer; quando se acaba o prazer implica-se no desprazer. Mas, no tocante ao HEDUS, não há desprazer quando se acaba. É demasiadamente errado tomar aquilo que se vive somente como prazer, pois, na medida em que se toma tais perspectivas se adentra na particularidade.
  Portanto, o adolescente curioso, inconstante, foge devido aos conflitos, vive preso na sua particularidade, não efetiva sua magnanimidade nem reconhece o Uno com seu HEDUS. É fundamental voltar-se para o divino, pois com o HEDUS nunca haverá conflitos; uma vez que o sujeito deixa sua incosntância, sua curiosidade, saí do particular e reconhece o coletivo, volta para o HODOS divino, reconhece a relação do GENNAIOS com a PHILIA.

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Tempo em segundos.

Posted by Rafa de Souza em 23/09/2009

Pensa por que o tempo foge quando estamos de bem com ele. E pensa por que ele nos persegue quando queremos fugir. Ah!, as alegrias não teriam sabor se, nos instantes felizes, o tempo parasse e salvaguardasse esses momentos na eternidade.

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Eu não sou Chico, mas quero tentar…

Posted by Rafa de Souza em 19/09/2009

Um Dia No Morro

É dia de festa e apito no morro,
José Sem Socorro não pode faltar;
Subiu a ladeira tomando cachaça,
Maria Sem Graça pôs-se a chorar.

Ind’agora vi Juca Ligeiro;
Olhar traiçoeiro, inveja e paixão.
Ind’agora vi Juca Ligeiro
Com o sangue e a vida dum outro na mão.

Vez e outra Aurora Faceira,
Rumo à gafieira, se faz caminhar.
Vez e sempre, Aurora Faceira
Só pega seu rumo ao primeiro raiar.

Tem bola, tem pipa e fubeca;
Na certa tem cinta de couro na mão.
Mamãe vem raivosa, papai com decoro,
Vovó diz que a sova ajeita a razão.

Com lua na vista a menina arrisca
O seu bem-me-quer;
Com fogo nos olhos, saliva na língua,
O menino registra a mulher dum qualquer.

Tem samba no morro, tem samba no pé;
Será que Maria encontra José?
Tem choro no morro: “Sem Graça, o que é?”
“Foi Juca Ligeiro que matou meu José”.

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Agostinho – O Divino e a Circularidade

Posted by Daniel Baseggio em 16/09/2009

santo agostinho– A explicação de uma aula muito interessante a respeito do divino se efetivar na presença do que era ausente, a representação do divino como algo contínuo, implica assim, na ATARAXIA.

  Agostinho retoma o tema clássico da tranquilidade da alma (ATARAXIA) justificando com uma solução cristã. Nela, Cristo é a representação da circularidade (SYNEKHÉ), estando sempre presente; a calma não é o repouso absoluto, mas é a continuidade. A própria mudança no movimento é a própria mudança para o repouso. Para que reconheçamos o sábio é necessário ver se aquele em questão passa a paz (EIRENÉ) desejada, em outras palavras, se passa a SYNEKHE necessária para nos levar ao repouso.
  No tocante à continuidade (SYNEKHE) do movimento, não se deslumbra o fim, ou, o fim está próximo do princípio, denotando sempre o movimento como circulatório; a perturbação ocorre na hora em que se acaba qualquer perspectiva durante o intervalo de um movimento para outro. Por exemplo: se vamos pegar um ônibus para chegar ao metrô, já se denota um movimento para alcançar outro, mas, se o ônibus quebra há uma perturbação do intervalo desses movimentos.
  A ATARAXIA está na SYNEKHE, pois quando se perde a ansiedade por aquilo que se têm, ou por aquilo que anseia não perder; o fim (TÉLOS), portanto, é indefinido e não fastigado pela ansiedade.
  Pensar na SYNEKHE como uma circularidade denota, aos olhos humanos, que todo o movimento se apresenta como novo. Viver o novo nos livra do tédio (TAEDIUM) e do fastio (FASTIDIO), se reconfigura uma nova perspectiva harmônica, reconfigura-se sempre inovando, trazando de volta, trazendo de volta o novo na SYNEKHE da circularidade.
  A proximidade do divino e da circularidade é o que dá sentido ao Uno, ou seja, aquilo que se renova, mantendo-se eternamente, este é o divino. Como afirma Agostinho:

Estável e inapreensível, imutável e mudando todas as coisas, nunca novo, nunca velho, renovando todas as coisas.
(Confissões, I, IV)

  Na quebra da renovação, da SYNEKHE, não há proximidade com o divino. Então, da necessidade do divino há uma necessidade da circularidade, há a necessidade de renovação. Renovar as coisas não significa na mudança do divino, Ele sempre é o mesmo – divino -, não significa que Ele ofereça uma mudança aos homens, mas os homens mudam mediante a renovação propositada pelo divino.
  Portanto, quando se objetiva um ou muitos TÉLOS, se objetiva também os limites do próprio eu, causando ansiedade no sujeito (que no caso vive mediante sua perspectiva particular); o divino tráz a SYNEKHE e a circularidade, fazendo o que era velho ser novo, reconfigurando as perspectivas; por isso se busca o busca o divino, porque visa-se a ATARAXIA, pois o homem calmo e tranquilo é generoso (GENNAIOS).

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ESPINOSA – ÉTICA (livro III – Da Origem e da Natureza das Afecções)

Posted by Daniel Baseggio em 14/09/2009

 

espinosaNosso último passo na tragetória espinosana, tratamos primeiramente de Deus, que é causa sui e causa de todas as coisas; depois da mente humana que é efeito necessário dos modos, consciênte de si e de sua relação intríscica com o corpo, relação esta que pressupõe a passividade da mente no tocante às afecções que o corpo sofre quando relaciona-se com outros corpos. Nesta última parte (final para a prova) iremos tratar das afecções que constrangem nossa mente – iremos tratar das paixões.

 Espinosa tratará de fazer uma ciência a partir das afecções humanas, tratando do tema da mesma maneira que dos capítulos anteriores – do método demosntrativo. Ele não falará a respeito das paixões, mas mostrará suas causas necessárias, que devem ser explicadas.
 O homem não é resustado de uma união substancial, mas, é resultado de realidades que exprimem o mesmo ser, estas realidades, ou modos são: o corpo e a mente. O homem é parte imanente da natureza, não é contrário à ela, por isso devemos enxergar as paixões com naturalidade, pois não são perturbadoras.
 Primeiramente, Espinosa distingue a causa adequada – aquela pela qual conhecemos e temos consciência -, e causa inadequada – aquela pela qual não conhecemos o efeito. Em nosso corpo há uma potência de agir que, efetivada, diz respeito a nossa autoconservação; Espinosa a chama de Conatus. Este diz respeito à potência natural de autoconservação; natual porque todos a possuem, assim, é essência atual do corpo e da mente; é uma força interna positiva e afirmativa, em outras palavras, é força de vida.
 As afecções que ocorrem no corpo devido à ideia que temos dos outros corpos pode aumentar ou diminuir nossa potência de agir, ou nosso conatus. Quando somos causas inadequadas das afecções somos coagidos pelas afecções e, assim, somos passivos à elas. Enquanto nossa mente possui ideias adequadas ela é ativa;  quando, porém, possui ideias inadequada somos passivos às afecções. Visto na Parte II que a mente capta muitas coisas a mais do que o corpo, ela está sujeita a inúmeras afecções.
 As afecções são efeitos necessários que se seguem de nossa parte finita da natureza situada na infinitude do todo; assim, as paixões são causadas por objetos externos, diferentes de nós; visto também que as imagens causam u conhecimento confuso quando somos causas inadequadas agimos conforme as imagens que são causadoras das paixões descontroladas. Este movimento acontece em nossa mente porque o corpo não determina a mente de pensar, mas sim o próprio pensamento. Somente haverá destruição de alguma paixão por outra paixão, e nunca por alguma vontade ou escolha do sujeito.
 Agora será explicado como somos afetados, ou seja, quais são as causas que nos afetam e as condições para tais afecções agirem como paixões em nós. Uma vez que todas as coisas devem perseverar no seu ser, tendendo sempre para a autoconservação, Espinosa afirma: no corpo, o conatus chama-se apetite; na mente, o conatus chama-se desejo. A essência do homem é o desejo; quando a mente é ideia do corpo ela é desejo.
 Quando algo constrange nosso corpo irá, necessariamente, constragir momentaneamente a mente; a mente, por sua vez, irá  se esforçar para imaginar algo que aumente seu conatus; quando a mente é afetada imagina a ideia daquilo que lhe afeta como presente, é esta ideia que proporciona o fortalecimento ou o efraquecimento do conatus. Por isso a mente se esforça para imaginar outra paixão que destrua àquela que enfraqueça seu conatus, a mente repuguina imaginar aquilo que diminui sua potência de agir.
 As afecções do corpo são afecções da mente, em outras palavras, são imagens que se realizam como sentimentos que nos afeta; o desejo é um apetite de que se tem consciência. Dentre as três afecções originárias – alegria (aumenta a força do conatus), tristeza (diminuí a força do conatus) e o desejo (essência do conatus); a natureza das afecções varia segundo aquele que a provoca e aquele que é passivo, ou constrangido.
 As formas de afecções podem variar devido ao caso: algo de semelhante  ao objeto que afeta a outros pode nos afetar da mesma forma; se aquilo que nos trás alegria irá nos fazer amar ao objeto, mas, caso traga tristeza, irá nos fazer odiar o objeto que é causa. A mente considerará o objeto da mesma forma; ora, se no passado o objeto causara tristeza, tal afecção de ódio irá permanecer na memória da mente – como visto na Parte II.
 Quando aquilo no qual odiamos é destruído, visto que só pode ser destruído por outra paixão, causa alegria; quando aquilo que amamos é destruído, causa-nos tristeza. A alegria é uma passagem para uma maior perfeição, pois aumenta nossa potência de agir; assim sendo, quando alguém nos afeta com alegriam tanto à nós quanto a quem amamos, amaremos a ele também.
 Ora, sempre nos esforçamos para manter aquilo que aumenta nossa potência de agir, ou mantermos nossa alegria e destruir a tristeza; pois, também, se minha ação causa alegria serei causa desta afecção e sereo afetado da mesma forma forma – serei afetado pela alegria. Para todos os efeitos, quando amamos algo nos esforçamos para aquilo que amamos  nos ame também, assim, o amor também é acompanhado de nossa ideia para com o objeto, mas somente quando há relação recíproca, e, com essa afecção nos glorificamos, pois causamos grande afecção na coisa amada. Mas, quando a coisa amada fica unida a outro sentimos ódio, e o sujeito da afecção que antes amava é afetado de tristeza. Pois, na medida em que nos alegramos por causar alegria a nosso semelhante e, tal alegria é diminuido na medida em que a coisa que amamos se junta a imagem de outra coisa; chamamos esta paixão de ciúme.
 Uma vez que se deseja algo, relembrando-se daquilo desejado, deseja-se com a mesma intensidade que nas outras vezes. Caso aquilo que deseja lhe falte, o sujeito ficará triste. A esse desejo se referindo a fata do que amamos, chamam-se desejo frustrado.
 O desejo quando nasce de qualquer afecção tem a mesma intensidade que uma afecção. Ora, visto que a tristeza diminuí nossa potência de agir, tudo o que o sujeito faz quando afetado de tristeza é afastar aquilo que diminuí seu conatus; quanto maior a tristeza, maior é o desejo de afastá-la.
 Bom e mal na filosofia espinosana não são valores em si; por bom é todo o gênero de alegria, ou seja, tudo aquilo que aumenta a força do conatus; e mal é todo o gênero de tristeza que diminuí a força do conatus,
 O ódio sempre é destruído pelo amor, este último sempre é maior; odiaremos sempre aquilo que causa ódio naquele que amamos. A alegria nasce da medida em que o ódio é destruído. Ambas afecções são livres, pois são percebidas por si mesmas independentes de outras.
 O sujeito passivo às afecções exteriores pode ser afetado pelo mesmo objeto inúmeras vezes, visto que o corpo humano é afetado pelos corpos exteriores inúmeras vezes, assim, pode ocorrer que o que um ame, o outro odeie; o que um tem medo o outro não tenha.
 Mas, quando a mente volta para si, no ato reflexivo, alegra-se; assim, aumenta o conatus. Na medida em que o homem que, antes se conhecia pelas afecções do seu corpo e pelas ideias de tais afecções, quando sua mente passa a se contemplar, passa para uma perfeição maior, pois compreende sua capacidade de agir, aumenta a força de seu conatus. Desse modo, o conatus se fortalece. Nessa condição o conatus se encontra com uma potência; essa potência refere-se a própria essência da mente, que afirma somente o que ela pode e o que ela é, em outras palavras, depois da mente se autoconhecer ela pode afirmar-se e estar acima das afecções que antes lhe confundiam.
 Há tantas espécies de afecções que são compostas da alegria e da tristeza quanto as espécies de objetos pelos quais somos afetados. Em algumas vezes somos ativos às afecções, assim sendo, somos sujeitos da ação. Dentre as paixões, explicarei somente as mais importantes e que facilitarão a compreensão do texto:

I – Desejo – é a própria essência do homem; é concebida como determinada a fazer algo por algumal afecção; é um apetite da qual se têm consciência.

II – Alegria – passagem do homem de uma perfeição menor para uma perfeição maior; aumenta a potência de agir.

III – Tristeza – passagem do homem de uma perfeição maior para uma perfeição menor; diminuí a potência de agir.

IV – Amor – alegria acompanhada de uma causa externa.

V – Ódio – tristeza acompanhada de uma causa externa.

Portanto, uma afecção, ou, paixão é uma ideia inadequada, confusa, pela qual a mente afirma sua força de existir. É uma ideia confusa porque a mente é passiva quando têm ideias inadequadas. Quando temos ideias de nosso corpo expressamos o estado atual dele, sob o qual é afetado por um outro corpo exterior; e a afecção que se segue do corpo exterior pode auymentar ou diminuir nossa potência de agir, ou o conatus. A natureza de tais afecções (alegria, tristeza e desejo) expressam da passividade humana, mas quando o desejo parte para a ação devido a virtude da mente – passar do conhecimento inadequado para o adequado, efetivando na mente sua potência interna -, o desejo se torna consciente, assim, sabe-se o que se deseja, e, desse modo, o sujeito passa da passividade total para a atividade racional que media tal passividade aumentando a potência interna, o conatus. Não se trata de negar as paixões, mas de utilizar a Razão fazendo com que a mente torne-se consciente dos desejos e das afecções nas quais o corpo sofre.

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ESPINOSA – ÉTICA (livro II – Da Natureza e da Origem da Mente)

Posted by Daniel Baseggio em 14/09/2009

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Continuando nossa caminhada a respeito de Espinosa (creio que nos ajudará para a prova), segue-se a interpretação do Livro II da Ética:

 Depois de sabermos que todas as coisas devem necessariamente seguir-se de Deus, que é a causa de tudo, veremos que conhecemos apenas dois atributos seus, estes atributos representam nossas realidades.  Neste livro da Ética estará explícito o paralelismo de espinosa, este consiste na ordem paralela do corpo; todas as ideias derivam da substância enquanto ela exprime realidade pensante; todas as coisas derivam da substância, enquanto ela exprime realidade extensa. Então, o paralelismo espinosano diz repeito à substância ser realidade pensante e realidade extensa, ambas existentes em Deus e no homem.
 Ainda mais explícito se encontra nas Definições I e II da Parte II: o corpo exprime determinadamente a essência de Deus, quando considerada extensa; corresponder com a essência faz com que aquilo exista. No entanto, a ideia corresponde a um conceito da mente, afirmando que o conceito exprime uma ação da própria mente.
 A essência de Deus é necessariamente causadora de tudo, é existente porque não pode haver efeito algum sem uma causa. Somente com sua realidade a substância causa os modos. Tal atributo é causado pela substância na mesma realidade em que se encontra, por exemplo: o pensamento expressa a realidade pensante e não a realidade extensa.
 A essência do homem é o pensamento. Pelo Axioma IV, Espinosa afirma que o corpo pode ser afetado de muitas maneiras. Assim, o corpo será objeto da mente. A mente humana vai ser ligada ao corpo; tudo o que acontece com o corpo a mente terá uma ideia daquilo que está acontecendo. Como a mente reproduz a ideia das afecções corporais será consciência de seus movimentos e constrangimentos, ou seja, terá consciência das ações e reações, das relações do corpo com seus constrangimentos externos.
 Tudo o que acontece com o corpo a mente capta, portanto, a mente está dispostan a captar necessariamente tudo o que constrange o corpo. A mente percebe inúmeros corpos ao mesmo tempo, percebe sua relação intrísceca com o próprio corpo. Essas ideias que nos constrangem nos fazem entender a constituição do nosso corpo, então, as afecções são, de fato, benígnas.

A ordem e a conexão das ideias na mente é a mesma da ordem e conexão das causas do corpo. A mente é a ideia do corpo. Conexão das ideias do corpo, pois sendo ambas modos, ou efeitos imanentes dos atributos inifinitos que constituem a unidade da substância, as ideias e as causas possuem a mesma origem e seguem as mesmas leis, mas, de maneira qualitativamente diferenciada, porque referidas as esferas diferentes de realidade.
 (Nota de aula – 25/08/09)

 Conforme a afirmação do paralelismo espinosano, somos a unidade do complexo corporal e do complexo psíquico. A mente é consciência do corpo e consciência de si. É consciência do corpo na medida em que sabe que o corpo existe devido aos seus constrangimentos. Uma vez que ele foi afetado por um ou mais corpos externos, a mente recordará imediatamente daqueles corpos que o afetou. Desse modo, o corpo constitui o objeto atual da mente; assim, é da natureza da mente estar ligada ao corpo, porque ela é atividade de pensá-lo.
 Além disso, a ideia da mente está unida à ela da mesma maneira que a mente está ligada ao corpo; a ideia da mente deve, necessariamente, estar unida com seu objeto. A mente somente se conhece quando conhece o corpo pelas suas afecçõe, ou constrangimentos; enquanto o corpo por si só não absorve conhecimento algum dos corpos que o constrange, a mente percebe outros corpos como existentes pelas ideias das afecções que o corpo sofre.
 A mente começa e vive um conhecimento confuso a partir de tais ideias das afecções, Espinosa chama tal conhecimento de inadequado. Este conhecimento parte da consideração que a mente faz a respeito dos corpos exteriores pelas ideias do constrangimento de seu próprio corpo. Esse conhecimento é conhecido como imaginativo; imaginar pressupõem uma atividade da mente, a mente representa uma imagem do contato com outro corpo externo, formando-se as imagens na mente a partir do constrangimento que outros corpos causam no nosso e a mente representando esses corpos devido às afecções que somos sujeitos.
 Essas ideias envolvem tanto o modo como os corpos exteriores que nos afetam; essas imagens são instantâneas, momentâneas e disperças. Para haver um conhecimento seguro seria necessário uma duração, coisa que tais imagens não ofercem, pois são percepções fragmentadas.

Nascidas de encontros corporais, a imagem instituí um comapo de experiência vivida como relação imediata e abstrata com o mundo. Imediata porque é contato direto do nosso corpo com outros; abstrata porque é multilada e fragmentada.
 (Nota da aula – 28/08/09)

 A mente pensa primeiramente na relação de afetar e ser afetada; nessa relação ela não possuí uma ideia verdadeira sobre os corpos. É pura abstração, pois apenas nas imagens não se conhece a causa real e verdadeira, mas somente o que aparece.  Portanto, tal conhecimento é confuso porque é singular, pois diz respeito somente aquilo que afeta nosso corpo que depois a mente se esforça para representar e traduzir para conhecimento.
 Enquanto que o conhecimento se refere à substância, ou, quando tal é comum a todas as coisas, são adequadas. Quando a mente percebe que, necessariamente, algo se atribui a todos os outros, é verdadeiro e, portanto, é adequado. Aquilo que é comum tanto para meu corpo quanto para os outros quanto para Deus, é verdadeiro e adequado.
 Portanto, as ideias das noções comuns, e não somente aquelas ideias que representamos pelo constrangimento do nosso corpo, é adequado. Umas vez que nossa natureza resulta de dois modos infintos de dois atrubutos da substância – a extensão e o pensamento -, a mente, assim, é intimamente ligada ao corpo porque têm consciência de sua existência e consciência da existência do corpo, na medida em que o corpo é afetado pelos corpos exteriores; o conhecimento que a mente representa a partir das imagens, ou das afecções, é inadequado por ser fragmentado e singular. Necessariamente a ideia adequada sempre se referirá tanto para as noções comuns quanto para Deus. A Razão perceba além do conhecimento imaginativo, percebe as coisas como elas são, como necessárias.
 Este conhecimento é útil para aprendemos a direcionar nosso conhecimento voltado na direção de Deus, ou das noções comuns; nos ensina a nos direcionarmos perante aquelas coisas que não dependem de nosso poder, na medida em que devemos adequar a Razão a não considerar àquelas coisas singulares; é útil para a vida social, pois ensina que certos sentimentos que nos constrangem, como o ódio, podem ser evitados, pois são apenas afecções.

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ESPINOSA – ÉTICA (Livro I – De DEUS)

Posted by Daniel Baseggio em 11/09/2009

 personalidades-bento-espinosa                                                                                                                                                                    Uma interpretação do primeiro capítulo visto em aula sobre Espinosa, me atrai tal leitura deste filosofo racionalista. Esse primeiro capítulo tratará de Deus como sendo a substância, causa de tudo e de si mesma. Aproveitem.

 A substância é, necessariamente, causa de si e causa de todas as coisas; causa de si porque não necessita de nada mais além de si mesma para existir, portanto, é razão de si mesma, é aquilo que existe por si mesmo. No Axioma II, Espinosa afirma: ” O que não pode ser concebido por outra coisa deve ser concebido por si”. A afirmação expreime que tudo tem uma causa determinada; aquilo que não tem uma causa – a substância-, deve ser causa de si mesma. Sendo esta substância causa de si mesma é, além disso, a causa necessária de todas as outras coisas, pois, para todo o efeito existe uma causa única e determinadamente causadora de sua existência.
 Na Proposição IV, Espinosa afirma que a substância não pode ser produzida por outra substância. Além de afirmar o caráter uno da substância, está em questão a causa da substância que se fosse causada por outra substância não seria causa de si, mas um efeito derivado de outra causa. Atribuo, como Espinosa o faz, o nome de substância de DEUS.
 Pela perspectiva da tradição Deus era antropormofizado, ou seja, recebia qualidades e atributos humanos, são eles: a onipotência (vontade infinita), a figura infinita (de tempo e realidade), a onipresença, o artesão (criador de todas as coisas), o legislador (monarca e governante do mundo), juíz (aquele que pune ou absolve). Sendo assim, conhecer Deus pela tradição é atribuir-lhe características humanas à substância; desse modo, é imaginando que conhecemos a Deus. Visto que o conhecimento imaginativo em Espinosa é inadequado, Deus espinosano é uma causa imanente, ou seja, inseparável de suas criações e, por isso, não pode ser imaginado, mas sim conhecido.
 Quando afirmamos que Deus criou todas as coisas não queremos dizer que agiu por sua Vontade, mas, que a substância age por sua necessidade. Por necessidade entendemos que é a maneira pela qual a natureza age; no caso de Deus sua necessidade é causar a todas as coisas, inclusive sua própria existência.
 O homem, ser finito, conhece apenas dois atributos de Deus – que tem infinitos atributos infinitos em seu gênero, visto que Deus é único, ou seja, que só tem existe uma substância causadora de todas as coisas, causadora de sua existência e da existência de seus atributos, que acompanham a infinitude de Deus. Esses atributos que conhecemos é a extensão e o pensamento. Distinguindo Deus desse modo destrói-se a ideia de milagres e de Vontade; pode ser considerado como realidade extensa afirmando a  espacialidade como atributo divino; o pensamento se mostra como a inteligibilidade do real nos traduzindo todo e qualquer objeto.
 Da substância provém os atributos – infinitos -, destes provém os modos, estes na sua finitude dizem respeito à maneira de existir. Ou seja, diz repeito a maneira da substância – que existe por si e não necessita ser causado -, a dos modos, que diz respeito ai efeito da substância , por isso são efeitos necessários produzidos pelos atributos da substância. 
 São eles os modos finitos: o corpo – indivíduos constituídos por relação de movimento e repouso, denotando a essência da espacialidade, ou extensão. A mente – indivíduos constituídos por encandeamento e nexos de ideias, denotando a essência da inteligibilidade, ou o pensamento.
 Podemos afirmar que Deus é eterno, mas, sem condição de tempo, ou seja, fora do começo e do fim, ela – a substância – é Natureza Naturante devido a sua atividade infinita de causar necessariamente a totalidade do real; os modos, por sua vez, são Natureza Naturada, pois são produzidas pelos atributos da Natureza Naturante (substância, ou Deus). A substância quando produz seu efeito não se separa deles, mas faz com que em sua totalidade seja exprimida na unidade eterna e infinita de Deus.
 Portanto, podemos afirmar que na filosofia espinosana Deus é livre não porque atua conforme sua vontade, mas pela necessidade interna de sua essência, de sua potência identificam sua maneira de existir, de ser e de agir. A liberdade, portanto, é a maneira pela qual a natureza age – a natureza de Deus é causar a tudo, a natureza do homem é pensar.
 Necessidade e liberdade se encontram na medida em que exprimem o que há na natureza espontaneamente, contrapondo a ideia de vontade e escoha, diz respeito a efetivação da natureza enquanto ela diz respeito ao que é. Por exemplo: a natureza de Deus é causa de si e causa de todas as coisas, necessariamente efetiva, espontânea; sua essência essência e seus atributos causam, necessariamente devido à sua efetivação – que é causar -, os modos finitos, ou, o homem.

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