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AGOSTINHO – Confissões – Invocação ou louvor?

Posted by Daniel Baseggio em 09/09/2009

Santo_SantoAgostinho 

Continuando uma interpretação de uma aula de Agostinho, seu primeiro livro das ConfissõesInvocação ou louvor?

 Visto que a continuidade (SYNENKHÉ) tem relação com o eterno, pois não marca pausa, está em repouso; a SYNENKHÉ trás a paz (EIRENÉ), a tranquilidade (ATARAXIA), a calma e o silêncio (HESYKHIÁ). O silêncio é aproximado da meditação para se aproximar também da generosidade (GENNAIOS).
 A decisão da confissão visa a absolvição de uma em geral, pressupõe que Deus perdoe a tudo; a saída do tédio (TAEDIUM) e do fastio (FASTIDIO) de sua própria existência só pode ser dada através da SYNEKHÉS da circularidade que o eterno tráz a tona, é atráves da renovação.
 O louvor é a forma de comunicação entre o homem e Deus; o elogio diz respeito a forma de um discurso (LOGOS) que traz a presença daquele que estava ausente, este argumento se opõe ao descrente que somente acredita naquilo que vê, naquilo que está presente e não acredita.

Vós o incitais a que se deleite nos vossos louvores, porque nos criaste a Vós.
Confissões, I, I, §04.

 Deus, portanto, habita em nós, mas, o homem vive angustiado por não obter plenamente a ATARAXIA que deseja Nele. A presença daquele que está ausente se dá também por testemunho (MANTYRION), mesmo este MANTYRION humano, que é faltoso e longe do eterno, já é preseça daquele que se fez presente, ou seja, a efetivação do MANTYRION é feita pelo louvor. É no louvor que se encontra a EIRENÉ, fazendo-o presente, encontrando o próprio lugar em sua perticularidade onde pode-se fazer presente a EIRENÉ.

Mas quem é que Vos invoca se antes Vos não conhece? Esse, na sua ignorância, corre o risco de invocar a outrem”.
Confissões, I, I, §02.

 O louvor é necessário para conhecer a Deus, pois com esse MANTYRION se efetiva a presença daquele que estava ausente, e, aquele que não O louva, corre o risco de não efetivá-lo. O sentido de elogiar aquele que estava ausente é  a calma e a ATARAXIA que o fez procurar a partir daquela angústia; aquela inquietude está no fato de não trazer presente aquele que almeja afastar o tédio (TAEDIUM) e o fastio da própria existência. Mas, mesmo que haja o MANTYRION necessita-se haver o mistério de sua presença, por isso que Ele está ausente, para garante o mistério. Ele não pode ser conhecido plenamente; para garantir a renovação de fazê-lo presente quando ausente é preciso manter o mistério do que é o divino. Então, por isso não podemos conhecê-lo.

Louvarão o Senhor que O buscarem. Na verdade, os que O buscarem, encontra-lo-ão, e aqueles que O encontram hão de louvá-lo.
Confissões, I, I, §02.

 Quando se busca já se encontra, pois a partir do LÓGOS se mantém um caminho (HODÓS) para o silêncio HESYKHIA, assim, já se encontra apenas estando no HODÓS.
 Concluindo afirmo: em testemunho (MANTYRION) o homem se coloca na busca pela efetivação de fazer presente aquele que estava ausente, pois, mesmo mantendo o mistério, mesmo não podendo conhecê-lo totalmente, no momento em que o homem se coloca em louvor visando afastar o fastio (FASTIDIO) de si, visando a paz (EIRENÉ) e a tranquilidade (ATARAXIA), que só em caminho (HODÓS) para a busca e, mesmo não encontrando-o totalmente, essa busca já denota o encontro, e, portanto, a EIRENÉ.

6 Respostas to “AGOSTINHO – Confissões – Invocação ou louvor?”

  1. Paulo Henrique said

    “só se acha o que se caça; o que negligenciamos nos escapa” (Sófocles, Édipo tirano, vv. 110-1).

    vejo essa e a frase de Agostinho como a procura/ encontro da phýsis, da mulher, natureza selvagem que não fala a nossa língua, que não fala língua alguma, invisível e imprevisível, tem como encontrá-la sem sofrimento? e, ao encontrá-la, mais sofrimento? Acho que vou desistir dessa coisa de sabedoria…

    • Profundo e poético, mas Paulo, se cada indivíduo corresponde a uma particularidade, o sofrimento também corresponde a sua própria particularidade, assim como a sabedoria, pois o que é verdade corresponde ao que há de verdadeiro em você, e o sofrimento corresponde a tamanha tristeza que cada qual pode suportar. Então, desistir da sabedoria não seria como desistir de conhecer a si mesmo?

      • Paulo Henrique said

        perfeito! Então, é esse “si mesmo” pro-fundo e poético que suporta a dor que o sujeito particular sofre? Conheço-me pelo negativo da dor?

      • Creio que se conhece pelo todo, ou seja, pelo que lhe faz sofrer e alegrar, pelo que lhe faz odiar e amar. Conhece-se pela totalidade do particular no qual está inserido.
        O FASTIDIO corresponde àquele sentimento de tédio pela própria existência na qual o sujeito que se encontra preso no PRÓPRIO registro temporal; sendo assim, conhecendo-se a si mesmo, invocando um novo caminho, ou pela minha interpretação de Agostinho – buscando o efêmero, o divino, alcança-se a superação. Mas esta somente vêm depois que o sujeito se conhece como faltoso.
        Isso não muda de nós, pois assim que conheço minhas faltas, conheço o que me deprime e o que me alegra para que, assim, possa realmente gozar de uma perspectiva futura devido à promessa, e, perdoar minha perspectiva de falta passada.

    • Paulo Henrique said

      cara, seu pensamento é dialético, gostei do seu texto preliminar, mas suas respostas são aida mais de profundis, como veremos na aula de hoje, abração.

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