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Agostinho – O Divino e a Circularidade

Posted by Daniel Baseggio em 16/09/2009

santo agostinho– A explicação de uma aula muito interessante a respeito do divino se efetivar na presença do que era ausente, a representação do divino como algo contínuo, implica assim, na ATARAXIA.

  Agostinho retoma o tema clássico da tranquilidade da alma (ATARAXIA) justificando com uma solução cristã. Nela, Cristo é a representação da circularidade (SYNEKHÉ), estando sempre presente; a calma não é o repouso absoluto, mas é a continuidade. A própria mudança no movimento é a própria mudança para o repouso. Para que reconheçamos o sábio é necessário ver se aquele em questão passa a paz (EIRENÉ) desejada, em outras palavras, se passa a SYNEKHE necessária para nos levar ao repouso.
  No tocante à continuidade (SYNEKHE) do movimento, não se deslumbra o fim, ou, o fim está próximo do princípio, denotando sempre o movimento como circulatório; a perturbação ocorre na hora em que se acaba qualquer perspectiva durante o intervalo de um movimento para outro. Por exemplo: se vamos pegar um ônibus para chegar ao metrô, já se denota um movimento para alcançar outro, mas, se o ônibus quebra há uma perturbação do intervalo desses movimentos.
  A ATARAXIA está na SYNEKHE, pois quando se perde a ansiedade por aquilo que se têm, ou por aquilo que anseia não perder; o fim (TÉLOS), portanto, é indefinido e não fastigado pela ansiedade.
  Pensar na SYNEKHE como uma circularidade denota, aos olhos humanos, que todo o movimento se apresenta como novo. Viver o novo nos livra do tédio (TAEDIUM) e do fastio (FASTIDIO), se reconfigura uma nova perspectiva harmônica, reconfigura-se sempre inovando, trazando de volta, trazendo de volta o novo na SYNEKHE da circularidade.
  A proximidade do divino e da circularidade é o que dá sentido ao Uno, ou seja, aquilo que se renova, mantendo-se eternamente, este é o divino. Como afirma Agostinho:

Estável e inapreensível, imutável e mudando todas as coisas, nunca novo, nunca velho, renovando todas as coisas.
(Confissões, I, IV)

  Na quebra da renovação, da SYNEKHE, não há proximidade com o divino. Então, da necessidade do divino há uma necessidade da circularidade, há a necessidade de renovação. Renovar as coisas não significa na mudança do divino, Ele sempre é o mesmo – divino -, não significa que Ele ofereça uma mudança aos homens, mas os homens mudam mediante a renovação propositada pelo divino.
  Portanto, quando se objetiva um ou muitos TÉLOS, se objetiva também os limites do próprio eu, causando ansiedade no sujeito (que no caso vive mediante sua perspectiva particular); o divino tráz a SYNEKHE e a circularidade, fazendo o que era velho ser novo, reconfigurando as perspectivas; por isso se busca o busca o divino, porque visa-se a ATARAXIA, pois o homem calmo e tranquilo é generoso (GENNAIOS).

3 Respostas to “Agostinho – O Divino e a Circularidade”

  1. Alexandre Fernandes said

    No budismo, o princípio da impermanência. No Eclesiastes, a transitoriedade. De Agostinho, O Divino e a Circularidade. Eu lembrei do filme sul coreano “Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera” do diretor Ki-duk Kim (2002). Fica como uma dica de filme para estudos, caso vocês ainda não o tenham assistido.

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