Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

Eu não sou Chico, mas quero tentar…

Posted by Rafa de Souza em 19/09/2009

Um Dia No Morro

É dia de festa e apito no morro,
José Sem Socorro não pode faltar;
Subiu a ladeira tomando cachaça,
Maria Sem Graça pôs-se a chorar.

Ind’agora vi Juca Ligeiro;
Olhar traiçoeiro, inveja e paixão.
Ind’agora vi Juca Ligeiro
Com o sangue e a vida dum outro na mão.

Vez e outra Aurora Faceira,
Rumo à gafieira, se faz caminhar.
Vez e sempre, Aurora Faceira
Só pega seu rumo ao primeiro raiar.

Tem bola, tem pipa e fubeca;
Na certa tem cinta de couro na mão.
Mamãe vem raivosa, papai com decoro,
Vovó diz que a sova ajeita a razão.

Com lua na vista a menina arrisca
O seu bem-me-quer;
Com fogo nos olhos, saliva na língua,
O menino registra a mulher dum qualquer.

Tem samba no morro, tem samba no pé;
Será que Maria encontra José?
Tem choro no morro: “Sem Graça, o que é?”
“Foi Juca Ligeiro que matou meu José”.

12 Respostas to “Eu não sou Chico, mas quero tentar…”

  1. Paulo Henrique said

    segue a letra que te inspirou e voc~e se esqueceu:

    Domingo no Parque
    Gilberto Gil

    O rei da brincadeira
    Ê, José!
    O rei da confusão
    Ê, João!
    Um trabalhava na feira
    Ê, José!
    Outro na construção
    Ê, João!…

    A semana passada
    No fim da semana
    João resolveu não brigar
    No domingo de tarde
    Saiu apressado
    E não foi prá Ribeira jogar
    Capoeira!
    Não foi prá lá
    Pra Ribeira, foi namorar…

    O José como sempre
    No fim da semana
    Guardou a barraca e sumiu
    Foi fazer no domingo
    Um passeio no parque
    Lá perto da Boca do Rio…

    Foi no parque
    Que ele avistou
    Juliana
    Foi que ele viu
    Foi que ele viu Juliana na roda com João
    Uma rosa e um sorvete na mão
    Juliana seu sonho, uma ilusão
    Juliana e o amigo João…

    O espinho da rosa feriu Zé
    (Feriu Zé!) (Feriu Zé!)
    E o sorvete gelou seu coração
    O sorvete e a rosa
    Ô, José!
    A rosa e o sorvete
    Ô, José!
    Foi dançando no peito
    Ô, José!
    Do José brincalhão
    Ô, José!…

    O sorvete e a rosa
    Ô, José!
    A rosa e o sorvete
    Ô, José!
    Oi girando na mente
    Ô, José!
    Do José brincalhão
    Ô, José!…

    Juliana girando
    Oi girando!
    Oi, na roda gigante
    Oi, girando!
    Oi, na roda gigante
    Oi, girando!
    O amigo João (João)…

    O sorvete é morango
    É vermelho!
    Oi, girando e a rosa
    É vermelha!
    Oi girando, girando
    É vermelha!
    Oi, girando, girando…

    Olha a faca! (Olha a faca!)
    Olha o sangue na mão
    Ê, José!
    Juliana no chão
    Ê, José!
    Outro corpo caído
    Ê, José!
    Seu amigo João
    Ê, José!…

    Amanhã não tem feira
    Ê, José!
    Não tem mais construção
    Ê, João!
    Não tem mais brincadeira
    Ê, José!
    Não tem mais confusão
    Ê, João!…

    Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
    Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
    Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
    Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
    Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!…

  2. Paulo Henrique said

    mas ficou bonito o seu texto também, e continuamos todos, querendo ser Chico Buarque, abração e parabéns!

    • Rafael de Souza said

      Professor Paulo, realmente já tinha escutado essa canção!
      Meu espírito buscou no baú da inconsciência a obra de Gil…
      Muito obrigado pela lembrança!

      • Renato T said

        Não é possível que eu tenha sido o único a achar que seu poema não ficou tão parecido com a música rafão…

  3. Paulo Henrique said

    inspiração é uma coisa, plágio é outra completamente diferente, e, como eu disse, achei seu poema mais rico de referências que a música do Gil. Mas o que eu gostei mesmo foi a leve diferença de tempo entre a 1ª e a 2ª estrofe, não dá para saber ao certo o que veio antes, muito bacana!

  4. Rafael de Souza said

    Atençao!

    A minha poesia foi classificada para a final do concurso de poesia da Universidade São Judas Tadeu, que acontecerá dia 25/09 às 19:10, no auditório do térreo. Junião e Daniel, a ausência de vocês é imperdoável!!!

  5. the wretched said

    Poema cheio de poesia maravilhosa!

    Hehe, bom, eu não fui a única a ver referências da música então, já acharam antes. Mas de verdade, seu poema é lindo e muito imagético também. Sei que o premio pode ser algo importante, mas ele não é nem metade do prazer que se ganha no momento da criação.
    O gozo no criar nos deixa próximos de uma essência divina.

    Bjus e Parabéns

    • Ele não ganhou o primeiro lugar na premiação, mas, sem dúvida foi o melhor poeta daquela noite. Foi uma cena dionisíaca.
      Parabéns garfão!

      • Paulo Henrique said

        vc sabe que Rousseau escreveu o 2º discurso, um dos textos mais importantes da filosofia, para um concurso, e o cara não ganhou, hahahahahahahahaha, acadêmicos…

      • Quem sabe o “garfão” pode se tornar um influente filosofo libertino do século XXI

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