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Caridade – Amor em Deus – AGOSTINHO

Posted by Daniel Baseggio em 25/09/2009

caridade Nessa interpretação deixarei claro o tema da magnanimidade, que é causada pela caridade –  pois nos retira da perspectiva particular nos fazendo reconhecer as diferenças existentes fora de nós – ,e o por que ela é fundamental para nos colocar no caminho (HODOS) do divino.

  Pela perspectiva do divino perdão, Deus a tudo perdoa; este perdão concedido por Ele é atemporal, ou seja, fora do registro do tempo. Saber perdoar é manter a calma, a tranquilidade e a generosidade entre as pessoas. Mas, há males de que o homem não é capaz de perdoar devido a sua temporalidade, então, necessitamos daquile perdão que somente Deus pode fazer.
  O perdão tráz a tona o amor; tal conflito que antes foi estabelecido é depois remetido ao amor. Pois, o mal feito a outro nos remete à distância do amor; mas quando há o perdão, o sujeito tráz a tona o amor que poderia ter desaparecido com o mal que foi feito. O sujeito que perdoa não remete o outro sujeito à rejeição, a censura; ambos ganham com o perdão – necessariamente o ganho vai para a relação amorosa.

Estes e semelhantes sinais, procedendo do coração dos que se amam e dos que pagam amor com amor, manifestam-se no rosto, na língua, nos olhos e em mil gestos de prazer, como se fossem acendalhas; inflama-se os corações e de muitos destes se vem a formar um só.
 (Confissões, IV, VIII).

  A magnanimidade está no alcance de todos; quando se é magnanimo se representa o divino, volta-se para o coletivo –  representa- se o coletivo a partir dele mesmo -, representa o divino a partir de sua própria magnanimidade.
  Esta magnanimidade é quase a representação da ideia da amizade (PHILIA); saindo da diferença, reconhece-se aquilo que é diferente no outro, assim, implica no reconhecimento do eterno – que é a PHILIA. Tal amizade é assim porque tráz a harmonia entre as pessoas, esta se dá por meio da caridade que, por sua vez, visa o bem coletivo, sendo divino e eterno. A magnanimidade, então, é voltada para a caridade.
  O perdão nos desvencilha das perspectivas anteriores remetendo-nos para a magnanimidade, pois quando se aceita a diferença do outro, o sujeito sai da particularidade e retoma o curso da perspectiva futura que visa o bem. A magnanimidade faz o sujeito se voltar para além da diferença por meio do perdão; a relação da magnanimidade amplia-se a partir do perdão, pois é generosidade (GENNAIOS) propriamente dito.

Só há verdadeira amizade quando sois Vós quem enlaça os que Vos estão unidos pela caridade difundida em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
 (Confissões,IV, IV).

  Na medida em que há a diferença mantém-se a perturbação, o conflito; este nos remete à falta da paz e da magnanimidade. A paz (EIRENE) e a magnanimidade não sofrem constrangimentos do conflito uma vez que são efetivadas.
  No determinado momento em que existe o conflito, não existe a EIRENE. É necessário uma perspectiva do perdão que transcenda as diferenças, com a magnanimidade as diferenças não afetam a harmonia, então, na medida em que há o perdão por meio da caridade a perturbação se desvencilha do sujeito.
  Para perdoar é necessário sair de si, ou seja, abandonar a perspectiva passada, da dimensão particular; só é concretizada pela caridade, pois ela possibilita reconhecer as diferenças e auxilia no processo do perdão; transcendendo, assim, para uma perspectiva universal. O amor verdadeiro permite que o homem transcenda a si mesmo e seus atos; as razões para o amor e para o perdão são inesplicáveis, pois esse amor correspondente a caridade implica ao divibo, no momento em que transcende o sujeito para uma perspectiva universal.
  Não só a doçura (HEDUS) das pessoas, mas a beleza encontrada nelas há em Deus. Enxerga-se tais beleas somente pelo plano de fundo divino, ou seja, se reconhece o amor divino uma vez que se pratica a caridade; esta que implica num sujeito magnanimo e generoso, visa a saída do plano particular para um universal, um reconhecimento da diferença alheia, um reconhecimento de uma perspectiva coletiva.

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