Pensamentos em Palavras

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ATEISMO, LIBERDADE, DETERMINISMO E ANGÚSTIA.

Posted by Rafa de Souza em 01/10/2009

Fazia algum tempo que eu já não tinha um espasmo criativo. Aproveitem enquanto dura!

Aliás, ainda não revisei o texto, então para quaisquer erros que existam aí, peço desculpas e prometo consertar.🙂

ATEISMO, LIBERDADE, DETERMINISMO E ANGÚSTIA.

Refletindo sobre a ansiedade — tema que parece muito recorrente em minha mente, nos últimos tempos —, enquanto fumava um cigarro me vieram algumas ligações conceituais.

A questão da existência ou não de Deus é algo que não vem ao caso ser discutida metafisicamente, já que há muito abandonei a esperança de que algo frutífero possa sair dessa discussão, ao menos com o conhecimento atual que é disponível. Então parto do pressuposto de que não existem um, vários, ou até mesmo — e por que não? — qualquer força divina que nos guie enquanto coisa metafisicamente determinante. Sendo assim, o ateísmo me parece um problema que vai muito além de uma simples descrença. Por quê?

“Se Deus quiser”, “seja o que Deus quiser” e “Deus queira” são expressões que são comumente usadas por várias pessoas, mas o que elas querem dizer? É fato que é mais fácil ser comandado do que comandar. Toda a responsabilidade por seus atos desaparece quando se faz algo que é ordenado por outrem: não se pode julgar com o mesmo peso um soldado que mata um civil por ordem de um general, correndo risco de punições, e um general que manda um soldado matar um civil. No caso de Deus, não somos responsáveis por nossos atos, ou, na pior das hipóteses, somos dirigidos para aquilo que uma força divina nos leva. Quando acreditamos em Deus, temos consciência de nossa condição: não podemos controlar tudo que está ao nosso alcance, pois Deus estará direcionando sua mão para onde devemos ir. E isso é simples: podemos viver assim, especialmente se acreditamos que esse Deus é um deus bom que estará nos guiando para o melhor caminho.

Reitero aqui que a importância do que escrevo não é referente a existência ou não de Deus, mas da implicações que está crença tem sobre nós, e sobre nossa visão de mundo.

O problema começa quando, partindo do pressuposto sartreano, tomamos consciência de que somos seres livres, e, portanto, responsáveis por nossas ações, por nós mesmos e pelos outros. Muito disso vem da premissa de que Deus não existe: não há mão sobrenatural que nos direciona, portanto somos nós que trilhamos nossos caminhos ao nosso bel prazer. Podemos tomar o caminho que nos agrada e mais!, podemos modificar o que existe a nossa volta na medida das nossas capacidades humanas. Com esse problema surgem outros piores: o que fazer, para onde se dirigir, quando agir, como agir, para quem, com quem; enfim, problemas éticos. Mas minha intenção aqui também não são problemas éticos — embora devessem, afinal, sou estudante de filosofia, e não de psicologia. Esses, prometo, tratarei mais pra frente!

Podemos transformar o nosso mundo infinitamente, do modo que mais nos comprazer, conquanto dentro de nossas capacidades humanas. Entretanto, não podemos fazer tudo! Posso querer mudar o mundo, mas isso não significa que possa mudar o mundo; alguém pode querer ser um jogador de futebol nível mundial, mas isso não significa que ele possa ser um jogador de futebol de nível mundial. Certa vez, creio que tenha sido o Piva que tenha dito isso, ouvi que Jean-Paul Sartre não se conformava com o fato de ser feio — convenhamos, é um fato inegável —, mas o que isso significa? Significa que é sofrível estar sujeito a algo que não foi cunhado por algo divino, que, portanto, é passível de uma transformação humana, mas que ainda sim esteja fora de nosso alcance enquanto homens. Esse sofrimento, que eu costumo chamar de angústia, mas que é diferente do conceito sartreano de angústia, é intrinsecamente ligado à ansiedade: quero mudar algo, mas não posso!

Para mim, enquanto homem, e ateu, isso é algo que beira o inaceitável: como saio de uma escravidão causada por Deus, mas continuo algemado as possibilidades que a natureza me ofereceu?

Pra longe de ser só um problema filosófico, parece-me algo que deverá ser tratado principalmente num divã ou em um consultório psiquiátrico; mas é algo que ainda persiste como um problema essencialmente filosófico. Existe ou não aquele determinismo natural que pensava Diderot: somos ou não somos livres, até onde nossa felicidade depende das nossas organizações fisiológicas?

Uma resposta to “ATEISMO, LIBERDADE, DETERMINISMO E ANGÚSTIA.”

  1. Paulo Henrique said

    retomando marco aurélio, Deus nenhum vai se prestar a arrumar uma garota pra um mané, não é isso que é a providência do destino. Mas eu acho que pode fazer uma diferença a pessoa, por qual motivo for, continuar a acreditar no homem e no mundo como espaço infinito de possibilidades a se realizar. Se o cara pensa o contrário, ou seja, que não se deve acreditar muito nas pessoas e na vida, o mundo fica pequeno mesmo, obrigado pelo Ten years after, agora e sempre.

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