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Lógica Transcendental – Da Lógica em geral – KANT

Posted by Daniel Baseggio em 08/10/2009

 …Um breve aquicimento antes da prova, uma reflexão a respeito de Kant…

Kant 

Kant conceitualiza duas fontes do conhecimento: a intuição e o entendimento. A Estética transcendental estabeleceu a experiência vinculada com a intuição; nela há o conhecimento empírico, onde o sujeito recebe  passivamente as representações sensíveis. A segunda fonte se detêm na capacidade de conhecer um objeto mediante  as representações, mas, diferente da intuição, que corresponde à passividade, o entendimento é atividade. Nesta via do conhecimento o entendimento trabalha com a espontaneidade do pensamento.
  Na capacidade receptiva temos as intuições, que correspondem ao Espaço e ao Tempo, que são conhecimento intuitivos a priori; enquanto a capacidade de conceber um é ativa no sujeito e diz respeito a espontaneidade do próprio entendimento, vai se debruçar sobre os objetos da intuição para promover o conhecimento.
  Desse modo, o conhecimento necessita das duas fontes do saber para se efetivar, ou seja, para ser conhecimento necessitamos das intuições a priori – Tempo e Espaço – e do entendimento – conceitos. O entendimento lida com aquilo que vêm da intuição; não se trata de pensar um objeto considerado como coisa em si, o entendimento tratará de conceitualizar as representações, ou seja, lidará com os fenômenos intuídos pelo Tempo e Espaço.
  Para a produção de conceitos são necessários os fenômenos, porém, quando intuições não possuem conceitos, ainda são dados, somente não são conceitualizados; as representações lógicas dependem de conceitos para produzir o material do conhecimento, este diz respeito às duas fontes do saber, sem distinção entre ambas.
  A respeito do entendimento, podemos afirmar que ele produz uma ciência de regras próprias; da passagem da lógica geral para a lógica transcendental. A primeira – a lógica geral – corresponde às regras necessárias do pensamento, dirige-se apenas para o entendimento, independe dos objetos da intuição (S é P); é pura e a priori; não investiga a origem dos objetos, mas trabalha somente com as formas do pensamento.
  A lógica transcendental contém objetos da intuição, assim, possuí as duas fontes para o conhecimento; é porta de entrada para a ciência; o entendimento mantêm relação mediata com as intuições, esta (Estética) nos ensina que há intuições a priori – formas puras de Tempo e Espaço – e intuições empíricas – fenômenos, percepções e impressões.
  Assim sendo, é necessário ultrapassar a lógica geral, pois a partir dela não se pode pensar num conhecimento; pelo fato dessa lógica não ter objeto, não nos acrescenta conhecimento algum.
  Na lógica transcendental, a partir dos conceitos formam-se o conhecimento; a intuição e o entendimento são fontes para o conhecimento;  este conhecimento se dá a partir da origem não empírica do entendimento. As representações sensíveis (da intuição) independem da atividade, mas da passividade; o Espaço e o Tempo nos fornecem o conhecimento intuitivo a partir da simultaneidade e da sucessividade. Por exemplo: o movimento da bola de bilhar visto na Estética necessita da representação do Espaço e do Tempo, assim, não apresentam conhecimento, mas sim uma representação do movimento da bola.
  Porém, as representações conceituais dependem da atividade do entendimento na formação do juízo. O entendimento liga o que é apresentado no diverso do Tempo e do Espaço, faz com que haja um único conceito. Pelo mesmo exemplo da bola de bilhar, o canceito de causa liga-se ao efeito do movimento da bola, assim, os conceitos são sempre puros; são uma unidade de várias representações.
  O entendimento é, então, atividade do pensamento; a lógica geral também é atividade do pensamento, mas trabalha do ponto de vista formal com objetos, ou seja, não possuí vinculo com a intuição. O conhecimento se produz a partir do entendimento vinculado com a intuição. Portanto, a lógica transcendental proporciona as regras para o funcionamento da Natureza, as regras da Razão e do entendimento.

5 Respostas to “Lógica Transcendental – Da Lógica em geral – KANT”

  1. Paulo Henrique said

    grande Immanuel: “A preguiça de muitos homens faz com que eles prefiram seguir as pegadas dos outros, ao invés de fazer uso do seu próprio entendimento. Tais homens só podem ser as cópias dos outros. Se todos fossem assim, o mundo permaneceria eternamente no mesmo lugar. Por esse motivo, é necessário e muito importante que a juventude, como freqüentemente acontece, não se torne simples imitadora” (Kant, Lógica, IX, p. 76).

    • Muito peculiar Paulo, Schopenhauer afirmava que a filosofia não se faz pela imitação, pela MÍMESE de outros pensadores,afirmava que aquele que vive a vida inteira debruçado sobre as obras dos outros não advém de fazer filosofia; é necessário que façamos algo de novo!
      Por parte ele tem razão, mas, como fazer algo de novo sem nos apoiarmos em algo antigo. Ou melhor, como edificar um conhecimento sem bases nas quais sejam sólidas?

      Abs Paulo

      • Fábio said

        Minha dúvida é se Kant de fato diria isto sem a acuidade de saber que precisamos buscar o conhecimento em outros. Mas será que ele não alertava para o risco de ficar enfurnado em gabinetes e cair no risco de se envaidecer por apenas saber repetir e se considerar distante do senso comum? Descartes desabafa em sua obra “Discurso Sobre o Método” o seguinte: “É por isso que, tão logo a idade me permitiu de livrar-me da submissão a meus preceptores, abandonei totalmente o estudo das letras. Decidindo não procurar mais outra ciência, além daquela que poderia encontrar em mim mesmo ou então no grande livro do mundo, aproveitei o resto da minha juventude para viajar, para ver cortes e exércitos, para frequêntar pessoas de diferentes índoles e condições, para recolher variadas experiências, para pôr à prova a mim mesmo nos encontros que o destino me oferecia e, por toda parte, para refletir sobre as coisas que se apresentavam diante de mim, a fim de que eu pudesse tirar algum proveito delas. Na realidade, parecia-me que poderia encontrar muito mais verdade nos raciocínios que cada um conclui no que diz respeito aos negócios que lhe interessam e cujo desfecho, se julgou mal, deve puni-lo logo em seguida, do que naqueles que um homem de letras faz em seu escritório sobre especulações que não produzem efeito algum e que não trazem outra consequência, a não ser talvez a de lhe proporcionarem tanto mais vaidade quanto mais distantes estiverem do senso comum, por causa do outro tanto de espírito e artifício que necessitou empregar no esforço de torná-las prováveis. Além do mais, eu sempre tive um enorme desejo de aprender a distinguir o o verdadeiro do falso para ver claramente em minhas ações e caminhar com segurança nesta vida.” DESCARTES, René. Discurso Sobre o Método. Grandes Obras do Pensamento Universal – V.10. São Paulo: Editora Escala, 2006. p.19.

  2. Carlos eduardo said

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. Gerson Samoma said

    Interessante

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