Pensamentos em Palavras

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SONETO VII

Posted by Rafa de Souza em 30/10/2009

SONETO VII

Ardor em firme coração nascido,
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado:
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando cristal em chama derretido:

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
mas aí, que andou Amor em ti prudente!

Pois, para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.

(Gregório de Matos)

Uma resposta to “SONETO VII”

  1. the wretched said

    Gregório é sempre bom! Sarcástico até nas dores. O codinome dado a ele é sentido único e exato: Boca do Inferno, a mais desejada, quente e sedenta!

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