Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

Prova da existência de Deus em Tomás de Aquino

Posted by Daniel Baseggio em 23/11/2009

 

A grande diferença entre a filosofia de Agostinho e a de Tomás está explícita na prova da existência de Deus. Em Agostinho é possível e desnecessário, enquanto para Tomás a prova da existência é possível e necessária.

 Na relação entre potência (DYNAMIS) e ato (ENERGÉIA) – essência (ESSENTIA) e existência (ESSE) – há uma relação entre a divindade e suas obras; entre a origem e o fim; entre a causa e o efeito. Conhecendo a obra podemos conhecer o criador, este conhecimento da relação se manifesta no efeito da causa invisível.
 Desse modo, podemos através da obra ter algum conhecimento do criador; a partir das coisas que exprimem sua ESSE podemos conhecer sua ESSENTIA. No entanto, mesmo o conhecimento da obra não traz o conhecimento completo de criador, há sempre o conhecimento aberto em novas perspectivas, em novas obras de algo que não conheço plenamente. Mantendo o laço de amor – desesperado (no sentido próprio da palavra) – com aquele que não conheço plenamente, trazemos a tona a perspectiva da confiança efetivada em um contínuo diálogo com o desconhecido.
 Segundo Agostinho, o conhecimento que temos de Deus também se dá a partir da confiança e do amor. Para conhecer a Deus necessitamos da experiência mística. A ascenção da experiência pode ser dada pelo perdão.
 Tal movimento de ascensão mística se dá, primeiramente, do exterior para o interior do sujeito, e, dele implicando para o superior. Essa experiência se passa pela renúncia de si, a união com o divino promove essa renúncia. Em Agostinho o conhecimento da ESSE de Deus necessita da verdade, da fé e do amor; não se trata somente da Razão, mas necessita do conhecimento da relaçãoe  da passagem do múltiplo. A partir desse múltiplo, em um movimento de auto compreensão, na saída da perspectiva particular para o universal, o sujeito se reconhece como parte do Uno reconfigurando seu ser. Uma vez passado pelo movimento místico não se necessita mais da prova da existência de Deus, em Agostinho essa prova se torna desnecessária.
 No entanto, em Tomás, a prova da existência de Deus é necessária mesmo não sendo totalmente evidente para o homem. Se o sujeito fosse agir somente sob estado de ascensão, a ESSE de Deus não seria comprovada e manifesta para aquele que não encontrou esse estado místico. Desse modo, podendo as obras serem conhecidas pelo sujeito, mesmo sem ascensão mística,  pode-se abrir a perspectiva para conhecer a ESSE de Deus.
 A evidência das obras idica  aquilo que advém do criador invisível; por conseguinte, pela evidência podemos obter o conhecimento da obra para, posteriormente, introduzir a fé e o amor. Esse conhecimento sempre se mantêm em aberto, pois a ESSE de Deus não se esgota; tal perspectiva sempre implicará na abertura, no amor, assim como a perspectiva sempre se mantererá presente.
 Portanto, por conta disso, pelas evidências, pelas obras, tarna possível conhecer a ESSENTIA de Deus, pois na medida em que tais obras manifestam a ENERGÉIA de Deus, e o conhecimento da ESSENTIA advém do conhecimento da ESSE, quando obtemos a abertura constante da pespectiva de suas obras conhecemos a ESSE de Deus.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: