Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

A questão teológica subjacente na filosofia de Bacon

Posted by Daniel Baseggio em 09/03/2010

 

O problema que encontramos explícito na filosofia de Bacon, de cunho teológico, advém desde a tradição e consiste na seguinte pergunta: como reconquistar o domínio da natureza, depois da corrupção do homem ao pecado original? Trata-se de compreender a interdição sobre o homem de compreender a natureza devido o pecado original estar impresso nele.
 No âmbito metafísico e teológico é o pecado original que impede que o homem possa conhecer a natureza. Paolo Rossi, comentador de Bacon, apresenta referências bíblicas presentes na filosofia baconiana; por exemplo a chamada PARASERVE (prescrição do sábado) e a BENSALEN (nome da ilha da Nova Atlântida); “as obras e as atrações têm fundo metafísico e religioso“.
 O motivo do pecado, apresentado por Bacon, consiste na tentação da pretensão de igualar o conhecimento com o conhecimento divino, pelo conhecimento do bem e do mal. Foi estimulado pela oportunidade do saber e, por isso, foi punido com a separação de Deus devido o pecado se inserir na natureza humana. Então, o problema está na pretensão humana à ciência do bem e do mal; o problema se encontra no âmbito ético.
 Antes do pecado o homem tinha capacidade de refletir a natureza, com a queda veio a corrupção. Isto afirma Bacon:

Pois a mente do homem está longe da natureza de um espelho claro e liso, onde os raios das coisas deveriam refletir de acordo com a sua verdadeira incidência: não, é como um espelho encantado cheio de superstição e impostura se ela não for liberada e corrigida.
(Advanced of Learning)

 Em minha interpretação da passagem, quando o homem era um “espelho claro e liso” havia-se um pleno conhecimento da natureza; a “reflexão” mostra a imagem nítida da natureza, sendo de acordo com o que é porque ele é “liso“; quando o homem se torna um “espelho encantado” apresenta uma forma errônea e mesclada de um juízo cheio de preceitos para com a natureza; é fundada na “superstição” quando estamos inclinados em nossos próprios prejuízos, implicando, assim,  numa “impostura” fundamentada em método para acarretar conhecimento da natureza. Uma vez “liberada” a mente dos prejuízos, está corrigida a volta para o método do “espelho liso“, ou seja, sem essa inclinação errônea de conhecer a natureza podemos fundar um método longe dos prejuízos e do pecado original.

O verdadeiro fim do conhecimento é a restituição e a restauração do homem à soberania e ao poder que ele tinha no primeiro estágio da criação. Para falar com clareza e simplicidade, esse fim consiste na descoberta de todas as operações e probabilidades de operação: desde a imortalidade até a mais desprezada arte mecânica.
(Idem)

 Bacon, portanto, faz uma distinção entre filosofia e teologia: a teologia está relacionada com a palavra de Deus; a filosofia está relacionada com as obras de Deus. Do ponto de vista do homem à obra, só esta pode ser conhecida; enquanto as causas primeiras, a verdade, a vontade de Deus, é inalcansável. A penas conhecemos os efeitos da obra de Deus. Pela fé e pela religião o homem pode recuperar a justiça perdida antes com a corrupção; pela nova filosofia, o homem recupera o conhecimento das segundas causas, os objetos da natureza. Tudo isto a partir da instauração do novo método baconiano.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: