Pensamentos em Palavras

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O mal estar na civilização – c.1

Posted by Daniel Baseggio em 10/10/2010

 Freud – O mal estar na civilização
Capitulo 1

 Freud começa sua obra apontando a necessidade das pessoas que buscam falsos padrões de avaliação; substituem aquilo que é importante para a vida, pois buscam padrões que são diferentes entre os próprios homens, por exemplo: alguns tem a necessidade da admiração, enquanto outros não. A minoria das pessoas estimam aqueles que se afastam dessa busca, já a grande maioria estima as pessoas afortunadas.

 Em algumas correspondências, há  a presença da discussão acerca da religiosidade; o amigo de Freud afirmava que a religiosidade é um sentimento peculiar, um “sentimento oceânico”  (perseverança), um sentimento de algo ilimitado, mas não universal; é puramente subjetivo e não faz mensão à imortalidade da alma. Esse sentimento religioso independe da religião.

 Freud, porém, não experimentou esse sentimento religioso; o autor afirma que não há como cientificar um sentimento, a fisiologia pode apenas caracterizá-lo. Ele aponta a ideia que pressupõe o vínculo do homem com o mundo, a religiosidade é um consolo para o sujeito preso no mundo, seu vínculo com o mundo é, porém, inquebrável. O filósofo não nega a existência desse sentimento, mas afirma que a posição de seu amigo não é totalmente racional porque está inclinada para seus sentimentos.

 Ele tentará justificar o sentimento religioso dirigido para o mundo, pela psicanálise. Inicia sua reflexão com a certeza do eu, não um eu cartesiano, mas, o próprio ego: o ego demarca uma linha entre a interioridade e o mundo. Entretanto, no auge do amor essa linha é apagada implicando numa consideração do mundo e do ego como uma coisa só; o amor propicia às perturbações que a patologia, em seus estudos sobre as inclinações, nos familiarizou.

 Há uma diferença entre o ego adulto do ego infantil; por exempli, uma criança recém nascida não distingue o ego do mundo, vai fazê-lo gradualmente, o ego é contrastado com um objeto exterior. Logo, ele descobre a distinção do ego com o mundo quando visa afastar aquilo que lhe causa sofrimento; afasta-se do desprazer voltando para si, separando o ego do mundo. Às vezes o prazer se encontra interno, ou, em cortar um desprazer interno para obter um prazer externo. Diferenciar o ego do mundo possibilita a defesa contra o sofrimento; tal conhecimento é o ponto de partida para conhecimento dos distúrbios patológicos.

 O ego separado do mundo externo abandona o sentimento de religiosidade; quando não se separa, mantém a religiosidade e o ego continua com seu vínculo com o mundo. Os homens estão intrescecamente ligados com o mundo, mesmo se o ego se desvincular com ele.

 Na esfera mental não há esquecimento, por meio de uma analogia com a história de Roma e seu passado Freud vai tentar justificar o passado mental onde, em Roma, hoje observamos o Coliseu, anteriormente era a Casa Dourada de Nero; sugere-se que o que muda é a forma, mas o plano nunca deixou de mudar; tudo o que existe, existe ao mesmo tempo. Pode-se perguntar o porquê escolher o passado de uma cidade, pois este é um exemplo inapropriado para justificar o passado mental, ou melhor, a memória.

 O passado é preservado na vida mental, o ego não apaga o que era antes. O “sentimento religioso” (descrito pelo amigo de Freud) implica no sentido primitivo do ego – na sua junção de ego com o mundo. Logo nos aparece a seguin te questão a ser feita: que direito tem esse sentimento de ser considerado como fonte das necessidades religiosas? Tal sentimento não é obrigatório, é passageiro desde a infância, a não ser que ele seja sustentado com uma espécie de medo do Destino (neste caso prolonga-se para a vida adulta). A necessidade religiosa é um desamparo infantil, serve de conforto para o ego ameaçado pelo mundo externo, o sujeito rejeita o desprazer ao invés de afastá-lo.

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