Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

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Ao companheiro mal-agouro

Posted by Rafa de Souza em 13/06/2011

E se ouvisses as coisas da tua morte em própria vida?

E se um decaído do Céu te abraçasse afim de consolar teus tormentos presentes e futuros?

E se tua alegria abandonasse os teus passos só para ver-te em mágoa?

E se teus dias te fossem doridos mais que a brasa fervente nos olhos?

E se dissessem que o amor de seus quereres te fosse embora sem dizer adeus?

 

O peso dos pesos é o passado que teima em ficar;

É a roda infindável dos dias;

Um Prometeu sob a ira dos deuses.

 

– A morte como consolo, acaso quererias?

 

RAFAEL DE SOUZA

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Atenção camaradas!!!

Posted by Rafa de Souza em 06/04/2011

Amigos filósofos, estava apresentando o nosso blog a um camarada e Professor de história que conheci aqui no colégio que dou aula, seu nome é Gerson. E ele queria a nossa opinião acerca do seguinte tema:

Qual é a nossa visão a respeito do materialismo histórico (marxismo)? Ele gostaria de saber principalmente a opinião do Daniel (Salve, Dan!) e gostaria de saber mais sobre a opinião de racionalidade, sendo que a visão da racionalidade moderna está baseada no que as elites intelectuais consideram como racionalidade.
Raciocinamos por nós mesmos, ou pelo que os “grandes” intelectuais acreditam ser racional?
Para ser racional é necessário tempo e capital. Sendo assim, será que a classe trabalhadora tem esse tempo para ser racional?
Será a racionalidade previlégio de alguns?

Rapaziada… temos um problemão aqui!!!

Abraço!!! E me ajudem a responder com claridão!!!

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Dores, pesares e todo o mais…

Posted by Rafa de Souza em 21/03/2011

Acorporado

 

Era uma tarde cinza, fruto de uma manhã triste e igualmente cinza. Uma tarde após um dia de trabalho maçante e nada produtivo. Uma tarde cuja chorosa luz, por puro capricho, penava em seder seu lugar à noite de promessas frias e lancinantes.

Recebera, nessa mesma tarde, um telefonema nada confortável e sentiu-se ainda mais sufocado e oprimido naquela atmosfera densa:

 – Não venha. Preciso pensar.

Sempre temera frases curtas. Dessa vez o temor associou-se ao desespero. Acometido por uma terrível melancolia, escondeu-se em um cigarro intragável que empesteava o banheiro coletivo com uma fina neblina deprimente.

Lavou o rosto. Olhou-se no espelho. Notou-se mais velho. Lembrou-se da voz quase robótica ao telefone. Perdeu-se no tempo. Odiava ainda mais as frases curtas.

Voltou ao trabalho. Filósofo, esforçava-se quase ao infinito para lecionar. Lia Nietzsche – a tarde cinza vinha a calhar. Atrapalhou-se com as frases. Do além-do-homem restava-lhe muito pouco ou quase nada. De seus alunos ouviu uma ou duas frases rancorosas e sentiu-se pesadamente liberto: organizou seus livros, e sonoramente, passo após passo, foi-se da aula sem alarde e sem o “muito obrigado” já tradicional.

Sentou-se no carro como quem lança-se sobre um colchão. Sentia a tensão que ofuscava-lhe a dor. Movia-se com vagar. Trafegava como um ébrio, mas destinguia tudo ao seu redor – sabia o que era o outro, só não sabia o que era seu.

Quando a luz cinzenta da tarde entregou-se insolúvelmente ao negrume da noite vazia, chegou-se em seu sofá. Acompanhou-lhe a Vodka, já tão amiga. Lembrou-se da correspondência: algumas frases embaralhadas era tudo o que destinguia. Deixou-se estar. Forçou-lhe o sono. Pestanejou como quem luta contra um mal sem cura, mas sucumbiu ao fim.

Teve uma ou duas horas de sono confuso. Despertou-lhe, estridente, o telefone:

– Está tudo pensado. Vou-me embora de ti. Boa noite.

Calou a voz. Pensou em matar-se. Pensou em matar. Pensou…

            Programou seu relógio para as seis da manhã. Levantou-se, tomou um café sem data que amargalhou-lhe a língua. Ensaiou grande fúria, esboçou revolta. Trancou-se no mundo. Deu partida no carro. Sujeitou-se ao chefe. Deu bom dia à classe e abriu os silogismos de Ciorran na página sete.

Anos mais tarde deixou o niilismo. Lembrou-se da voz. Consolou-se com  Cristo – engoliu sua ira. Morreu de velhice.        

 

Rafael de Souza

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Sobre a Traição…

Posted by Rafa de Souza em 02/04/2010

 

Ao Excremento Metafísico 

Só mesmo no seio do nada metafísico

Podemos apreciar uma imensa trama de traições.

A honradez, a confiança e a sinceridade

Pertencem aos que nada crêem, e aos que nada são

Além do alcance da visão.

 

– Quimera, tu mereces os vermes e a merda!

 

Seria eu brando demais se desejasse apenas o seu esquecimento,

Por isso desejo-te a vida,

A vida entre os tormentos e excrementos,

Entre as dores e a imagem de teu carrasco:

Sou eu, quebro-te dedo a dedo,

Perfuro-te os olhos, cauterizo-te o ânus,

Ferro-te os pés – feito as patas de uma besta!

 

Sou a folha que mata a raiz,

E em verde tom, continuo vivo, filósofo e feliz.

 

RAFAEL DE SOUZA

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Mais um aforismo

Posted by Rafa de Souza em 29/01/2010

Os melhores poemas de amor, são aqueles que não precisam de letras, papeis e canetas para serem escritos; mas que, mesmo assim, duram a eternidade, vagando de boca em boca.

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Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Posted by Rafa de Souza em 28/01/2010

Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados
das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema V”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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Sade e o homem – deus

Posted by Rafa de Souza em 24/01/2010

Sade e o homem – deus

“– Vai – diz ele, queimando- lhe o cérebro – vai levar noticias minhas ao outro mundo, vai dizer ao diabo que Dalville, o mais rico dos celerados da terra, é aquele que afronta mais insolentemente a mão do Céu e a sua.”
(Sade, D.A.F. Os infortúnios da virtude. Tradução, Celso Mauro Paciornik. São Paulo, Iluminuras, 2009.)
Não raramente a imagem de Sade é associada a um levante contra o trono divino, afinal, Sade é um dos maiores – senão o maior – representante do ateísmo em toda a história da filosofia. A pena do Marquês, sem duvida alguma, foi autora das principais sátiras contra as quimeras teísta e deísta. E basta um simples olhar sobre a história para perceber que a revolta de Sade contra as “metafísicas divinas” tinham realmente um cunho de necessidade e revolta.
Não se faz necessária uma grande empreitada para descobrirmos os porquês do ateísmo de Sade, basta apenas um olhar criticamente razoável pelo século de Espinosa e pelo século de Diderot e sua condutora “mão divina” para ratificarmos a radical fúria de Sade contra os obesos aproveitadores das abadias do velho mundo: carnificina, latrocínio e vandalismo contra as obras da humanidade, satanização do corpo, opressão às mulheres, alienação do homem; tudo isso é obra do corpo místico de Cristo: a santa mãe igreja.
Apesar de tudo, a obra sadiana revela uma imensa busca pela divinização, não a divinização de uma quimera – como fizeram os tonsurados medievais – mas a divinização do próprio homem. O homem em Sade, de certa maneira, ganha traços divinos e onipotentes, basta debruçar-se um pouco sobre a literatura sadiana para identificar semelhantes traços: Dolmancé , portador de traços finos e elegantes, gostos requintados, mente fria e calculista, enfim, todos os traços de um deus, mas um deus pagão; Duque de Blangis , seus traços são belos e robustos, seu porte é sobre humano, sua força é descomunal, um verdadeiro Hércules, não fosse uma pequena imperfeição – como todos os deuses pagãos – possuía uma covardia imensa. Sim, o estereótipo do divino sadiano de modo algum se assemelha ao deus da cristandade, mas sim aos deuses do Olimpo: os deuses do imperfeito.
Todos os heróis da literatura sadiana são figuras imponentes como deus, mas corruptíveis como o homem. Porque então há em Sade essa supremacia do paganismo sobre a religião dos peregrinos de Jerusalém? Seria Sade um novo profeta que deseja ressuscitar a velha religião dos pagãos? Devemos, portanto, esclarecer paulatinamente as idéias incendiárias sobre o divino e o humano concebidas pelo Marquês de Sade.
Em sua obra inaugural – Dialogo entre um padre e um moribundo e outras diatribes e blasfêmias – Sade retrata uma pequena, porém produtiva conversa entre um sacerdote ministerial da igreja de deus com um velho sectário do ateísmo materialista à beira da morte. É demasiado conhecida a fama da conversão às delicias do Céu no momento último da vida de um libertino – as promessas de vida eterna no paraíso ou nos tormentos do inferno são de fato sublimes e assustadoras respectivamente -. Mas para o herói moribundo de Sade, a filosofia escolástica é retrógrada e contrária às leis naturais à qual todo homem é escravo submetido: “Não se pode crer no que não se compreende. Entre a compreensão e a fé deve haver relações imediatas. A compreensão é o primeiro alimento da fé. Onde a compreensão falha, a fé está morta. Tudo o que ultrapassa os limites do espírito humano é quimera ou inutilidade .”
Ao contrário do que se pensava, a filosofia sadiana é a filosofia da escravidão, afinal tudo no universo, principalmente o homem – devido ao fator consciência – está subordinado e tiranizado pela natureza. O homem – rico ou desprovido – é aos olhos da natureza, simplesmente uma configuração, um aglomerado de matéria, que ao acaso foi gerado pelas mãos dessa “mãe comum”; aos olhos dela, a configuração humana, de modo algum, é mais cara ou barata que a configuração de um verme ou qualquer outra configuração. Portanto ao homem – segundo Sade – resta apenas “colher algumas flores sobre os espinhos da vida.” Porém, a subordinação humana à natureza, para Sade, não é motivo de fraqueza e depressão, e sim de sofrimento pela situação de limitação, pois as leis naturais não permitem muitas vezes a total efetivação da potencia dos desejos do homem: “… eu viajava; o universo inteiro não me parecia vasto o suficiente para abrigar a extensão de meus desejos; ele me apresentava limites: eu não os desejava.” O homem sadiano é um guerreiro que ama e odeia a natureza: ama-a, pois ela é indiferente ao sofrimento alheio; odeia-a, pois ela é a maior e mais cruel déspota do universo.
O homem sadiano, é a pedra angular de uma filosofia materialista rigorosa; o homem sadiano é um fim para o místico contemplado no velho mundo. Ora, o deus todo poderoso, aquele que divide as águas do mar vermelho, não é páreo para os deboches, para os escárnios freqüentes e ritmados dos heróis da literatura de Sade. Na alcova lúbrica de Madame de Saint-Ange quando o panfleto “franceses, mais um esforço se quereis ser republicanos…” é recitado em alta voz pelo Cavaleiro de Mirvel , percebemos então o fim dos deveres de todos os cidadãos da república sonhada por Sade para com o deus doente dos aproveitadores judaico-cristãos. São evidentes os males que um deus que coroa os fracos e pune os fortes podem trazer a uma nação que sonha com a soberania. Um deus de semelhante caráter só pode levar uma nação de guerreiros – a França republicana de Sade – à pusilanimidade e destruição. É justamente por esse fato que os deuses da literatura sadiana são os antigos deuses pagãos greco-romanos, afinal esses deuses são o reflexo de povos grandiosos, conquistadores, impiedosos e cultos.
Embora fique clara a admiração de Sade pelos deuses da antiguidade clássica, é evidente que nosso “divino” marquês não deseja, de modo algum, um culto solene a nenhuma divindade, afinal a inserção de um culto em lugar de outro seria o mesmo que depor um rei para se submeter a outro, e, além disso, um deus – ainda que semelhante aos homens – não passa de uma quimera, porém a quimera greco-romana é infinitamente mais gloriosa e inspiradora que a quimera fraca e ressentida do povo escravo do deserto: um deus de escravos em nada inflama o coração de um povo sedento pelo poder; um deus de escravos serve apenas para consolar uma nação de escravos. Fica claro então que Sade usa os deuses da antiguidade apenas como modelo e padrão para os homens de uma nova e livre nação e não como novos altares onde o incenso a ser queimado é a própria felicidade do homem. Sade é a representação, por excelência, da ebulição e energia de um novo tipo de homem: o livre, o intenso e libertino “homem – deus.”

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j’ris pas, j’pleure pas et j’dis rien

Posted by Rafa de Souza em 21/01/2010

Vi isso aqui ontem, em uma revista francesa. São de Claude Lévêque.

Eu não rio;

Eu não choro;

Eu não digo nada.

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A imagem mais distante do universo.

Posted by Rafa de Souza em 09/12/2009

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Gilby Clarke – Tijuana Jail

Posted by Rafa de Souza em 07/12/2009

Música boa pra começar a semana

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