Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

Archive for the ‘Poesias’ Category

Difícil achar o dia

Posted by Daniel Baseggio em 06/04/2010

 Dificil encontrar no dia
aquela companhia inesquecível
que a tanto tempo sonhava com a ida
para o encontro definitivo.

 Difícil encontrar na hora
aquele momento que jaz felicidade,
e, de fato, chove agora
de tantas nunves de saudade.

 Incriível se este for o dia,
dia em que parei por um tempo
e te fiz em um momento em minha vida
sentir o dia mais lento.

 Dificil achar o dia em que não chore
em que os raios não te encomode
que os turbilhões que lhe core
agora chamam o meu nome.

Graças a deus chegou meu dia

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Para desamor

Posted by Daniel Baseggio em 29/03/2010

“É tão mesquinho afirmar que está tudo bem
E se enclausurar nesta definhadora solidão
O amor hora encontrada em cem
Agora parece incluso nesta colocação
Ora, Pink tinha razão
Esses tijolos do muro me separam de ti
Sua falta, sua demanda, minha busca em vão
Meu amor, meus versos, minha última estação
Não preciso de vermes me ondulando
Não preciso de lágrimas ou risos me comovendo
Quando ele quebrar espero estar viajando
Pois, caso contrário acabarei morrendo
Esse muro está quase erguido
Ninguém saberá desse meu julgamento
O andamento dessa melodia
Que entre o dia me traz o lamento
Agora o vento, o muro e meu coração partido”.

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Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Posted by Rafa de Souza em 28/01/2010

Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados
das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema V”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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Aos fantasmas do passado

Posted by Daniel Baseggio em 20/01/2010

“Às vezes ele retorna,
com força, a mente toma.
 Causa impestuosos tormentos,
mas, simplesmente não lamento.

Quando a febre esvai, a dor passa,
não questiono o fantasma que me laça.
 Sinto a palidez da mulher querida,
indo de encontro nas velhas feridas.

 Querido véu que cobre sua face,
larga minha mão, arranca seu desfarce.
 Deixa-me ver o rosto seu,
deixa eu tomar seu amor como sendo meu.

  Coloca minha vida de volta, fantasma.
saia de baixo da minha cama, crie suas asas
 Cedo ou tarde irei te ver,
amor ou sonho, esperança, desespero, tudo ou nada com você.

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Saudades

Posted by Daniel Baseggio em 06/01/2010

Ainda escuto o som do vento,
 balançando as árvores;
Ainda em pé me aguento,
 só o bastante para não fraquejar;
Parado, imóvel esperando o tempo passar,
 forjar a hora que você possa retornar.

As melodias que tentei recordar,
 colocaram-me numa posição de atordoar.
Como esquecer o tempo que não faço voltar;
 das manchas e dos bejos que por você fiz jogar.

Armo minha barraca e aguardo,
 espero atento para te reencontrar;
Toda e qualquer saudade que você me causa,
 não diminui, só aumenta por aquela que devo amar.

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Rosa de Hiroshima

Posted by Daniel Baseggio em 22/12/2009

…Um momento de inspiração…

“Olhos de menina e corpo de mulher,
você é minha deusa, meu bem me quer.
Dou-lhe essas flores e a minha vida,
para minha rosa parda de Hiroshima.

Rosa tão formosa deste meu jardim,
que por ti sou louco, mas, sou mesmo assim.
Levo minha vida e tiro meu chapéu,
para seus olhos doces que parecem o céu.

 Trago a ti um buquê para você falar para mim
que o amor é lindo, com você é assim. 
 Que aquela que é a minha rima
é a minha rosa parda de Hiroshima.

 Que não seca, não cai,
que te rego quando beijo, você não esvai.
 Ao passar meu amor, consigo sem dor
vislumbro sua cor, preso contigo sem temor.

 Oh rosa, tão bela e formosa,
sejas tu a luz deste jardim, conduz a vida e a mim.
 Ainda que não pudesse dizer, 
minha rosa de Hiroshima tende a crescer
 E todo amor do mundo com ela se chama
e minha rosa, sem demora, a mim ama”.

…Para meu grande amor…

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Para aquilo que foi feito

Posted by Daniel Baseggio em 08/12/2009

O que há de novo;
no que pra mim parece um jogo.
Seu desdém chega perto;
sua falta de desejo não me convém.

Me diga onde peco,
onde as injúrias que penso, que falo, que sinto.
As palavras sem eco,
refletem que não minto.

Hoje eu queria te abraçar,
dizer ferozmente “te quero”;
Mas, contudo, ainda poderei calar;
aquilo que jaz de pranto quando te espero.

É, quem disse que tal seria fácil,
nesse jogo de amar e ser amado
Minha flor não me diz ser hábil;
no entanto, amor, ainda estou calado.

…Somente um devaneio para calar-me, somente uma razão para esfriar as emoções, como poderei ser um homem da Razão com um ser poético dentro? Mas, não muda o fato. A poesia tem o nome daquilo para quem foi feita; consigo vêm toda e qualquer pureza. A poesia exprime, no mais singelo íntimo, a beleza e emoção.

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SONETO VII

Posted by Rafa de Souza em 30/10/2009

SONETO VII

Ardor em firme coração nascido,
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado:
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando cristal em chama derretido:

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
mas aí, que andou Amor em ti prudente!

Pois, para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.

(Gregório de Matos)

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Naufrágio….

Posted by Rafa de Souza em 21/10/2009

É triste, mas é assim: tudo há de ter um fim
Nossas vidas afastam-se mais e mais.
Ficas vendo parada, na beira do cais
Enquanto corres, dos teus próprios medos.
Olhamos a tragédia, estáticos e calados,
Com olhares febris, sem deixar de chorar.
Deixa ser… deixa o nosso barco naufragar…
Talvez seja o melhor, ainda que seja o fim.

Renato Gonçalves Toso

2009/10/21

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Viagens

Posted by Rafa de Souza em 09/10/2009

Un voyage pour oublier le passé

Un voyage pour oublier les jours du passé et créer un nouveau futur

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Para Além da Curva da Estrada

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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