Pensamentos em Palavras

Só mais um blog na internet…

é o último

Posted by Daniel Baseggio em 21/11/2010

 A última música começa,
vêm cavalgando em suas ondas furiosas
deixando para tráz rastros e cascalhos
perdida em uma consoânte atônita

 Uma última palavra, um último adeus
uma nova chance para se aventurar na tormenta
montar na próxima onda do mar
e assim a árvore começa a enxergar

 Como poder olhar em seus olhos?
 Como fixar meu cérebro em não viajar?
 Como voltar pelo mesmo caminhar?
 
 Olhe, veja o que eu quero lhe mostrar:
sinta o meu jeito de falar da vida…
ela está perdida assim como a última lembrança,
que destruída e em ruína as esperanças.

 E enquanto rola a última ceia, a última música viaja;
e na sua última palavra, desgraçada, invalidou meu dia;
o último adeus deixou aquela velha e última lembrança:
 – que o dia da última injúria já passou – falou o último homem livre!

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Smashing Pumpkins – Rhinoceros

Posted by Myrna em 15/11/2010

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Harbert Marcuse – Eros e Civilização

Posted by Daniel Baseggio em 03/11/2010

 Prefácio Político 1966

No Prefácio Político de 1966, Marcuse nos apresenta como objetivo o de aprender a utilizar os meios de comunicações das Instituições para moldar o mundo sem restrições aos Instintos Vitais de seus indivíduos. As pessoas acham que suprem suas carências no sistema de dominação que se perpetua; a própria tecnologia que deveria tornar a sociedade mais amena em sua luta pela existência, reprime o indivíduo transformando o seu meio, faz parecer que as diferenças sumiam graças a aparente satisfação de carências criadas por autoridades que não justificam seus fins – satisfazem a energia sexual e agressiva de seus súditos.

Aos que nascem dentro deste sistema de instituições que reprimem de um lado e procuram satisfazer do outro, pelo consumismo, tem que se acostumar aos requisitos desta realidade. A repressão instintiva reproduz este sistema de consumo, onde a atividade libidinal é voltada para uma satisfação imediata; as Instituições direcionam as considerações libidinais de seus indivíduos, e “podem ativar e satisfazer a agressividade na dimensão profunda do inconsciente”. O povo deveria se voltar contra, pois é manipulado pela repressão, possuem uma liberdade pressuposta em sua ignorância e sua própria impotência.

Um exemplo demonstrado nos anos 60 é a pressuposta liberdade sexual; de um lado havia a liberdade sexual – com os hippies e homossexuais – de outro o Vietnã e uma ilusão de produtividade; a mesma consideração pode ser feita pela liberdade sexual na época dos nazistas – havia-se uma aparente liberdade da sexualidade e a agressividade dos atos antihumanitários. Marcuse afirma que esta liberdade transforma a Terra num inferno; enquanto uma parte da civilização cresce, a parte menos afluente se torna passível de eliminação. Tais são eliminadas a que preço?

Os crimes contra a humanidade são feitos em nome de uma “liberdade”. Depois da escravidão fundou-se uma espécie de liberdade econômica em conjunto com a servidão voluntária ao trabalho; a servidão do homem tornou-se algo agradável, passou a se estabelecer uma reprodução da produtividade de repressão. Essa união de liberdade e repressão tornou-se “natural” para a civilização; há uma destruição daquilo que é interno e individual em prol de uma prosperidade como produto de consumo.

Uma inversão do rumo deste progresso está na libertação das necessidades instintivas do Eros “associal”. Com um novo ponto de vista há como evitar a continuidade deste Estado de satisfação aparente, modificando aquilo que causa repressão. A proposta de um novo progresso está na ativação das necessidades orgânicas do homem. No entanto, há uma espécie de utopia de liberdade que aparece sendo remota dentro de nosso contexto; o conflito é contido quando a massa participa dos benefícios que as Instituições promovem; até mesmo a oposição é, de certo modo, “contida”. A revolta dos países atrasados encontra sua realização frente aos países adiantados, acaba gerando uma revolta e uma repressão ao estrangeiro.

A revolta contra a própria repressão encontra seu objetivo na revolta do corpo como máquina; a máquina política, cultural e educacional são objetos da revolta por moldarem os gostos e reprimirem os instintos. Com a falsa impressão de desenvolvimento, e o surgimento da “agressão” dos mais fortes aos mais fracos, a capacidade de matar atinge grandes proporções e incita a uma sociedade de guerra – onde seus cidadãos não notam, mas suas vitimas percebem. A revolta das nações atrasadas irá tentar proporcionar a satisfação das necessidades vitais de seus indivíduos. As nações superdesenvolvidas, porém, se valem de condições ardilosas para perpetuar suas subordinações.

A Revolução que Marcuse cita deverá conter uma inversão da tendência de subordinação dos mais fracos aos mais fortes; além da rejeição à produtividade, poderá significar um estágio superior do desenvolvimento humano. Os Instintos Vitais serão responsáveis pela transformação da natureza.

O Estado beligerante aniquila os mais atrasados, são constituídos por sociedades mais ricas com interesses particulares e que se confrontam; utilizam da tecnologia como forma de repressão; a “agressão” provém da repressão dos instintos, pode gerar uma rebeldia social e uma revolta instintiva. Nesse estado a energia do corpo se volta para uma revolta contra aquele que reprime; a existência dos rebeldes com sua necessidade de libertação e contradição com as sociedades superdesenvolvidas se tornam algo plausível e admissível. Além disso, o papel do herói é glorificado por tal sociedade, cada vez mais “capacita” soldados em uma guerra fútil; para eles, o sacrifício do herói deve  ser imortalizado.

Não há progresso seguro com a ciência e o dinheiro; a agressão desta sociedade pode voltar-se contra o agressor, pois a primeira agressão incita uma cadeia de outras, tanto para aquele que agride como para aquele que é agredido. O Eros desta civilização dá comodidade apenas para aqueles que se submetes a repressão, perpetua a agressividade no sentido da agressão.

Em defesa da vida, Marcuse faz seu protesto contra as guerras criticando o recrutamento, a perpetuação pelos direitos civis e a negação da necessidade de marcas de grifes consumistas. Mas, como unir as esferas eróticas com as políticas? A critica deve transcender os protestos em prol de liberdade sexual (cartazes como: “MAKE LOVE, NOT WAR”): essa libertação esconde uma aparente satisfação, como ocorreu nos anos 60 em meio à guerra do Vietnã; deverá transcender também ao capitalismo sindicalizado, onde os trabalhadores mantêm e conservam o sistema de consumo, defendidos da estrutura social que mantém. Pode-se afirmar, com o caráter duvidoso do futuro, que as pessoas preferem aquilo que já acontece; a ordem estabelecida pelas instituições é forte e eficiente para justificar seus fins.

O controle de massa é efetivado pelo trabalho em tempo integral; o progresso técnico conserva a sociedade já estabelecida, faz suprimir as necessidades a partir do trabalho, a sociedade passa a ser edificada pelo trabalho. A necessidade social passa a se declinar para a mão de obra produtiva. Não há mais fonte de prazer no trabalho; o trabalhador passa a ser improdutivo em sua própria satisfação instintiva. Contra isto a criação de ocupações sem a repressão do trabalho deverá transcender a economia do mercado. O Governo sempre se prepara para as revoltas, organizando os desejos e anseios da população, administram a satisfação da comunidade.

A manifestação de Eros (tomado como prazer e satisfação) não é observada em meio ao sistema repressivo que as Instituições impõem; as finalidades instintivas são satisfeitas dentro do quadro comercial do consumismo. As pessoas dentro deste sistema negam seus instintos de Vida em sua manifestação erótica, a influência lucrativa reprime os instintos. Por um lado, o desenvolvimento econômico valida a ideia da abolição do trabalho – “vida como fim em si mesma” -, por outro lado, enquanto Inimigo interno e externo o desenvolvimento econômico é força propulsora para o “status quo”. O conflito não se dará dentro da esfera econômica, a esfera bélica e militar que protege também destrói. O sistema capitalista se efetiva sob crises econômicas fundamentadas em políticas arrasadoras.

A luta por Eros é uma luta política que se manifesta contra o trabalhismo, contra a mão de obra sindicalizada e do processo material. Trata-se de uma luta em prol dos Instintos de Vida, contra a repressão e contra a produtividade.

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ensaio -01

Posted by Daniel Baseggio em 17/10/2010

 Corriqueiramente acontece o seguinte: as impressões que me vêm devido à casualidade do presente tentam transportar meus pensamentos, modificando a intensidade das paixõe que me assolam; porém, mantenho firme minha posição, uma vez calmo e sereno os pensamentos não serão abalados e postos em declínio. A serenidade deve se manifestar tornando-se um hábito de bem conduzir ao encontro das paixões, não tomando suas representações. Trata-se de repelir-se contra o mundo.

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quando entardecer

Posted by Daniel Baseggio em 12/10/2010

 Lobo ou cordeiro, o que quer que seja
está a imaginar outro lugar;
onde quer que este possa sonhar
 Imagino onde minha alma alcança
o timbre perfeito na onda elevada

 Quer seja, sejas tu bela
que guarda minh’alma, sejas eterna
 Neste amanhecer indomável que traça o dia
 Sejas tu que guarda meus devaneios
traga de volta a criança de outrora
  E diga que sonha agora.

 Acorde, quer dizer viva;
sonhe e sinta o que condença
 A fibra daquilo que te aquece
Sinta e lembre sempre daquele
que abarca com seus medos quando entardece.

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O mal estar na civilização – c.1

Posted by Daniel Baseggio em 10/10/2010

 Freud – O mal estar na civilização
Capitulo 1

 Freud começa sua obra apontando a necessidade das pessoas que buscam falsos padrões de avaliação; substituem aquilo que é importante para a vida, pois buscam padrões que são diferentes entre os próprios homens, por exemplo: alguns tem a necessidade da admiração, enquanto outros não. A minoria das pessoas estimam aqueles que se afastam dessa busca, já a grande maioria estima as pessoas afortunadas.

 Em algumas correspondências, há  a presença da discussão acerca da religiosidade; o amigo de Freud afirmava que a religiosidade é um sentimento peculiar, um “sentimento oceânico”  (perseverança), um sentimento de algo ilimitado, mas não universal; é puramente subjetivo e não faz mensão à imortalidade da alma. Esse sentimento religioso independe da religião.

 Freud, porém, não experimentou esse sentimento religioso; o autor afirma que não há como cientificar um sentimento, a fisiologia pode apenas caracterizá-lo. Ele aponta a ideia que pressupõe o vínculo do homem com o mundo, a religiosidade é um consolo para o sujeito preso no mundo, seu vínculo com o mundo é, porém, inquebrável. O filósofo não nega a existência desse sentimento, mas afirma que a posição de seu amigo não é totalmente racional porque está inclinada para seus sentimentos.

 Ele tentará justificar o sentimento religioso dirigido para o mundo, pela psicanálise. Inicia sua reflexão com a certeza do eu, não um eu cartesiano, mas, o próprio ego: o ego demarca uma linha entre a interioridade e o mundo. Entretanto, no auge do amor essa linha é apagada implicando numa consideração do mundo e do ego como uma coisa só; o amor propicia às perturbações que a patologia, em seus estudos sobre as inclinações, nos familiarizou.

 Há uma diferença entre o ego adulto do ego infantil; por exempli, uma criança recém nascida não distingue o ego do mundo, vai fazê-lo gradualmente, o ego é contrastado com um objeto exterior. Logo, ele descobre a distinção do ego com o mundo quando visa afastar aquilo que lhe causa sofrimento; afasta-se do desprazer voltando para si, separando o ego do mundo. Às vezes o prazer se encontra interno, ou, em cortar um desprazer interno para obter um prazer externo. Diferenciar o ego do mundo possibilita a defesa contra o sofrimento; tal conhecimento é o ponto de partida para conhecimento dos distúrbios patológicos.

 O ego separado do mundo externo abandona o sentimento de religiosidade; quando não se separa, mantém a religiosidade e o ego continua com seu vínculo com o mundo. Os homens estão intrescecamente ligados com o mundo, mesmo se o ego se desvincular com ele.

 Na esfera mental não há esquecimento, por meio de uma analogia com a história de Roma e seu passado Freud vai tentar justificar o passado mental onde, em Roma, hoje observamos o Coliseu, anteriormente era a Casa Dourada de Nero; sugere-se que o que muda é a forma, mas o plano nunca deixou de mudar; tudo o que existe, existe ao mesmo tempo. Pode-se perguntar o porquê escolher o passado de uma cidade, pois este é um exemplo inapropriado para justificar o passado mental, ou melhor, a memória.

 O passado é preservado na vida mental, o ego não apaga o que era antes. O “sentimento religioso” (descrito pelo amigo de Freud) implica no sentido primitivo do ego – na sua junção de ego com o mundo. Logo nos aparece a seguin te questão a ser feita: que direito tem esse sentimento de ser considerado como fonte das necessidades religiosas? Tal sentimento não é obrigatório, é passageiro desde a infância, a não ser que ele seja sustentado com uma espécie de medo do Destino (neste caso prolonga-se para a vida adulta). A necessidade religiosa é um desamparo infantil, serve de conforto para o ego ameaçado pelo mundo externo, o sujeito rejeita o desprazer ao invés de afastá-lo.

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o remédio contra a distância

Posted by Daniel Baseggio em 26/09/2010

“Basta crermos na estação das paixões,
olhar para cima e sentir a fina garoa.
 Vamos estar parados ao nada,
naquilo que não mais te magoa.

 Cruel desamparo da solidão,
saída última para a descarga,
ou uma doce ilusão?
 O que pensar nos dias frios?

 Devia imaginar o quão triste é lá fora;
embora eu saiba que ela ainda está magoada,
não deixo que ela parta nem que fique abalada.
 Tenho o elixir que vai trazê-la.

 Santo remédio és tu, amor.
 Falo para Eros, não pare;
agora a esperança chegou, sem mais dor.
 Traz a minha amada de volta para esta estação,
onde só seu sorriso impede a devastação.

 Sem surpresa, arrependido cão sujo.
 O amor veio com os olhos dela,
com cada lágrima e choro no escuro.
 Você tem para ela a surpresa mais bela:
todo amor do mundo em apenas uma pétala.

 O remédio da distência está todo no coração;
no amor mais puro, em toda sua imensidão.
 Nos levará a felicidade e para a eternidade,
basta segurar minha mão”.

…ela tem todo o arrependimento, sentimento cruel e que nos faz crescer…ela tem tudo o que pode sonhar, porque é ela.

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Outro entardecer

Posted by Daniel Baseggio em 12/07/2010

” Eu sinto no amanhecer um cheiro de relva,
talvez seja o odor da dor do outro dia;
 Dor esta que não se espalha e condiz,
traz a impossibilidade de eu ser feliz.

 Conduzo o carro com velocidade,
subo na calsada, assim, talvez, eu veja minha amada.
 Depressa como um raio desco e capoto,
tão logo se apresente ao sol, como um doce mel.

 Já é meio dia e meus pensamentos mudaram de endereço,
talvez agora eu mate o monstro sem nenhum apreço.
 Ou eu o deixe viver mais um pouco comigo,
só para testar minha solidão, longe de meu amigo.

 Bate a brisa do entardecer, e agora?
Consolido meus pensamentos em direção ao nada.
Naquele dia em que tudo parou, vi pela ultima vez….
as lágrimas da mulher amada.

 De que vale tudo isto? Sigo isento de juizo!
Não penso nas horas que virão…
somnte no coração que parti em vão.
Neste ultimo entardecer espero,
que você jamaisirá me esquecer”

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Poesia Morrison II

Posted by Daniel Baseggio em 09/05/2010

PISTA DO MEIO DIA

“Diz-lhes que vieste, viste & me olhaste
nos olhos, & viste a sombra
do guarda a afastar-se
Pensamentos a tempo & fora de época
Aquele que pedia boleia ficou na berma da estrada
& estendia o polegar no calmo cálculo da razão

(passa um carro)

Porque gira a minha mente à tua volta?
Porque  se perguntam os planetas como
Seria estar na tua pele?

As tuas promessas ternas e selvagens eram paleio
Pássaros, num voo sem fim
O teu cão continua perdido nos bosques gelados
ou correria para ti
Como pode correr para ti?
Sangrando desorientado na neve
Continua a farejar os portões & procurando
Nos estranhos o teu cheiro
que recorda muito bem

Vês a lua a tua janela?
A loucura ri?
Ainda podes descer ao banco de rochedos
ao fundo da praia sem ele?

Fotografia de Inverno
o nosso amor corre perigo
Fico a pé toda a noite, a fumar a conversar
Recordo os mortos & espero amanhã
(Voltarão os nomes & os rostos dos que me eram chegados
Terá a floresta de prata fim?)

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Poesia

Posted by Daniel Baseggio em 09/05/2010

“Poesia, oh diga-me onde ela está;
Sentir a relva pelos seus cabelos;
Em olhos teus perder-me.

Poesia, diz o que preciso;
Nos seios e no conforto, distinto amigo;
Acabo de me levantar e escrevo;
Diga-me: onde ela está?

No longínquo lugar, depois do sol;
Alí onde perto quero ficar;
Proclamar a poesia em teus ouvidos;
Enquanto os sentidos não me atrapalhar;
Quero me entorpecer com seu olhar;
Poesia, diga-me onde ela está.

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