Pensamentos em Palavras

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Posts Tagged ‘Poesia’

Para longe

Posted by Daniel Baseggio em 16/10/2011

Realizado na hora em que tudo terminou
Eu conheço essa dor
Como a lebre que foge de seu predador
Corro para longe do seu calor

Deixou a caixa de pandora aberta outra vez
Eu conheço essa dor
Você sempre estava tão longe
Aí subi num céu que não existe, que Deus nenhum fez
Longe do seu calor

Talvez o melhor seja sobreviver
Mesmo conhecendo essa dor
Meus olhos devem guiar para bem longe daqui
Longe de seu calor

Mais alto que eu possa subir
Sem crise e sem caminho para seguir
Fujo dessa dor (dentro de seus olhos)
Parado vou sucumbir (nas mentiras de suas palavras)
Voar longe do seu calor

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Qualquer fim, qualquer lar

Posted by Daniel Baseggio em 23/06/2011

Haviam tantas palavras bonitas
agora elas não encontram moradia
Um paraíso contínuo e longe de tudo
é lá que tantos verbos encontra desfeixo

Poderei virar a página e escrever uma canção
ou contiunuarei vagando de coração à coração
Sem medidas ou meios
Apenas vontade nos olhos

Vontade de ser livre, ou medo de tentar?
Desejos inconstantes
ou impulsividade delirante?
Qual seu demônio?

Magina, nem penso em estar
apenas aproveito o tempo de amar
Só por um instante, um verbo, um lar
Algum outro lugar para se esconder, para morar.

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o remédio contra a distância

Posted by Daniel Baseggio em 26/09/2010

“Basta crermos na estação das paixões,
olhar para cima e sentir a fina garoa.
 Vamos estar parados ao nada,
naquilo que não mais te magoa.

 Cruel desamparo da solidão,
saída última para a descarga,
ou uma doce ilusão?
 O que pensar nos dias frios?

 Devia imaginar o quão triste é lá fora;
embora eu saiba que ela ainda está magoada,
não deixo que ela parta nem que fique abalada.
 Tenho o elixir que vai trazê-la.

 Santo remédio és tu, amor.
 Falo para Eros, não pare;
agora a esperança chegou, sem mais dor.
 Traz a minha amada de volta para esta estação,
onde só seu sorriso impede a devastação.

 Sem surpresa, arrependido cão sujo.
 O amor veio com os olhos dela,
com cada lágrima e choro no escuro.
 Você tem para ela a surpresa mais bela:
todo amor do mundo em apenas uma pétala.

 O remédio da distência está todo no coração;
no amor mais puro, em toda sua imensidão.
 Nos levará a felicidade e para a eternidade,
basta segurar minha mão”.

…ela tem todo o arrependimento, sentimento cruel e que nos faz crescer…ela tem tudo o que pode sonhar, porque é ela.

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Poesia Morrison II

Posted by Daniel Baseggio em 09/05/2010

PISTA DO MEIO DIA

“Diz-lhes que vieste, viste & me olhaste
nos olhos, & viste a sombra
do guarda a afastar-se
Pensamentos a tempo & fora de época
Aquele que pedia boleia ficou na berma da estrada
& estendia o polegar no calmo cálculo da razão

(passa um carro)

Porque gira a minha mente à tua volta?
Porque  se perguntam os planetas como
Seria estar na tua pele?

As tuas promessas ternas e selvagens eram paleio
Pássaros, num voo sem fim
O teu cão continua perdido nos bosques gelados
ou correria para ti
Como pode correr para ti?
Sangrando desorientado na neve
Continua a farejar os portões & procurando
Nos estranhos o teu cheiro
que recorda muito bem

Vês a lua a tua janela?
A loucura ri?
Ainda podes descer ao banco de rochedos
ao fundo da praia sem ele?

Fotografia de Inverno
o nosso amor corre perigo
Fico a pé toda a noite, a fumar a conversar
Recordo os mortos & espero amanhã
(Voltarão os nomes & os rostos dos que me eram chegados
Terá a floresta de prata fim?)

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Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Posted by Rafa de Souza em 28/01/2010

Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados
das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema V”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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SONETO VII

Posted by Rafa de Souza em 30/10/2009

SONETO VII

Ardor em firme coração nascido,
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado:
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando cristal em chama derretido:

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
mas aí, que andou Amor em ti prudente!

Pois, para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.

(Gregório de Matos)

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Naufrágio….

Posted by Rafa de Souza em 21/10/2009

É triste, mas é assim: tudo há de ter um fim
Nossas vidas afastam-se mais e mais.
Ficas vendo parada, na beira do cais
Enquanto corres, dos teus próprios medos.
Olhamos a tragédia, estáticos e calados,
Com olhares febris, sem deixar de chorar.
Deixa ser… deixa o nosso barco naufragar…
Talvez seja o melhor, ainda que seja o fim.

Renato Gonçalves Toso

2009/10/21

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Viagens

Posted by Rafa de Souza em 09/10/2009

Un voyage pour oublier le passé

Un voyage pour oublier les jours du passé et créer un nouveau futur

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Para Além da Curva da Estrada

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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Despedida

Posted by Rafa de Souza em 20/08/2009

The greatest thing you will ever learn
Is just to love and be loved in return
(Eden Ahbez)

Mostra teu coração e se despede:
É por pouco tempo, mas estou indo embora.

Me aperta e me abraça forte:
Não deixa que o sabor do último beijo
Seja aquele sabor de morte,
Pois esse não é meu desejo.

Se sentir saudades, verta lágrimas por mim.
Sofrer é ruim, acredite, eu sei;
Mas preciso te deixar, pelo menos por enquanto.
A vida sempre nos machuca — é assim —
Mas lembra que ainda voltarei
Porque, você sabe, te amo, te amo tanto…

E, por isso, aguenta a saudade:
Enxuga as lágrimas, não chora;
Pois sobre esse mesmo céu, dessa mesma cidade,
Aquele beijo terá seu lugar, aquele beijo terá sua hora.
E, no final, acho que você bem sabe:
Não me despeço com um adeus.
O que começou há de ter um fim —
Tua boca, algum dia, ainda há de me dizer “sim”.

Renato T

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A Satyre Against Mankind

Posted by Rafa de Souza em 12/08/2009

Uma das melhores — se não a melhor — poesias que eu já li.  A Satyre Against Mankind (Um Sátira Contra a Humanidade)

John Wilmot – A Satyre Against Mankind

Were I – who to my cost already am
One of those strange, prodigious creatures, man –
A spirit free to choose for my own share
What sort of flesh and blood I pleased to wear,
I’d be a dog, a monkey, or a bear,
Or anything but that vain animal,
Who is so proud of being rational.

His senses are too gross; and he’ll contrive
A sixth, to contradict the other five;
And before certain instinct will prefer
Reason, which fifty times for one does err.
Reason, an ignis fatuus of the mind,
Which leaving light of nature, sense, behind,
Pathless and dangerous wand’ring ways it takes,
Through Error’s fenny bogs and thorny brakes;
Whilst the misguided follower climbs with pain
Mountains of whimsey’s, heaped in his own brain;
Stumbling from thought to thought, falls headlong down,
Into Doubt’s boundless sea where, like to drown,
Books bear him up awhile, and make him try
To swim with bladders of Philosophy;
In hopes still to o’ertake the escaping light;
The vapour dances, in his dancing sight,
Till spent, it leaves him to eternal night.
Then old age and experience, hand in hand,
Lead him to death, make him to understand,
After a search so painful, and so long,
That all his life he has been in the wrong:

Huddled In dirt the reasoning engine lies,
Who was so proud, so witty, and so wise.
Pride drew him in, as cheats their bubbles catch,
And made him venture; to be made a wretch.
His wisdom did has happiness destroy,
Aiming to know that world he should enjoy;
And Wit was his vain, frivolous pretence
Of pleasing others, at his own expense.
For wits are treated just like common whores,
First they’re enjoyed, and then kicked out of doors;
The pleasure past, a threatening doubt remains,
That frights th’ enjoyer with succeeding pains:
Women and men of wit are dangerous tools,
And ever fatal to admiring fools.
Pleasure allures, and when the fops escape,
‘Tis not that they’re beloved, but fortunate,
And therefore what they fear, at heart they hate:

But now, methinks some formal band and beard
Takes me to task; come on sir, I’m prepared:

“Then by your Favour, anything that’s writ
Against this jibing, jingling knack called Wit
Likes me abundantly: but you take care
Upon this point not to be too severe.
Perhaps my Muse were fitter for this part,
For I profess I can be very smart
On Wit, which I abhor with all my heart;
I long to lash it in some sharp essay,
But your grand indiscretion bids me stay,
And turns my tide of ink another way.
What rage Torments in your degenerate mind,
To make you rail at reason, and mankind
Blessed glorious man! To whom alone kind heaven
An everlasting soul hath freely given;
Whom his great maker took such care to make,
That from himself he did the image take;
And this fair frame in shining reason dressed,
To dignify his nature above beast.
Reason, by whose aspiring influence
We take a flight beyond material sense,
Dive into mysteries, then soaring pierce
The flaming limits of the universe,
Search heaven and hell, Find out what’s acted there,
And give the world true grounds of hope and fear.”

Hold mighty man, I cry, all this we know,
From the pathetic pen of Ingelo;
From Patrlck’s Pilgrim, Sibbes’ Soliloquies,
And ‘tis this very reason I despise,
This supernatural gift that makes a mite
Think he’s an image of the infinite;
Comparing his short life, void of all rest,
To the eternal, and the ever-blessed.
This busy, pushing stirrer-up of doubt,
That frames deep mysteries, then finds them out;
Filling with frantic crowds of thinking fools
The reverend bedlam’s, colleges and schools;
Borne on whose wings each heavy sot can pierce
The limits of the boundless universe;
So charming ointments make an old witch fly,
And bear a crippled carcass through the sky.
‘Tis the exalted power whose business lies
In nonsense and impossibilities.
This made a whimsical philosopher
Before the spacious world his tub prefer,
And we have modern cloistered coxcombs, who
Retire to think ‘cause they have nought to do.
But thoughts are given for action’s government;
Where action ceases, thought’s impertinent:
Our sphere of action is life’s happiness,
And he that thinks beyond thinks like an ass.

Thus, whilst against false reasoning I inveigh.
I own right reason, which I would obey:
That reason which distinguishes by sense,
And gives us rules of good and ill from thence;
That bounds desires. with a reforming will
To keep ‘em more in vigour, not to kill. –
Your reason hinders, mine helps to enjoy,
Renewing appetites yours would destroy.
My reason is my friend, yours is a cheat,
Hunger calls out, my reason bids me eat;
Perversely. yours your appetite does mock:
This asks for food, that answers, ‘what’s o’clock’
This plain distinction, sir, your doubt secures,
‘Tis not true reason I despise, but yours.
Thus I think reason righted, but for man,
I’ll ne’er recant, defend him if you can:
For all his pride, and his philosophy,
‘Tis evident: beasts are in their own degree
As wise at least, and better far than he.

Those creatures are the wisest who attain. –
By surest means. the ends at which they aim.
If therefore Jowler finds and kills the hares,
Better than Meres supplies committee chairs;
Though one’s a statesman, th’ other but a hound,
Jowler in justice would be wiser found.
You see how far man’s wisdom here extends.
Look next if human nature makes amends;
Whose principles are most generous and just,
– And to whose morals you would sooner trust:

Be judge yourself, I’ll bring it to the test,
Which is the basest creature, man or beast
Birds feed on birds, beasts on each other prey,
But savage man alone does man betray:
Pressed by necessity; they kill for food,
Man undoes man, to do himself no good.
With teeth and claws, by nature armed, they hunt
Nature’s allowance, to supply their want.
But man, with smiles, embraces. friendships. Praise,
Inhumanely his fellow’s life betrays;
With voluntary pains works his distress,
Not through necessity, but wantonness.
For hunger or for love they bite, or tear,
Whilst wretched man is still in arms for fear.
For fear he arms, and is of arms afraid:
From fear, to fear, successively betrayed.
Base fear, the source whence his best passions came.
His boasted honour, and his dear-bought fame.
The lust of power, to whom he’s such a slave,
And for the which alone he dares be brave;
To which his various projects are designed,
Which makes him generous, affable, and kind.
For which he takes such pains to be thought wise,
And screws his actions, in a forced disguise;
Leads a most tedious life in misery,
Under laborious, mean hypocrisy.
Look to the bottom of his vast design,
Wherein man’s wisdom, power, and glory join:
The good he acts. the ill he does endure.
‘Tis all from fear, to make himself secure.
Merely for safety after fame they thirst,
For all men would be cowards if they durst.
And honesty’s against all common sense,
Men must be knaves, ‘tis in their own defence.
Mankind’s dishonest: if you think it fair
Among known cheats to play upon the square,
You’ll be undone.
Nor can weak truth your reputation save,
The knaves will all agree to call you knave.
Wronged shall he live, insulted o’er, oppressed,
Who dares be less a villain than the rest.

Thus sir, you see what human nature craves,
Most men are cowards, all men should be knaves;
The difference lies, as far as I can see.
Not in the thing itself, but the degree;
And all the subject matter of debate
Is only, who’s a knave of the first rate

All this with indignation have I hurled
At the pretending part of the proud world,
Who, swollen with selfish vanity, devise,
False freedoms, holy cheats, and formal lies,
Over their fellow slaves to tyrannise.

But if in Court so just a man there be,
(In Court, a just man – yet unknown to me)
Who does his needful flattery direct
Not to oppress and ruin, but protect:
Since flattery, which way soever laid,
Is still a tax: on that unhappy trade.
If so upright a statesman you can find,
Whose passions bend to his unbiased mind,
Who does his arts and policies apply
To raise his country, not his family;
Nor while his pride owned avarice withstands,
Receives close bribes, from friends corrupted hands.

Is there a churchman who on God relies
Whose life, his faith and doctrine justifies
Not one blown up, with vain prelatic pride,
Who for reproofs of sins does man deride;
Whose envious heart makes preaching a pretence
With his obstreperous, saucy eloquence,
To chide at kings, and rail at men of sense;
Who from his pulpit vents more peevlsh lies,
More bitter railings, scandals, calumnies,
Than at a gossiping are thrown about
When the good wives get drunk, and then fall out.
None of that sensual tribe, whose talents lie
In avarice, pride, sloth, and gluttony.
Who hunt good livings; but abhor good lives,
Whose lust exalted, to that height arrives,
They act adultery with their own wives.
And ere a score of years completed be,
Can from the loftiest pulpit proudly see,
Half a large parish their own progeny.
Nor doting bishop, who would be adored
For domineering at the Council board;

A greater fop, in business at fourscore,
Fonder of serious toys, affected more,
Than the gay, glittering fool at twenty proves,
With all his noise, his tawdry clothes and loves.
But a meek, humble man, of honest sense,
Who preaching peace does practise continence;
Whose pious life’s a proof he does believe
Mysterious truths which no man can conceive.

If upon Earth there dwell such god-like men,
I’ll here recant my paradox to them,
Adores those shrines of virtue, homage pay,
And with the rabble world their laws obey.

If such there are, yet grant me this at least,
Man differs more from man than man from beast.

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